Do século XV ao XIX, uma enorme quantidade de africanos foi alocada pelo tráfico negreiro nos territórios americanos que se encontravam sob o controle dos impérios europeus. Por causa dessa imigração forçada, cerca de 400 mil cativos foram enviados para as colônias da América inglesa, 1,6 milhão para a América espanhola e 3,6 milhões para a América portuguesa. Levando- se em conta a intermitente ação do contrabando, chega-se a um total de 10 milhões de pessoas. Sabe- se, entretanto, que a escravatura sobreviveu ao mundo colonial e ajustou-se às formas de governo que, com a independência, dois Estados americanos politicamente soberanos – Estados Unidos e Brasil – adotaram para si. Analise as afirmativas abaixo que relacionam escravidão e estado- nação independente.
I - Embora a República norte-americana, por princípio, pregasse a ampliação da igualdade política, modificações sutis feitas na Carta Constitucional de 1787 expressaram os arranjos políticos entre os estados escravistas e os estados livres.
II - No Brasil, a escravidão foi defendida apenas pelos cafeicultores fluminenses e mineiros, mas o poder de ambos junto ao Imperador mostrou- se suficiente para mantê- la até o final do Segundo Reinado.
III - Ordem monárquica ou ordem republicana importaram pouco para os escravos naquelas sociedades e para os libertos, que continuaram sendo segregados pela cor e tiveram sua mobilidade social igualmente dificultada.
IV - A aceitação da existência de “diferentes condições de gente” pela Monarquia brasileira e a manutenção de privilégios para alguns cidadãos, contribuiram para tornar a escravidão fenômeno naturalizado aos olhos de muitos contemporâneos.
São afirmativas corretas:
I - Embora a República norte-americana, por princípio, pregasse a ampliação da igualdade política, modificações sutis feitas na Carta Constitucional de 1787 expressaram os arranjos políticos entre os estados escravistas e os estados livres.
II - No Brasil, a escravidão foi defendida apenas pelos cafeicultores fluminenses e mineiros, mas o poder de ambos junto ao Imperador mostrou- se suficiente para mantê- la até o final do Segundo Reinado.
III - Ordem monárquica ou ordem republicana importaram pouco para os escravos naquelas sociedades e para os libertos, que continuaram sendo segregados pela cor e tiveram sua mobilidade social igualmente dificultada.
IV - A aceitação da existência de “diferentes condições de gente” pela Monarquia brasileira e a manutenção de privilégios para alguns cidadãos, contribuiram para tornar a escravidão fenômeno naturalizado aos olhos de muitos contemporâneos.
São afirmativas corretas:
Gabarito comentado
Resposta: Alternativa E — I e IV, apenas.
Tema central: relações entre escravidão e formação do Estado‑nação no século XIX (EUA e Brasil). É preciso saber como dispositivos constitucionais, leis e interesses econômicos moldaram políticas públicas sobre a escravidão e como isso influenciou liberdade, representação e hierarquias raciais.
Resumo teórico: - Nos EUA a Constituição de 1787 incluiu cláusulas que acomodaram os estados escravistas (p.ex. cláusula dos três quintos — Art. I, §2 — e a cláusula do escravo fugitivo — Art. IV, §2), reduzindo a contradição entre ideais republicanos e a escravidão. - No Brasil imperial, o Estado monárquico aprovou reformas graduais (Lei do Ventre Livre, 1871; Lei dos Sexagenários, 1885) mantendo estruturas jurídicas e privilégios que naturalizaram a escravidão até seu fim em 1888. Fontes úteis: Constituição dos EUA (1787), legislação brasileira do século XIX, estudos de Eric Foner (EUA) e João José Reis / Emília Viotti da Costa (Brasil).
Por que I é correta: Afirmativa I aponta que, apesar do princípio republicano de igualdade, a Constituição de 1787 trouxe arranjos pró‑escravidão (três quintos, representação e proteção aos estados escravistas). Esses ajustes são fato histórico documentado; mostram acomodação política entre estados livres e escravistas.
Por que IV é correta: No Brasil, a monarquia manteve distinções legais e privilégios que tornaram a escravidão socialmente naturalizada. As leis reformistas tardias e a tolerância institucional contribuíram para legitimar a "diferente condição de gente" e a hierarquização racial.
Por que II está errada: A afirmação exagera ao dizer que a escravidão foi defendida apenas por cafeicultores fluminenses e mineiros. A defesa da escravidão envolveu setores diversos (sugar, pecuária, comércio, Estado, elites urbanas). Além disso, afirmar que o poder desses dois grupos foi o único fator que garantiu a escravidão até o fim do Segundo Reinado ignora outras variáveis (política imperial, economia, legislação, pressões externas) e erra cronologia política relativa à abolição em 1888.
Por que III está errada: A afirmação generaliza: regime monárquico ou republicano tiveram impactos concretos diferentes sobre escravos e libertos. Políticas, leis e processos de emancipação variaram conforme o regime e o país (ex.: Guerra Civil e Emancipation nos EUA; reformas graduais no Brasil). Não foi indiferente para as condições dos escravizados e libertos.
Dica de prova: cuide com termos absolutos ("apenas", "somente", "importaram pouco"). Busque evidências legais (Constituição, leis) e identifique se a afirmação reconhece nuances históricas.
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