Questão 12f199f1-dd
Prova:UEM 2011, UEM 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Os versos apontam a presença do tema “aurea mediocritas”, a exaltação do equilíbrio entre o conhecimento e a intelectualidade, o ideal de vida tranquila, sem exageros, pregado pelos ideais árcades, embora também indiquem aspectos inerentes à transformação do poeta.

Leia o fragmento de Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga e, a seguir, assinale a alternativa correta.

Acaso são estes
Os sítios formosos,
Aonde passava
Os anos gostosos?
São estes os prados,
Aonde brincava,
Enquanto pastava,
O manso rebanho?
Que Alceu nos deixou?
        São estes os sítios?
        São estes; mas eu
        O mesmo não sou.
        Marília, tu chamas?
        Espera, que eu vou.
                 *

Daquele penhasco
Um rio caía;
Ao som do sussurro
Que vezes dormia!
Agora não cobrem
Espumas nevadas
As pedras quebradas:
Parece que o rio
Ao curso voltou.
        São estes os sítios?
        São estes; mas eu
        O mesmo não sou.
        Marília, tu chamas?
        Espera, que eu vou.

(GONZAGA, T. A.. Marília de Dirceu. São Paulo: Martin Claret, 2009, p. 25-26)

C
Certo
E
Errado

Gabarito comentado

F
Florinda Lins Monitor do Qconcursos

Gabarito comentado:

Tema central: Esta questão avalia interpretação de texto e conhecimento de aspectos literários do Arcadismo, especialmente o significado do termo aurea mediocritas ("dourada mediania").

Justificativa da alternativa correta – C) certo:
O texto evidencia reflexões sobre a passagem do tempo e valores árcades. O eu-lírico observa que o cenário permanece o mesmo, mas ele próprio mudou. Esse contraste reforça a busca pelo equilíbrio e a moderação em oposição ao exagero, ideal representado pelo conceito de aurea mediocritas. Conforme Celso Cunha & Lindley Cintra, o Arcadismo valoriza a simplicidade e “vida tranquila”, contrapondo-se aos excessos.

Frases como "São estes; mas eu o mesmo não sou" mostram transformação interior, indicando que, apesar da manutenção dos valores naturais e bucólicos, o tempo opera mudanças subjetivas. Percebe-se, portanto, tanto a exaltação do ideal árcade quanto a reflexão existencial do poeta.

Análise da alternativa incorreta – E) errado:
Assinalar “errado” significaria não reconhecer o valor arcádico do poema nem a transformação vivida pelo eu-lírico. Tal leitura ignora elementos textuais e históricos fundamentais. O fragmento cita diretamente os “prados”, “rebanho” e questiona a permanência do lugar versus a mudança do sujeito, compondo nítida relação com os preceitos árcades e o ideal de vida equilibrada na natureza.

Estratégias e dicas:
Ao interpretar poemas, valorize palavras-chave e relações implícitas. Atenção ao contexto histórico-literário e aos conceitos clássicos facilita a compreensão. Perguntas recorrentes em concursos sobre escolas literárias exigem identificação precisa do tema e dos ideais envolvidos – cuidado com alternativas que ignoram nuances do texto!

Conclusão:
A alternativa C) certo está correta pois o trecho realmente reflete a aurea mediocritas e a transformação subjetiva do poeta, alinhando-se totalmente ao espírito árcade.

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