Questõesde UNEMAT sobre Modernismo

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UNEMAT 2016 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

SAPO-CURURU

Sapo-cururu
Da beira do rio.
Oh que sapo gordo!
Oh que sapo feio!
Sapo-cururu
Da beira do rio.
Quando o sapo coaxa,
Povoléu tem frio.

Que sapo mais danado,
Ó maninha, Ó maninha!
Sapo-cururu é o bicho
Pra comer de sobreposse.

Sapo-cururu
Da barriga inchada.
Vôte! Brinca com ele...
Sapo cururu é senador da República.

BANDEIRA, Manuel. Estrela da Vida Inteira. 20ª edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.

No texto de Bandeira está explícito o procedimento de intertextualidade caracterizado pelo diálogo que um texto estabelece com outro, o que faz desse poema:

A
uma paródia da cantiga popular “sapo cururu”, em que elementos da canção são mantidos e outros acrescentados com o intuito de satirizar um senador da República.
B
uma paráfrase, pois, embora haja modificações, os sentidos do texto fonte são mantidos, o sapo cururu não é personificado.
C
um hino popular em que se observa que o termo “vôte” não é restrito ao falar cuiabano, pois o autor do texto era um nordestino que vivia em São Paulo e compôs esse poema nas primeiras décadas do século XX.
D
um plágio, pois o autor faz cópia de um texto já existente e isso não é aconselhável.
E
uma apropriação indevida de texto alheio, procedimento comum entre os escritores modernistas.
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UNEMAT 2016 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

CUNHATÃ


Vinha do Pará

Chamava Siquê.

Quatro anos. Escurinha. O riso gutural da raça.

Piá branca nenhuma corria mais do que ela.


Tinha uma cicatriz no meio da testa:

- Que foi isto, Siquê?

Com voz de detrás da garganta, a boquinha tuíra:

- Minha mãe (a madrasta) estava costurando

Disse vai ver se tem fogo

Eu soprei eu soprei eu soprei não vi fogo

Aí ela se levantou e esfregou com minha cabeça na brasa


Rui, riu, riu


Uêrêquitáua.

O ventilador era a coisa que roda.

Quando se machucava, dizia: Ai Zizus!


BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 20.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993, p. 138.


O poema de Bandeira foi publicado em 1930 e traz algumas palavras da língua indígena misturadas ao português. Já em seu título comparece uma palavra de origem da língua tupi, cunhatã, que significa “menina, moça, mulher adolescente”.


Ao fazer o uso de uma língua indígena nesse poema, observa-se que o autor:

A
Aponta para a questão racial sugerindo a separação entre brancos e negros, sobretudo na primeira estrofe que traz com ênfase as palavras “Escurinha” e “Piá branca”.
B
Ressalta uma marca da cultura indígena, que se mantém bastante presente não somente na produção cultural brasileira, mas também integrada na língua portuguesa do Brasil.
C
Propõe a valorização da língua tupi com o objetivo de dar ênfase à origem do povo brasileiro e de mostrar o valor dos povos da região norte do Brasil, quando cita o lugar de onde veio a menina, Pará.
D
Promove uma crítica com um toque de humor ao português falado fora do padrão culto, ao fazer a reprodução da oralidade.
E
Faz uma crítica bastante severa à violência praticada às crianças no seio familiar.
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UNEMAT 2010 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

[...] Ela veio de longe, do São Francisco. Um dia, tomou caminho, entrou na boca aberta do Pará, e pegou a subir. Cada ano ameaçava um punhado de léguas, mais perto, mais perto, pertinho, fazendo medo no povo, porque era sezão brava – “da tremedeira que não desmontava” – matando muita gente” [...].


Em que conto de Sagarana, de Guimarães Rosa, o tema da malária está presente?.

A
“A volta do marido pródigo”.
B
“ Minha gente”.
C
“Sarapalha”.
D
“Conversa de bois”.
E
“Corpo fechado”
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UNEMAT 2010 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

O conto “A hora e a vez de Augusto Matraga” do livro Sagarana (1984), de João Guimarães Rosa, apresenta uma transformação existencial que está associada à:

A
mudança de nome do personagem principal.
B
condição social de jagunço temido a empregado de um casal pobre.
C
perda das prostitutas, esposa e filha.
D
conversão religiosa do assassino.
E
forma de entender o mundo e a si mesmo do protagonista.
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UNEMAT 2010 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

Leia o poema de Manoel de Barros extraído do Livro das Ignorãças (1993):

“Ocupo muito de mim com o meu desconhecer./ Sou um sujeito letrado em dicionários./ Não tenho mais que 100 palavras./ Pelo menos uma vez por dia me vou no Morais ou no Viterbo. -/ A fim de consertar minha ignorãça,/ mas só acrescenta./ Despesas para minha erudição tiro nos almanaques:/ - Ser ou não ser, eis a questão./ Ou na porta dos cemitérios:/ - Lembra que és pó e que ao pó tu voltarás./ Ou no verso das folhinhas:/- Conhece-te a ti mesmo./ Ou na boca do povinho:/ - Coisa que não acaba no mundo é gente besta / e pau seco./ Etc / Etc / Etc / Maior que o infinito é a encomenda.”


Assinale a alternativa correta.

A
Este poema faz uma crítica a escritores que se utilizam de frases feitas para escrever.
B
Há um despertar crítico valorizando o conhecimento extraído da ignorância.
C
É preciso consultar os dicionários para fugir da ignorância.
D
Um sujeito letrado é o que sabe consultar o dicionário, ser erudito ao colecionar almanaques e calendário com expressões famosas.
E
No poema é recusado o desconhecer pela cultura: nos dicionários, almanaques, folhinhas, na porta do cemitério, na boca do povo.
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UNEMAT 2010 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

Em Triste fim de Policarpo Quaresma, a composição narrativa em três partes acompanha a ação da personagem principal, desvendando as contradições do sistema que marginalizam o cidadão.


Desta forma, é correto afirmar.

A
As três partes do romance estão relacionadas aos três projetos a que Policarpo Quaresma, como era de seu caráter, se entregou.
B
A primeira parte da obra retrata os interesses políticos que movem as pessoas, mostrando em que se converteu o Marechal de Ferro.
C
As três partes da narrativa estão representadas no final da história quando Major Quaresma é recompensado pelos trabalhos dedicados à Pátria.
D
Na primeira e na segunda parte da obra acentuam-se os interesses pela reforma da agricultura brasileira e pelos males causados pelas saúvas.
E
Tanto a primeira quanto a terceira parte da narrativa estão interligadas pelo interesse do Marechal de Ferro em oficializar a língua tupi-guarani.
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UNEMAT 2010 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

Com relação à obra Sagarana, de Guimarães Rosa, leia as afirmações e assinale a alternativa correta.


I. A tendência regionalista assume caráter de experiência estética universal, fundindo o real e o mítico.

II. A invenção linguística é parte de estudos e levantamento minucioso da língua portuguesa.

III. O sertão é redimensionado para além da geografia, ainda que dele se extraia a matéria-prima.

IV. O pitoresco e o realismo exótico ganham força pela revisão da tradição ficcional inaugurada pela obra.

A
Apenas I e II estão corretas.
B
Apenas I, II e III estão corretas.
C
Apenas I e IV estão corretas.
D
Apenas I e III estão corretas.
E
Todas estão corretas.
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UNEMAT 2011 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

Leia o trecho do conto “São Marcos”, de Sagarana (1971).

“...sal derramado; padre viajando com a gente no trem; não falar em raio: quando muito, e se o tempo está bom, “faísca”; nem dizer lepra; só o “mal”; passo de entrada com o pé esquerdo; ave do pescoço pelado; risada renga de suindara, cachorro, bode e galo, pretos; e, no principal, mulher feiosa, encontro sobre todos fatídico; – porque, já então, como ia dizendo, eu poderia confessar, num recenseio aproximado: doze tabus de não-uso próprio; oito regrinhas ortodoxas preventivas; vinte péssimos presságios; dezesseis casos de batida obrigatória na madeira; dez outros exigindo a figa digital napolitana, mas da legítima, ocultando bem a cabeça do polegar; e cinco ou seis indicações de rituais mais complicados; total: setenta e dois – nove fora, nada”.


Assinale a alternativa correta.

A
A oralidade no texto vem da simplificação e naturalização do regional.
B
A expressão “nove fora, nada” imprime apenas a lógica da matemática.
C
A presença de um eu-confessor desaparece na enumeração do travessão.
D
O travessão oferece passagem para um ritual mais facilitado.
E
A transmissão de acontecimentos da memória é marcada no comentário a um interlocutor.
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UNEMAT 2011 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

A obra Sagarana, de Guimarães Rosa, cinde uma das mais belas coletâneas de contos/novelas da Literatura contemporânea do Brasil, segundo a crítica. Uma de suas narrativas mais densas tem com enredo a vida de um valentão arrependido que, depois de ter sido deixado quase morto pelos capangas do adversário, levou anos a restaurar a saúde do corpo e amansar o espírito sedento de vingança.


Assinale a alternativa que indica o título a que se refere o texto.

A
A volta do marido pródigo. 
B
São Marcos.
C
Conversa de bois. 
D
Corpo fechado. 
E
A hora e a vez de Augusto Matraga. 
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UNEMAT 2011 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

Leia o poema “Mãos dadas”, de Carlos Drummond de Andrade.



Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes

                   esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma

                          História

não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem

                    vista da janela,

não distribuirei entorpecentes ou cartas de

                       suicidas,

não fugirei para as ilhas nem serei raptado por

                      serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente,

                     os homens presentes,

a vida presente.



Assinale a alternativa correta

A
Apresenta uma poética subjetiva e pessoal, afastando-se do caráter coletivo.
B
O poema rompe com questões literárias e pensamento conservador antimodernistas.
C
O sentido das experiências figuradas é sinal da completude e do desejo já realizado.
D
O trágico é fortalecido no prosaico.
E
A estabilidade aparece como padrão, revelando a temporalidade no presente.
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UNEMAT 2011 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

Leia o poema extraído do livro Menino do Mato (2010), de Manoel de Barros.

“Eu queria usar palavras de ave para escrever
Onde a gente morava era um lugar
                  imensamente e sem nomeação
Ali a gente brincava de brincar com as palavras
Tipo assim: hoje eu vi uma formiga ajoelhada
                   na pedra!
Já vem você com as sua visões!
Porque formigas não tem joelhos ajoelháveis
E nem há pedras de sacristia por aqui
Isto é traquinagem de sua imaginação”.


Assinale a alternativa correta.

A
Os sentidos e a redução do universo são expostos pelos elementos da natureza.
B
O retorno de si pela criança e pela fusão da natureza evidencia a pluralidade do sujeito do discurso.
C
A poesia procura chegar ao simbolizado, afastando-se da experiência do narrador.
D
O trabalho com a linguagem encurta a poesia nas paisagens.
E
O encaminhamento das palavras afasta-se da prosa, marca central do poeta.
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UNEMAT 2011 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

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Nesse sentido, é correto afirmar.

A
O conto denuncia que o sistema coronelista do local, e já de tradição, mudaria completamente.
B
O processo de transformação da personagem principal denuncia um país bastante misturado e complexo.
C
A personagem Bem-Bem faz parte da modernização política brasileira de 1945.
D
Nhô Augusto anula a si mesmo em detrimento de Quim.
E
O narrador diferencia o trabalho humano do trabalho dos animais.