Questão 0fbfba6e-36
Prova:UNESP 2010
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Para a jornalista entrevistada, a divulgação de ciência

Instrução: A   questão  toma  por base uma matéria assinada por Danilo Albergaria na revista eletrônica COMCIÊNCIA:


           Cinema e Telejornalismo: Convergência de Linguagens para Divulgar Ciência


      Encampando um ponto de vista em que um vídeo de divulgação científica não deve apenas ensinar e informar, mas também entreter, motivar e gerar curiosidade, Iara Cardoso defendeu a convergência das linguagens telejornalística e cinematográfica para incrementar as produções de vídeo voltadas para a ciência: “A convergência é possível, é necessária, e cada vez mais acessível com as novas tecnologias digitais”, disse a jornalista em apresentação durante o Foro Iberoamericano de Comunicação e Divulgação Científica, que ocorreu na Unicamp entre os dias 23 e 25 de novembro.

      A ideia de mesclar linguagens aparentemente distantes surgiu quando Cardoso começou a produzir o vídeo SitRaios, encomendado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para divulgar a ciência por trás de um software que localizava mais facilmente descargas elétricas atmosféricas nas linhas de energia e possibilitava um religamento mais rápido da eletricidade. “Seria maçante produzir esse vídeo da maneira tradicional. Então, introduzimos, num vídeo que usualmente estaria destinado a ser muito próximo do telejornalismo, a linguagem do cinema. Utilizamos conceitos como o de revelação e de aumento de expectativa – introduzimos uma narrativa, enfim”, afirma Cardoso. Além da roteirista e diretora, a equipe, enxuta, teve apenas mais um editor e um cinegrafista. “Esse tipo de convergência não demanda mais recursos do que uma produção tradicional”, defende.

      As produções de cinema são tradicionalmente mais dispendiosas do que vídeos jornalísticos. Porém, contrariando o que o senso comum pensa sobre os custos dos vídeos que incorporam linguagens cinematográficas, Cardoso esclarece que os custos de  produção tornaram-se mais acessíveis com o surgimento das novas tecnologias digitais. Ela aponta, por exemplo, que tornaram-se amplamente acessíveis as câmeras digitais, hoje largamente utilizadas tanto no cinema quanto na produção jornalística. “Os próprios cineastas estão, cada vez mais, filmando com o suporte digital”, afirma. Outra facilidade está na edição digital: “Mesmo quem ainda não aderiu ao suporte digital nas filmagens nunca deixa de utilizar a edição digital, que se tornou imprescindível. Perto da edição em computadores, os antigos métodos tornaram-se inviáveis”, avalia.

      Enquanto o suporte tecnológico facilita a convergência e aproxima linguagens, o que é realmente fundamental, na visão da jornalista, são as ideias por trás do vídeo: são elas, as concepções, que vão formar um roteiro interessante, as bases do apelo dos vídeos de ciência para o grande público. Segundo a diretora, a incorporação da dramaticidade, do suspense – ferramentas usuais na narrativa ficcional – ajudam um vídeo a tornar mais atraente uma teoria ou explicação científica. Ao mesmo tempo, se feita com o devido preparo e seriedade, não compromete a qualidade da informação transmitida — pelo contrário, a potencializa.


(Danilo Albergaria. Cinema e telejornalismo: convergência de linguagens para divulgar ciência. COMCIÊNCIA, www.comciencia.br, 26.11.2009.)

A
deve ser subjetiva, mas sem perder o caráter objetivo, porque a ciência é essencialmente objetiva.
B
não deve apenas ensinar e informar, mas também entreter, motivar e gerar curiosidade.
C
precisa basear-se um pouco na poesia e no lirismo, cuja linguagem sentimental pode ser excelente para a clareza das informações.
D
não tem necessariamente de provocar curiosidade, mas deve limitar-se a informar diretamente.
E
só pode ser feita eficazmente com o emprego da própria linguagem científica.

Gabarito comentado

A
Aline Soares Monitor com apoio de IA

Gabarito: B

Fundamento decisivo: A questão se resolve pela correspondência semântica direta com a fala da entrevistada no primeiro parágrafo: "um vídeo de divulgação científica não deve apenas ensinar e informar, mas também entreter, motivar e gerar curiosidade". Como a estrutura "não apenas..., mas também..." amplia as finalidades da divulgação científica, é correta a alternativa que reproduz essa formulação.

Tema central: finalidade da divulgação científica
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa introduz a ideia de que a divulgação científica "deve ser subjetiva", mas o texto não defende subjetividade como princípio. A entrevistada fala em convergência de linguagens, narrativa, dramaticidade e suspense para tornar o vídeo mais atraente, o que não equivale a opor subjetividade e objetividade. Trata-se de extrapolação sem apoio textual.
B
Certa
A alternativa B está correta porque retoma, de modo fiel, a tese expressamente atribuída à jornalista. O ponto central da fala dela é que divulgar ciência não se limita à transmissão objetiva de conteúdo: a divulgação deve somar à função de ensinar e informar a capacidade de entreter, motivar e despertar curiosidade no público. Isso é exatamente o que a alternativa registra, sem acrescentar nem alterar o sentido do texto.
C
Errada
O texto menciona linguagem telejornalística e cinematográfica, além de recursos como dramaticidade, suspense e narrativa. Não há referência a poesia, lirismo ou linguagem sentimental como base da divulgação científica. A alternativa acrescenta conteúdo inexistente no texto-base.
D
Errada
Essa alternativa contradiz diretamente a formulação central do primeiro parágrafo. O texto afirma que a divulgação científica "não deve apenas ensinar e informar, mas também entreter, motivar e gerar curiosidade". Portanto, é incompatível dizer que ela não precisa provocar curiosidade e deve limitar-se à informação direta.
E
Errada
A jornalista defende justamente o oposto: a convergência de linguagens e o uso de ferramentas narrativas para divulgar ciência ao grande público. Além disso, o texto afirma que o mais fundamental são "as ideias por trás do vídeo", não o emprego exclusivo da linguagem científica. A alternativa nega a tese central do texto.
Pegadinha da questão
A banca explora a desatenção ao operador correlativo "não apenas..., mas também...": quem lê de forma restritiva pode escolher uma alternativa centrada só em informar, ignorando que o texto amplia explicitamente as funções da divulgação científica.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão pedir a posição do autor ou da personagem entrevistada, procure primeiro uma afirmação literal no texto antes de inferir.
  • Dê atenção a estruturas como "não apenas..., mas também...", porque elas indicam ampliação de sentido, não exclusão nem limitação.
  • Elimine alternativas que trocam os termos do texto por noções próximas, mas não autorizadas, como subjetividade, lirismo ou exclusividade técnica.

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