Os versos apontam a presença do tema “aurea
mediocritas”, a exaltação do equilíbrio entre o
conhecimento e a intelectualidade, o ideal de
vida tranquila, sem exageros, pregado pelos
ideais árcades, embora também indiquem
aspectos inerentes à transformação do poeta.
Leia o fragmento de Marília de Dirceu, de Tomás
Antônio Gonzaga e, a seguir, assinale a alternativa correta.
Acaso são estes
Os sítios formosos,
Aonde passava
Os anos gostosos?
São estes os prados,
Aonde brincava,
Enquanto pastava,
O manso rebanho?
Que Alceu nos deixou? São estes os sítios? São estes; mas eu O mesmo não sou. Marília, tu chamas? Espera, que eu vou. *
Daquele penhasco
Um rio caía;
Ao som do sussurro
Que vezes dormia!
Agora não cobrem
Espumas nevadas
As pedras quebradas:
Parece que o rio
Ao curso voltou. São estes os sítios? São estes; mas eu O mesmo não sou. Marília, tu chamas? Espera, que eu vou.
(GONZAGA, T. A.. Marília de Dirceu. São Paulo: Martin
Claret, 2009, p. 25-26)
Gabarito comentado
Gabarito comentado:
Tema central: Esta questão avalia interpretação de texto e conhecimento de aspectos literários do Arcadismo, especialmente o significado do termo aurea mediocritas ("dourada mediania").
Justificativa da alternativa correta – C) certo:
O texto evidencia reflexões sobre a passagem do tempo e valores árcades. O eu-lírico observa que o cenário permanece o mesmo, mas ele próprio mudou. Esse contraste reforça a busca pelo equilíbrio e a moderação em oposição ao exagero, ideal representado pelo conceito de aurea mediocritas. Conforme Celso Cunha & Lindley Cintra, o Arcadismo valoriza a simplicidade e “vida tranquila”, contrapondo-se aos excessos.
Frases como "São estes; mas eu o mesmo não sou" mostram transformação interior, indicando que, apesar da manutenção dos valores naturais e bucólicos, o tempo opera mudanças subjetivas. Percebe-se, portanto, tanto a exaltação do ideal árcade quanto a reflexão existencial do poeta.
Análise da alternativa incorreta – E) errado:
Assinalar “errado” significaria não reconhecer o valor arcádico do poema nem a transformação vivida pelo eu-lírico. Tal leitura ignora elementos textuais e históricos fundamentais. O fragmento cita diretamente os “prados”, “rebanho” e questiona a permanência do lugar versus a mudança do sujeito, compondo nítida relação com os preceitos árcades e o ideal de vida equilibrada na natureza.
Estratégias e dicas:
Ao interpretar poemas, valorize palavras-chave e relações implícitas. Atenção ao contexto histórico-literário e aos conceitos clássicos facilita a compreensão. Perguntas recorrentes em concursos sobre escolas literárias exigem identificação precisa do tema e dos ideais envolvidos – cuidado com alternativas que ignoram nuances do texto!
Conclusão:
A alternativa C) certo está correta pois o trecho realmente reflete a aurea mediocritas e a transformação subjetiva do poeta, alinhando-se totalmente ao espírito árcade.
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