Questõesde FPS sobre Literatura

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Foram encontradas 8 questões
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FPS 2017 - Literatura - Escolas Literárias, Romantismo

O poema de Álvares de Azevedo, escrito em 1851, incorpora marcas próprias da poesia romântica. Considerando o contexto histórico e a produção literária desse autor, analise as afirmativas a seguir.

1) Apesar de parecer distante e inalcançável, a mulher amada surge como uma idealização fortemente erótica, voltada tão somente para a realização sexual do eu lírico.
2) O eu lírico fala da morte como algo positivo; mais do que retórica, a atração pela morte é parte do “mal do século”, traço comum à segunda geração romântica.
3) Expressões como “pálida virgem”, “alma infantil” e “um anjo” reforçam um ideal em que a mulher é associada a algo etéreo e puro, distante, portanto, do amor físico.
4) O eu lírico encara a realização amorosa não como algo possível ou iminente, mas como algo que permanece no plano do desejo e do sonho.

Estão corretas:

TEXTO 5 


Ah! vem, pálida virgem, se tens pena
De quem morre por ti, e morre amando,
Dá vida em teu alento à minha vida,
Une nos lábios meus minh’alma à tua!
 Eu quero ao pé de ti sentir o mundo

Na tu’alma infantil; na tua fronte 
Beijar a lua de Deus; nos teus suspiros
Sentir as virações do paraíso;
E a teus pés, de joelhos, crer ainda
Que não mente o amor que um anjo inspira,
 Que eu posso na tu’alma ser ditoso,
Beijar-te nos cabelos soluçando
E no teu seio ser feliz morrendo!


AZEVEDO, Álvares de. In. Noite na taverna e
Poemas escolhidos
(de Lira dos vinte anos).
São Paulo: Moderna, 1994. p. 74.

A
1, 2 e 3, apenas.
B
1 e 4, apenas.
C
2 e 3, apenas.
D
2, 3 e 4, apenas.
E
1, 2, 3 e 4.
f82c0570-e3
FPS 2017 - Literatura - Realismo, Escolas Literárias

Machado de Assis é o principal nome do Realismo brasileiro e sua produção inclui grande variedade de gêneros literários. Acerca da prosa machadiana, é correto indicar como sua principal característica:

TEXTO 6

    Todos os anos, nas férias da escola, Conceição vinha passar uns meses com a avó (que a criara desde que lhe morrera a mãe), no Logradouro, a velha fazenda da família, perto de Quixadá. Ali tinha a moça o seu quarto, os seus livros, e, principalmente, o velho coração amigo de Mãe Nácia. (...)
    Conceição tinha vinte e dois anos e não falava em casar. As suas poucas tentativas de namoro tinham-se ido embora com os dezoito anos e o tempo de normalista; dizia alegremente que nascera solteirona. Ouvindo isso, a avó encolhia os ombros e sentenciava que mulher que não casa é um aleijão...
    ─ Esta menina tem umas ideias!
    Estaria com razão a avó? Porque, de fato, Conceição talvez tivesse umas ideias; escrevia um livro sobre pedagogia, rabiscara dois sonetos, e às vezes lhe acontecia citar o Nordau ou o Renan da biblioteca do avô. Chegara até a se arriscar em leituras socialistas, e justamente dessas leituras é que lhe saíam as piores das tais ideias, estranhas e absurdas à avó. (...)

QUEIROZ, Rachel de. O Quinze. 54ª ed. São Paulo: Siciliano,
1993, p. 9-10.(trecho adaptado)
A
o estilo, com certo rebuscamento formal e excessivo emprego de figuras de linguagem.
B
o desenvolvimento de temas voltados à criação de uma identidade nacional brasileira.
C
personagens construídos por meio da análise psicológica, com foco em conflitos interiores.
D
enredos lineares, marcados por amores impossíveis, muitas peripécias e final feliz.
E
desenvolvimento de experiências narrativas conhecidas como fluxo de consciência e epifania.
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FPS 2017 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

Considerando o Texto 6 bem como o contexto histórico e literário de sua produção, assinale a afirmativa correta.

TEXTO 6

    Todos os anos, nas férias da escola, Conceição vinha passar uns meses com a avó (que a criara desde que lhe morrera a mãe), no Logradouro, a velha fazenda da família, perto de Quixadá. Ali tinha a moça o seu quarto, os seus livros, e, principalmente, o velho coração amigo de Mãe Nácia. (...)
    Conceição tinha vinte e dois anos e não falava em casar. As suas poucas tentativas de namoro tinham-se ido embora com os dezoito anos e o tempo de normalista; dizia alegremente que nascera solteirona. Ouvindo isso, a avó encolhia os ombros e sentenciava que mulher que não casa é um aleijão...
    ─ Esta menina tem umas ideias!
    Estaria com razão a avó? Porque, de fato, Conceição talvez tivesse umas ideias; escrevia um livro sobre pedagogia, rabiscara dois sonetos, e às vezes lhe acontecia citar o Nordau ou o Renan da biblioteca do avô. Chegara até a se arriscar em leituras socialistas, e justamente dessas leituras é que lhe saíam as piores das tais ideias, estranhas e absurdas à avó. (...)

QUEIROZ, Rachel de. O Quinze. 54ª ed. São Paulo: Siciliano,
1993, p. 9-10.(trecho adaptado)
A
A obra tem como tema principal os embates da mulher diante de uma sociedade fortemente patriarcal; nesse contexto repressor, Conceição mostra-se uma mulher à frente de seu tempo.
B
O Quinze se insere no romance regional de 30, segunda fase do Modernismo brasileiro, que se volta para a denúncia social e traz personagens construídos a partir de elementos psicológicos que lhes conferem mais humanidade.
C

A opção por uma linguagem elaborada, com emprego de vocabulário erudito, indica um nexo com as características de Conceição, personagem caracterizada como uma moça de vasta cultura, muito apreciadora da leitura.

D
Para a personagem Conceição, representante da classe rica, que tem acesso à educação e aos bens materiais, a seca não tem outro significado senão o de um incidente climático eventual, que não é capaz de envolvê-la verdadeiramente.
E
Rachel de Queiroz, fiel aos princípios defendidos pelos autores da primeira fase do Modernismo brasileiro, mostra uma marcante preocupação em empregar a variedade linguística regional nordestina, que repercute amplamente no estilo de O Quinze.
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FPS 2017 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

Como se sabe, os movimentos artísticos-literários surgem para se contrapor ou reagir a outros movimentos que os precedem ou lhes são contemporâneos. O Modernismo, por exemplo, propôs a ruptura com os padrões estéticos academicistas e, quando surgiu, centrou sua crítica demolidora, principalmente, sobre:

TEXTO 4



A
o Barroco, com sua temática teocêntrica.
B
o Arcadismo, por suas referências clássicas.
C
o Romantismo, pela linguagem simples e popular.
D
o Realismo e sua ideologia político-social.
E
o Parnasianismo, em razão de seu culto à forma.
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FPS 2017 - Literatura - Barroco, Escolas Literárias

Acerca do poema de Gregório de Matos, analise as afirmativas a seguir.

1) Desejoso de sair da condição em que se encontra, o homem, de certa forma, lança um desafio a Deus ao argumentar: “Mostrai, Senhor, a grandeza/ de tão imenso poder,/ unindo este baixo ser/ a tão suprema beleza”.
2) Destaca-se no poema o contraste entre a miséria humana e a supremacia divina, perspectiva que põe em relevo o conflito humano entre o mundo material e o mundo espiritual, um dos principais temas do Barroco.
3) Sobressaem-se, ainda, no poema, uma seleção vocabular apropriada para valorizar a figura divina (grandeza, imenso poder, suprema beleza) e o emprego de figuras de linguagem, como a antítese “baixo ser/ ser divino”.
4) O poema revela a premissa barroca da profunda identidade entre o divino e o humano, evidente no modo altivo e sem cerimônia como o eu lírico dirige-se a Deus (Senhor), exigindo: “ligai-vos comigo amante,/ convosco em laço constante”.

Estão corretas:

Texto 5  


Mostrai, Senhor, a grandeza
de tão imenso poder,
unindo este baixo ser
a tão suprema beleza:
uni, Senhor, com firmeza
a este barro nada fino,
o vosso ser tão divino,
ligai-vos comigo amante,
convosco em laço constante
uni meu sujeito indigno.


Gregório de Matos. In: MALARD, Letícia. Poemas
de Gregório de Matos. Belo Horizonte: Autêntica,
1998. p. 35. (excerto)  

A
1 e 2, apenas.
B
1, 2 e 3, apenas.
C
2, 3 e 4, apenas.
D
3 e 4, apenas.
E
1, 2, 3 e 4.
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FPS 2017 - Literatura - Barroco, Modernismo, Parnasianismo, Escolas Literárias, Arcadismo, Romantismo

As obras artísticas são marcadas por seu tempo histórico e mostram, assim, os valores humanos, estéticos e estilísticos da arte de cada época. Tais características, entretanto, dificilmente serão inteiramente novas ou originais, ou por causa da interação (entre tempos e entre artistas) ou por reação ao novo, quando o artista revisita o passado para se opor ao presente. Acerca das relações entre estilos de época e entre autores e suas obras na literatura brasileira, analise as afirmativas a seguir.

1) O Romantismo de Castro Alves, distante dos ideais libertários, retoma a retórica jesuítica, de feição barroca, dos sermões de Pe. Antônio Vieira.
2) O Parnasianismo pretendeu combater os temas próprios do Romantismo, calcado em referências clássicas e buscando a perfeição formal.
3) Os valores defendidos pelo Arcadismo foram retomados na linguagem fluida, mística e subjetiva do Simbolismo de Cruz e Sousa.
4) O modernista Graciliano Ramos buscou no Romantismo de José de Alencar as temáticas voltadas para o homem em sua relação com o meio.
5) Com “Macunaíma”, o modernista Mário de Andrade contrapõe-se ao herói indígena de Alencar, um modo de posicionar-se criticamente frente ao nacionalismo ufanista do Romantismo.

Estão corretas, apenas:

Texto 3

O problema da norma culta 


O problema da norma culta – de que tanto se fala hoje no discurso da escola e da mídia – não se resolve pela insistência em corrigir pontualmente os erros de português. 
A norma culta, na função moderna que lhe atribui a sociedade urbanizada, massificada e alfabetizada, está diretamente correlacionada com a escolarização, com o letramento, com a superação do analfabetismo funcional. 

Nosso problema linguístico não é a regência desse ou daquele verbo; não é esta ou aquela concordância verbal; não são as regras de colocação dos pronomes oblíquos. 

Nosso problema linguístico são 5 milhões de jovens entre 15 e 17 anos que estão fora da escola. Nosso problema são os elevados índices de evasão escolar. Nosso problema é termos ainda algo em torno de 12% de analfabetos na população adulta. Nosso problema é o tamanho do analfabetismo funcional, isto é, a quantidade daqueles que, embora frequentem ou tenham frequentado a escola, não conseguem ler e entender um texto medianamente complexo. 

Os estudos sugerem que apenas 25% da população adulta brasileira, perto de 30 milhões de pessoas, conseguem ler e entender um texto medianamente complexo.


FARACO, Carlos Alberto. Norma culta brasileira.
São Paulo: Parábola, 2008.p. 71-72. 
A
1, 2 e 3.
B
1, 3 e 4.
C
1, 3 e 5.
D
2 e 5.
E
4 e 5.
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FPS 2017 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

O ciclo literário que ficou conhecido como “Romance de 30” surgiu em um momento de grande renovação na literatura brasileira e ficou marcado:

Texto 4

Evocação do Recife 


Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritssatd dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois ─
Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada Recife da minha infância
(...)
Foi há muito tempo... 


A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada

Manoel Bandeira. Evocação do Recife. (Excerto)
In: Libertinagem. Estrela da vida inteira. 20. ed.
 Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p.133-136. 

A
pelo foco na análise do caráter e do comportamento humano, perspectiva responsável pela criação de personagens como Capitu, de “Dom Casmurro” (Machado de Assis).
B
pelo desenvolvimento de obras cujo tema é a condição feminina, e em que a mulher surge como protagonista não idealizada, de que é exemplo Macabéa, de “A hora da estrela” (Clarice Lispector).
C
pela identificação com a realidade nordestina, de cujo contexto surgiram personagens heroicos, comprometidos com as causas populares, como Fabiano, de “Vidas secas” (Graciliano Ramos).
D
pelo interesse acerca da realidade brasileira, mostrada a partir de teorias científicas, como o determinismo e o positivismo, que resultou em obras de caráter histórico, como “Os sertões”, de Euclides da Cunha.
E
por tomar como objeto de interesse o quadro social e econômico brasileiro, engajando-se em uma literatura que tinha como matéria-prima a realidade imediata, como, por exemplo, “Fogo morto”, de José Lins do Rego.
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FPS 2017 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

O pernambucano Manoel Bandeira é um dos mais representativos poetas brasileiros quando se trata de mostrar os princípios e temas defendidos pelo Modernismo. Em “Evocação do Recife”, constata-se o seguinte tema ou princípio modernista:

Texto 4

Evocação do Recife 


Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritssatd dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois ─
Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada Recife da minha infância
(...)
Foi há muito tempo... 


A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada

Manoel Bandeira. Evocação do Recife. (Excerto)
In: Libertinagem. Estrela da vida inteira. 20. ed.
 Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993. p.133-136. 

A
renúncia ao lirismo, evidente, por exemplo, quando o poeta nega o Recife: “Não a Veneza americana/ Não o Recife dos Mascates”.
B
niilismo (sentimento de não existência), como nos versos: “(...) Recife sem história nem literatura/ Recife sem mais nada”.
C
a valorização dos temas políticos, explícita no verso: “Recife das revoluções libertárias”.
D
o exacerbado sentimentalismo com que o poeta se volta para o tempo de sua infância: “Recife da minha infância/ Foi há muito tempo”.
E
liberdade criadora, com versos não rimados, de extensão variada; e linguagem simples: “Vinha da boca do povo na língua errada do povo”.