Questão 014e8225-29
Prova:UNIFESP 2005
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Para o poeta, o espelho é um amigo verdadeiro porque
Para o poeta, o espelho é um amigo verdadeiro porque
INSTRUÇÃO: Leia o poema de Manuel Bandeira para responder às questões
Versos de Natal
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Mas se fosses mágico, Penetrarias até ao fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.
INSTRUÇÃO: Leia o poema de Manuel Bandeira para responder às questões
Versos de Natal
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Mas se fosses mágico, Penetrarias até ao fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.
Versos de Natal
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
Espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado!
Mas se fosses mágico, Penetrarias até ao fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta esse homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.
A
não permite que ele sofra, atrelando-o à realidade em que vive.
B
aguça seus sentidos, incentivando- o aos devaneios, como uma criança.
C
perpetua a crença de que a imaginação nunca se acaba.
D
mostra a realidade, desnudando- lhe as faces da velhice.
E
denuncia o estado decrépito em que está, mas cria- lhe a fantasia da felicidade
Gabarito comentado
C
Camila Costa Monitor com apoio de IA
Gabarito: D
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a leitura literal dos versos iniciais, em que o espelho "refletes as minhas rugas, / Os meus cabelos brancos, / Os meus olhos míopes e cansados" e é descrito como "Mestre do realismo exato e minucioso". Esses elementos mostram que ele é "amigo verdadeiro" por revelar fielmente a aparência envelhecida do eu lírico, o que confirma a alternativa D.
Tema central: fidelidade ao real
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o texto não afirma que o espelho poupa o eu lírico do sofrimento. Ao contrário, ele revela um "homem triste" e expõe marcas de desgaste físico. O sentido de "amigo verdadeiro" decorre da franqueza do reflexo, não de proteção emocional.
B
Errada
Está errada porque atribui ao espelho uma função imaginativa que o poema nega. O espelho é definido como "Mestre do realismo exato e minucioso", não como agente de devaneio. O "menino" pertence à interioridade do poeta e aparece na hipótese "Mas se fosses mágico", isto é, no plano do que o espelho real não faz.
C
Errada
Está errada porque transfere ao espelho a permanência da imaginação, quando o texto liga essa permanência ao "menino que não quer morrer", não ao reflexo. A segunda parte do poema não explica a função real do espelho; apresenta apenas uma hipótese irreal sobre o que ele mostraria se fosse mágico.
D
Certa
A alternativa D traduz corretamente a função atribuída ao espelho nos versos iniciais: ele mostra a aparência real do eu lírico, expondo os traços do envelhecimento. Isso é sustentado diretamente pelas referências a "rugas", "cabelos brancos" e "olhos míopes e cansados", além da definição do espelho como "Mestre do realismo exato e minucioso". Portanto, o espelho é "amigo verdadeiro" por desvelar a realidade física sem disfarces.
E
Errada
Está errada porque, embora o espelho de fato revele a velhice, o texto não autoriza dizer que ele cria "a fantasia da felicidade". A dimensão afetiva ligada ao Natal e ao menino interior não é produzida pelo espelho; ela surge justamente como algo que o espelho comum não alcança, marcado por "Mas se fosses mágico".
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre a função real do espelho, que revela a aparência envelhecida com exatidão, e a hipótese imaginária da segunda parte do poema, iniciada por "Mas se fosses mágico", que não define o espelho real.
Dica para questões semelhantes
- Localize primeiro os versos que definem diretamente o termo pedido pela questão; aqui, a explicação de "amigo verdadeiro" está nos versos iniciais.
- Separe o que o texto afirma do que ele apresenta como hipótese; expressões como "se fosses" marcam irrealidade e não podem fundamentar a resposta principal.
- Quando uma alternativa mistura dado literal do texto com acréscimo subjetivo, verifique se esse acréscimo está realmente sustentado; nesta questão, fantasia e felicidade não são funções do espelho.






