Questão 08d3ca54-47
Prova:UFF 2010
Disciplina:Filosofia
Assunto:

O período do Renascimento foi muito fértil em reflexões políticas. Em contraste com o pragmatismo de Maquiavel, alguns pensadores, inconformados com os males de seu tempo, escreveram sobre sociedades imaginárias. As obras desses pensadores expunham análises realistas que denunciavam as imperfeições das sociedades, e continham propostas de sociedades ideais, baseadas na Razão e capazes de promover a paz, o conhecimento, a justiça e a igualdade em benefício de todos os seres humanos.

A obra mais representativa dessas novas propostas é

A
O Discurso do Método, de René Descartes (1637).
B
Leviatã, de Tomas Hobbes (1651).
C
Sobre o Direito de Guerra e de Paz, de Hugo Grócio (1625).
D
Diálogo sobre os Dois Grandes Sistemas do Mundo, de Galileu Galilei (1632).
E
Utopia, de Tomas More (1516).

Gabarito comentado

M
Manuela Cardoso Monitor do Qconcursos

Resposta correta: E — Utopia, de Thomas More (1516).

Tema central: A questão trata das propostas políticas renascentistas de sociedades imaginárias (utopias) como crítica às imperfeições sociais e projeto racional de uma ordem justa, igualitária e pacífica. Para acertar, é preciso distinguir textos de teoria política normativa/realista daqueles que criam um “lugar perfeito” ficcional para criticar a realidade.

Resumo teórico rápido: A utopia é um gênero literário-político que descreve uma sociedade ideal, usada para denunciar vícios sociais e experimentar soluções racionais para justiça, propriedade, educação e governo. No Renascimento, autores humanistas escreveram utopias como alternativa ao pragmatismo político de Maquiavel.

Fontes relevantes: Thomas More, Utopia (1516); para contexto crítico, consulte enciclopédias acadêmicas como a Stanford Encyclopedia of Philosophy e a Encyclopaedia Britannica (entradas sobre Thomas More e utopia política).

Por que a alternativa E é correta: Utopia é justamente a obra-modelo desse tipo de proposta: apresenta uma ilha imaginária cuja organização social, econômica e jurídica serve de crítica às falhas da Europa do século XVI e propõe princípios racionais para paz, conhecimento, igualdade e bem comum — exatamente o que o enunciado descreve.

Análise das alternativas incorretas:

A — Discurso do Método, Descartes: Obra epistemológica e filosófica sobre método científico e dúvida sistemática; não é um tratado político-utópico.

B — Leviatã, Hobbes: Teoria contratualista e defesa de autoridade soberana para evitar o estado de natureza; realista e autoritária, não uma descrição de sociedade ideal imaginária no sentido utópico.

C — Sobre o Direito de Guerra e de Paz, Hugo Grócio: Tratado de direito internacional e naturalismo jurídico; aborda regras e moral nas relações entre Estados, não descreve uma sociedade utópica.

D — Diálogo sobre os Dois Grandes Sistemas do Mundo, Galileu: Obra científica/astronômica que debate sistemas cosmológicos; não tem caráter político-utópico.

Estratégia para provas: ao ver no enunciado palavras como “sociedades imaginárias”, “sociedades ideais” e ênfase em paz, justiça e igualdade, procure obras literárias/políticas renascentistas (More, Campanella) em vez de tratados científicos, epistemológicos ou contratuais.

'Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!'

Estatísticas

Aulas sobre o assunto

Questões para exercitar

Artigos relacionados

Dicas de estudo