Questão 05cc9b99-29
Prova:UNIFESP 2005
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
No poema, o poeta contesta o senso comum, isto é, a idéia de que
No poema, o poeta contesta o senso comum, isto é, a idéia de que
INSTRUÇÃO: Leia o poema de Manuel Bandeira para responder às questões
Versos de Natal
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Mas se fosses mágico, Penetrarias até ao fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.
INSTRUÇÃO: Leia o poema de Manuel Bandeira para responder às questões
Versos de Natal
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Mas se fosses mágico, Penetrarias até ao fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.
Versos de Natal
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Mas se fosses mágico, Penetrarias até ao fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.
A
as pessoas, na velhice, esperam pelos presentes de Natal. Para ele, os presentes são direitos apenas das crianças.
B
os idosos sabem reconhecer a força exercida neles pelo tempo. Para ele, essas pessoas deixam a realidade e vivem num mundo distante e cheio de fantasias.
C
o menino morre com a chegada da vida adulta. Para ele, o menino está atrelado ao homem até o fim, portanto, vivo por toda a vida.
D
a chegada da velhice faz com que as pessoas voltem a ser crianças. Para ele, os idosos são perspicazes e enxergam a realidade de forma crítica e consciente.
E
o Natal é uma época de alegria e de união entre as pessoas. Para ele, a ocasião vale pelos presentes e não pelos sonhos e sentimentos.
Gabarito comentado
I
Irene Barreto Monitor com apoio de IA
Gabarito: C
Fundamento decisivo: O critério decisivo está na formulação literal do poema: “O menino que não quer morrer, / Que não morrerá senão comigo”, em contraste com os sinais de envelhecimento físico do eu lírico. Essa oposição mostra que o texto contesta a ideia de que a infância desaparece com a vida adulta, o que conduz ao gabarito C.
Tema central: infância interior permanente
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra por extrapolação indevida do trecho dos “chinelinhos atrás da porta”. O poema não afirma que presentes de Natal sejam direito exclusivo das crianças nem formula uma tese sobre idosos esperando presentes. A referência natalina funciona como sinal da permanência do imaginário infantil, não como disputa etária por presentes.
B
Errada
A alternativa distorce o texto ao transformar a permanência do menino interior em abandono da realidade. O poema mostra, sim, consciência lúcida da velhice física — “Tu refletes as minhas rugas, / Os meus cabelos brancos, / Os meus olhos míopes e cansados.” —, mas não diz que o idoso passa a viver num mundo de fantasia. O sentido é de coexistência entre realismo do espelho e permanência afetiva da infância.
C
Certa
A alternativa C está correta porque corresponde exatamente ao sentido afirmado no trecho final do poema: o menino não morreu quando o homem envelheceu, mas continua vivo dentro dele. A formulação “não morrerá senão comigo” nega a ideia de que a vida adulta elimina o menino interior e afirma sua permanência até o fim da vida. É isso que o poema opõe ao senso comum.
D
Errada
A alternativa troca permanência por retorno. O poema não diz que a velhice faz a pessoa voltar a ser criança; diz que o menino sempre permaneceu dentro do homem. Além disso, a segunda parte da alternativa introduz uma generalização sobre idosos enxergarem a realidade de forma crítica e consciente que não é o ponto contestado pelo poema.
E
Errada
A alternativa atribui ao poema um materialismo que o texto não sustenta. A menção aos “chinelinhos” não reduz o Natal a presentes; ela simboliza memória afetiva, desejo e sobrevivência do imaginário infantil. Portanto, o poema não contesta a alegria e a união natalinas para afirmar que só os presentes importam.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre duas ideias diferentes: permanência do menino interior e retorno à infância na velhice. O poema sustenta a primeira, não a segunda.
Dica para questões semelhantes
- Localize o trecho em que o texto formula diretamente a ideia central e use-o para testar as alternativas.
- Quando houver contraste entre aparência externa e vida interior, não reduza o sentido ao plano físico.
- Desconfie de alternativas que transformam imagem simbólica em afirmação literal ou tese geral.






