Questão 105a9324-b6
Prova:UFAL 2013
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
EDUCAÇÃO CULINÁRIA
Em um país de tanta abundância e tão pouca oportunidade
para tantos, há quem acredite que a nova classe C está
destinada a ficar por cima da carne seca e tirar a barriga da
miséria. Nem nos causa estranheza que nossos ministros sejam
fritados ou a liberação de recursos para a saúde e a educação
seja eternamente cozinhada em banho-maria. Aliás, quem é que
não sabe que tudo aqui acaba em pizza?
No Brasil, fast-food e alopatia convivem na boa com a
mamadeira, a canjica, os chás de erva-cidreira e erva-doce.
Geleia global. Tudo bem que os americanos tenham o seu “piece
of cake”, designativo das coisas fáceis de obter. Houve tempo
em que eles só souberam da fartura e não sentiram na carne o
que é ter de descascar um abacaxi, resolver um pepino, encarar
uma batata quente e enfrentar o angu de caroço que é o nosso
dia.
Afinal, mesmo em crise, eles ainda ganham em dólar. E
comem como poucos...
OLIVEIRA, José Paulo. Revista Língua Portuguesa. Ano 7. Nº 78. Abril de 2012.
Do texto, infere-se que o autor José Paulo Oliveira
EDUCAÇÃO CULINÁRIA
Em um país de tanta abundância e tão pouca oportunidade
para tantos, há quem acredite que a nova classe C está
destinada a ficar por cima da carne seca e tirar a barriga da
miséria. Nem nos causa estranheza que nossos ministros sejam
fritados ou a liberação de recursos para a saúde e a educação
seja eternamente cozinhada em banho-maria. Aliás, quem é que
não sabe que tudo aqui acaba em pizza?
No Brasil, fast-food e alopatia convivem na boa com a
mamadeira, a canjica, os chás de erva-cidreira e erva-doce.
Geleia global. Tudo bem que os americanos tenham o seu “piece
of cake”, designativo das coisas fáceis de obter. Houve tempo
em que eles só souberam da fartura e não sentiram na carne o
que é ter de descascar um abacaxi, resolver um pepino, encarar
uma batata quente e enfrentar o angu de caroço que é o nosso
dia.
Afinal, mesmo em crise, eles ainda ganham em dólar. E
comem como poucos...
OLIVEIRA, José Paulo. Revista Língua Portuguesa. Ano 7. Nº 78. Abril de 2012.
Do texto, infere-se que o autor José Paulo Oliveira
A
critica o falar de todo brasileiro, bem como a utilização de
metáforas que fazem referências à alimentação.
B
encontra nas metáforas ligadas à alimentação uma forma
genuína de expressar-se, de representar e recriar o mundo.
C
utiliza metonímia para explicar a alimentação como gênese
de expressão do povo brasileiro.
D
é hiperbólico para falar da gênese da classe C e a que tal
classe está destinada.
E
enfatiza a miséria da qual o povo é vítima, representando-a
com expressões denotativas, próprias do linguajar popular.
Gabarito comentado
C
Carlos MartinsMonitor com apoio de IA
Gabarito: B
Fundamento decisivo: O comando pede uma inferência sobre a atitude do autor diante das expressões figuradas ligadas à alimentação. Como o texto mobiliza essa cadeia de imagens para representar criticamente a realidade social e política brasileira, sem rejeitá-las, o critério decisivo é a valorização funcional desse repertório; por isso, a alternativa correta é a B.
Tema central: metáforas culinárias expressivas
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o texto não critica o falar de todo brasileiro nem condena as metáforas alimentares. O autor faz exatamente o contrário: constrói o texto com esse repertório figurado. A crítica presente recai sobre a realidade social e política representada por essas expressões, não sobre a linguagem usada.
B
Certa
A alternativa B acerta porque o texto apresenta as metáforas alimentares como recurso expressivo para nomear experiências brasileiras. Isso aparece na sequência de imagens como “ficar por cima da carne seca”, “tirar a barriga da miséria”, “serem fritados”, “cozinhada em banho-maria”, “acaba em pizza”, além de “descascar um abacaxi”, “resolver um pepino”, “encarar uma batata quente” e “enfrentar o angu de caroço”. O conjunto mostra uso produtivo e valorizado dessas expressões para representar e recriar a realidade social.
C
Errada
Está errada por inadequação conceitual e por extrapolação. A questão pede inferência sobre a posição do autor, e o texto se organiza por metáforas e expressões idiomáticas, não por uma explicação técnica em termos de metonímia. Além disso, o texto não afirma que a alimentação seja a gênese da expressão do povo brasileiro.
D
Errada
Está errada porque desloca o foco do texto. A classe C aparece apenas no início, de modo pontual, e o texto não discute sua gênese nem centra sua argumentação nesse tema. O núcleo do texto é o uso expressivo de imagens culinárias para ler a realidade brasileira, e não uma construção hiperbólica sobre o destino da classe C.
E
Errada
Está errada porque contradiz diretamente o modo de construção do texto. As expressões empregadas não são denotativas, mas conotativas e idiomáticas: “fritados”, “banho-maria”, “acaba em pizza”, “descascar um abacaxi”, “batata quente”. Mesmo quando há referência à miséria, ela é formulada por linguagem figurada, não literal.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre crítica à realidade brasileira e crítica ao modo de falar dos brasileiros, além da troca indevida entre linguagem figurada e linguagem denotativa.
Dica para questões semelhantes
- Quando o comando pedir inferência sobre o autor, observe a atitude discursiva dele diante do recurso linguístico usado, e não apenas o tema mencionado.
- Se o texto acumula expressões idiomáticas e metáforas, isso indica exploração expressiva do repertório, não rejeição dele.
- Elimine alternativas que troquem linguagem conotativa por denotativa ou que imponham rótulo técnico incompatível com o funcionamento real do texto.






