Questõesde UNEMAT sobre Modernismo
CUNHATÃ
Vinha do Pará
Chamava Siquê.
Quatro anos. Escurinha. O riso gutural da raça.
Piá branca nenhuma corria mais do que ela.
Tinha uma cicatriz no meio da testa:
- Que foi isto, Siquê?
Com voz de detrás da garganta, a boquinha tuíra:
- Minha mãe (a madrasta) estava costurando
Disse vai ver se tem fogo
Eu soprei eu soprei eu soprei não vi fogo
Aí ela se levantou e esfregou com minha cabeça na
brasa
Rui, riu, riu
Uêrêquitáua.
O ventilador era a coisa que roda.
Quando se machucava, dizia: Ai Zizus!
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 20.ed. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 1993, p. 138.
O poema de Bandeira foi publicado em 1930 e
traz algumas palavras da língua indígena misturadas
ao português. Já em seu título comparece uma palavra
de origem da língua tupi, cunhatã, que significa
“menina, moça, mulher adolescente”.
Ao fazer o uso de
uma língua indígena nesse poema, observa-se que o
autor:
CUNHATÃ
Vinha do Pará
Chamava Siquê.
Quatro anos. Escurinha. O riso gutural da raça.
Piá branca nenhuma corria mais do que ela.
Tinha uma cicatriz no meio da testa:
- Que foi isto, Siquê?
Com voz de detrás da garganta, a boquinha tuíra:
- Minha mãe (a madrasta) estava costurando
Disse vai ver se tem fogo
Eu soprei eu soprei eu soprei não vi fogo
Aí ela se levantou e esfregou com minha cabeça na brasa
Rui, riu, riu
Uêrêquitáua.
O ventilador era a coisa que roda.
Quando se machucava, dizia: Ai Zizus!
BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 20.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993, p. 138.
O poema de Bandeira foi publicado em 1930 e traz algumas palavras da língua indígena misturadas ao português. Já em seu título comparece uma palavra de origem da língua tupi, cunhatã, que significa “menina, moça, mulher adolescente”.
Ao fazer o uso de
uma língua indígena nesse poema, observa-se que o
autor:
[...] Ela veio de longe, do São Francisco. Um
dia, tomou caminho, entrou na boca aberta do
Pará, e pegou a subir. Cada ano ameaçava um
punhado de léguas, mais perto, mais perto,
pertinho, fazendo medo no povo, porque era
sezão brava – “da tremedeira que não
desmontava” – matando muita gente” [...].
Em que conto de Sagarana, de Guimarães
Rosa, o tema da malária está presente?.
[...] Ela veio de longe, do São Francisco. Um dia, tomou caminho, entrou na boca aberta do Pará, e pegou a subir. Cada ano ameaçava um punhado de léguas, mais perto, mais perto, pertinho, fazendo medo no povo, porque era sezão brava – “da tremedeira que não desmontava” – matando muita gente” [...].
Em que conto de Sagarana, de Guimarães Rosa, o tema da malária está presente?.
O conto “A hora e a vez de Augusto Matraga”
do livro Sagarana (1984), de João Guimarães
Rosa, apresenta uma transformação existencial
que está associada à:
Leia o poema de Manoel de Barros extraído do
Livro das Ignorãças (1993):
“Ocupo muito de mim com o meu
desconhecer./ Sou um sujeito letrado em
dicionários./ Não tenho mais que 100 palavras./
Pelo menos uma vez por dia me vou no Morais
ou no Viterbo. -/ A fim de consertar minha
ignorãça,/ mas só acrescenta./ Despesas para
minha erudição tiro nos almanaques:/ - Ser ou
não ser, eis a questão./ Ou na porta dos
cemitérios:/ - Lembra que és pó e que ao pó tu
voltarás./ Ou no verso das folhinhas:/- Conhece-te a ti mesmo./ Ou na boca do
povinho:/ - Coisa que não acaba no mundo é
gente besta / e pau seco./ Etc / Etc / Etc / Maior
que o infinito é a encomenda.”
Assinale a alternativa correta.
Leia o poema de Manoel de Barros extraído do Livro das Ignorãças (1993):
“Ocupo muito de mim com o meu desconhecer./ Sou um sujeito letrado em dicionários./ Não tenho mais que 100 palavras./ Pelo menos uma vez por dia me vou no Morais ou no Viterbo. -/ A fim de consertar minha ignorãça,/ mas só acrescenta./ Despesas para minha erudição tiro nos almanaques:/ - Ser ou não ser, eis a questão./ Ou na porta dos cemitérios:/ - Lembra que és pó e que ao pó tu voltarás./ Ou no verso das folhinhas:/- Conhece-te a ti mesmo./ Ou na boca do povinho:/ - Coisa que não acaba no mundo é gente besta / e pau seco./ Etc / Etc / Etc / Maior que o infinito é a encomenda.”
Assinale a alternativa correta.
Em Triste fim de Policarpo Quaresma, a
composição narrativa em três partes
acompanha a ação da personagem principal,
desvendando as contradições do sistema que
marginalizam o cidadão.
Desta forma, é correto afirmar.
Em Triste fim de Policarpo Quaresma, a composição narrativa em três partes acompanha a ação da personagem principal, desvendando as contradições do sistema que marginalizam o cidadão.
Desta forma, é correto afirmar.
Com relação à obra Sagarana, de Guimarães
Rosa, leia as afirmações e assinale a
alternativa correta.
I. A tendência regionalista assume caráter
de experiência estética universal,
fundindo o real e o mítico.
II. A invenção linguística é parte de
estudos e levantamento minucioso da
língua portuguesa.
III. O sertão é redimensionado para além
da geografia, ainda que dele se extraia
a matéria-prima.
IV. O pitoresco e o realismo exótico
ganham força pela revisão da tradição
ficcional inaugurada pela obra.
Com relação à obra Sagarana, de Guimarães Rosa, leia as afirmações e assinale a alternativa correta.
I. A tendência regionalista assume caráter de experiência estética universal, fundindo o real e o mítico.
II. A invenção linguística é parte de estudos e levantamento minucioso da língua portuguesa.
III. O sertão é redimensionado para além da geografia, ainda que dele se extraia a matéria-prima.
IV. O pitoresco e o realismo exótico ganham força pela revisão da tradição ficcional inaugurada pela obra.
Leia o trecho do conto “São Marcos”, de Sagarana
(1971).
“...sal derramado; padre viajando com a gente no
trem; não falar em raio: quando muito, e se o tempo
está bom, “faísca”; nem dizer lepra; só o “mal”; passo
de entrada com o pé esquerdo; ave do pescoço
pelado; risada renga de suindara, cachorro, bode e
galo, pretos; e, no principal, mulher feiosa, encontro
sobre todos fatídico; – porque, já então, como ia
dizendo, eu poderia confessar, num recenseio
aproximado: doze tabus de não-uso próprio; oito
regrinhas ortodoxas preventivas; vinte péssimos
presságios; dezesseis casos de batida obrigatória na
madeira; dez outros exigindo a figa digital
napolitana, mas da legítima, ocultando bem a cabeça
do polegar; e cinco ou seis indicações de rituais mais
complicados; total: setenta e dois – nove fora, nada”.
Assinale a alternativa correta.
A obra Sagarana, de Guimarães Rosa, cinde uma
das mais belas coletâneas de contos/novelas da
Literatura contemporânea do Brasil, segundo a
crítica. Uma de suas narrativas mais densas tem
com enredo a vida de um valentão arrependido
que, depois de ter sido deixado quase morto pelos
capangas do adversário, levou anos a restaurar a saúde do corpo e amansar o espírito sedento de
vingança.
Assinale a alternativa que indica o título a que se
refere o texto.
A obra Sagarana, de Guimarães Rosa, cinde uma das mais belas coletâneas de contos/novelas da Literatura contemporânea do Brasil, segundo a crítica. Uma de suas narrativas mais densas tem com enredo a vida de um valentão arrependido que, depois de ter sido deixado quase morto pelos capangas do adversário, levou anos a restaurar a saúde do corpo e amansar o espírito sedento de vingança.
Assinale a alternativa que indica o título a que se refere o texto.
Leia o poema “Mãos dadas”, de Carlos Drummond
de Andrade.
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes
esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma
História
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem
vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de
suicidas,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por
serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente,
os homens presentes,
a vida presente.
Assinale a alternativa correta
Leia o poema “Mãos dadas”, de Carlos Drummond de Andrade.
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes
esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma
História
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem
vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de
suicidas,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por
serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente,
os homens presentes,
a vida presente.
Assinale a alternativa correta
Leia o poema extraído do livro Menino do Mato
(2010), de Manoel de Barros.
“Eu queria usar palavras de ave para escrever
Onde a gente morava era um lugar
imensamente e sem nomeação
Ali a gente brincava de brincar com as palavras
Tipo assim: hoje eu vi uma formiga ajoelhada
na pedra!
Já vem você com as sua visões!
Porque formigas não tem joelhos ajoelháveis
E nem há pedras de sacristia por aqui
Isto é traquinagem de sua imaginação”.
Assinale a alternativa correta.

Nesse sentido, é correto afirmar.

Nesse sentido, é correto afirmar.