Questão 02cfad86-29
Prova:UNIFESP 2005
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Figuras de Linguagem

No poema, a metáfora do espelho é um caminho para a reflexão sobre

INSTRUÇÃO: Leia o poema de Manuel Bandeira para responder às questões

Versos de Natal


Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!

Mas se fosses mágico, Penetrarias até ao fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.

A
a velhice do poeta, revelada por seu mundo interior, triste e apático.
B
a magia do Natal e as expectativas do presente, maiores ainda na velhice.
C
o encanto do Natal, vivido pelo homem- menino que a tudo assiste sem emoção
D
a alegria que ronda o poeta, fruto dos sonhos e da esperança contidos no homem e ausentes no menino.
E
as limitações impostas pelo mundo externo ao homem e os anseios e sonhos vivos no menino

Gabarito comentado

P
Patrícia Mendes Monitor com apoio de IA

Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a oposição entre a imagem externa que o espelho reflete e a interioridade que ele não alcança: “Tu refletes as minhas rugas, / Os meus cabelos brancos, / Os meus olhos míopes e cansados. [...] Mas se fosses mágico, / Penetrarias até ao fundo desse homem triste, / Descobririas o menino que sustenta esse homem, / O menino que não quer morrer”. Como o espelho mostra apenas o desgaste físico e o poema preserva um “menino” interior ligado a desejo e permanência, a alternativa correta é a que reúne limitações externas do homem e anseios vivos no menino.

Tema central: exterioridade e interioridade
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao dizer que a velhice é revelada pelo mundo interior. No poema, a velhice aparece no que o espelho reflete externamente: “rugas”, “cabelos brancos” e “olhos míopes e cansados”. Também erra ao qualificar o interior como “triste e apático”, porque o texto mostra o contrário ao afirmar a presença do “menino que sustenta esse homem”, figura ligada à permanência do sonho e da expectativa.
B
Errada
A alternativa introduz uma ideia que o texto não autoriza: a de que as “expectativas do presente” sejam maiores na velhice. O poema mostra a permanência de uma expectativa infantil ligada ao Natal, não sua intensificação no presente. Além disso, a expressão “se fosses mágico” não transforma a “magia do Natal” no tema central; ela funciona como hipótese para que o espelho alcançasse a interioridade.
C
Errada
A alternativa é incompatível com o texto ao afirmar que o homem-menino assiste a tudo “sem emoção”. Os versos finais indicam envolvimento afetivo com a expectativa natalina, não indiferença. Também desloca o foco para o “encanto do Natal”, quando a questão pede a reflexão produzida pela metáfora do espelho, que está no contraste entre aparência envelhecida e interioridade ainda sonhadora.
D
Errada
A alternativa contradiz diretamente o poema em dois pontos. Primeiro, fala em “alegria que ronda o poeta”, mas o texto diz “desse homem triste”. Segundo, inverte os polos semânticos ao afirmar que os sonhos e a esperança estão no homem e ausentes no menino; no poema, são justamente o menino interior e sua expectativa natalina que concentram essa dimensão de sonho.
E
Certa
A alternativa E acerta porque traduz a dualidade central do poema. O espelho reflete “rugas”, “cabelos brancos” e “olhos míopes e cansados”, isto é, o plano externo, envelhecido e limitado. Mas o texto afirma que, para além disso, existe “o menino que sustenta esse homem”, ligado à permanência do desejo, da fantasia natalina e da esperança, confirmada no verso sobre “pôr os seus chinelinhos atrás da porta”. Portanto, a metáfora do espelho conduz à reflexão sobre o contraste entre o homem exteriormente desgastado e o menino interior ainda vivo em seus anseios e sonhos.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre o que o espelho mostra e o que ele não alcança: quem lê apenas “homem triste” ou “espelho” como autoconhecimento total perde que o texto limita o espelho ao exterior e reserva ao “menino” a interioridade sonhadora.
Dica para questões semelhantes
  • Separe o plano visível do plano interior quando o texto construir contraste entre aparência e subjetividade.
  • Não transforme uma hipótese do texto em tema central: “se fosses mágico” serve para ampliar a metáfora do espelho, não para fazer da magia do Natal o assunto principal.
  • Observe a distribuição de sentidos entre as figuras do texto; aqui, o homem concentra o desgaste exterior, e o menino, os anseios e a esperança.
  • Elimine alternativas que acrescentem traços sem apoio textual, como “apático”, “sem emoção” ou expectativas “maiores ainda na velhice”.

Estatísticas

Aulas sobre o assunto

Questões para exercitar

Artigos relacionados

Dicas de estudo