Leia o texto:
Mônica dos Santos é uma das moradoras de Bento Rodrigues, que perdeu tudo o que tinha para a lama da Samarco. ‘Minha mãe e eu escapamos com vida, porque saímos às 6h para trabalhar, mas não ficamos nem com a roupa do corpo. Na arena que nos recebeu a noite,
fomos orientadas a tirar e aceitar roupas de doação’, conta. Isso foi há
‘três anos e quatro meses’. Até hoje, ela e sua família não receberam
nem a indenização, nem a nova casa prometida. ‘Sei que ninguém vai
ser preso. Nem se fala mais nisso. A justiça do nosso país é muito morosa e funciona para quem tem dinheiro e poder. Se os culpados tivessem sido presos, não teria acontecido o desastre em Brumadinho. As
empresas não aprendem com os próprios erros. Tem que ter punição
severa’, afirma.
(O que fazer quando empresas matam. Disponível em:
https://brasil.elpais.com/brasil/2019/02/25/politica/1551065907_650249.html
acesso em 13 mar. 2019, às 17h07min.
Com base no texto, bem como em seus conhecimentos gerais, assinale
a alternativa correta:
Gabarito comentado
Tema central: Desastres ambientais causados por empresas e desafios na responsabilidade jurídica das corporações transnacionais em relação aos direitos humanos.
Explicação didática: A questão aborda dois grandes desastres ambientais: Mariana (2015) e Brumadinho (2019), ambos causados pelo rompimento de barragens sob responsabilidade da mineradora Vale (direta ou via joint venture). Essas tragédias revelam falhas na fiscalização, na responsabilidade socioambiental das empresas, e no sistema de punição após crimes ambientais de grande escala.
Ponto-chave teórico: Após a Segunda Guerra Mundial, surgiram tratados visando garantir direitos humanos universais (como a Declaração Universal de 1948). Contudo, essas normas focavam os Estados, não prevendo o papel das corporações transnacionais, cujos poderes e impactos só aumentaram nas décadas posteriores. O resultado é uma lacuna: empresas nem sempre são responsabilizadas com rigor por violações ambientais e de direitos humanos.
Justificativa da alternativa correta:
Alternativa D (Correta): Ela destaca que os tratados de direitos humanos (pós-Segunda Guerra) não preveram o atual poder das grandes empresas globais, o que torna desafiadora a punição efetiva de corporações por crimes socioambientais, refletindo fielmente a realidade jurídica descrita.
Análise das alternativas incorretas:
A) Incorreta — A Vale tem histórico de desastres graves no Brasil, contrariando o texto.
B) Incorreta — O desastre de Brumadinho foi causado pela Vale, não pela Petrobras, e afetou o Rio Paraopeba, não o Rio Negro.
C) Incorreta — Mariana envolveu a Samarco (joint venture Vale/BHP), não a Petrobras.
E) Incorreta — Apesar das leis socioambientais, a punição não é severa e efetiva como sugerido; as tragédias mostram dificuldades práticas nessa responsabilização.
Estratégia para provas: Observe sempre os nomes corretos das empresas, locais e dados históricos. Desconfie de alternativas que usam termos absolutos como "sempre", "nunca" ou ignoram lacunas históricas ou sociais.
Resumo: A alternativa D é a correta, pois interpreta com precisão o contexto histórico de criação dos direitos humanos e os desafios contemporâneos para punir grandes empresas por impactos sociais e ambientais.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!






