Na perspectiva de desconfiados atores e comentadores da política,
os coletes amarelos compõem um tenebroso momento populista em
que lideranças carismáticas se valem de agendas demagógicas para
ludibriar o eleitorado em meio a crises econômicas e sociais de difícil
solução. [...] Avessos aos canais convencionais de mediação, os revoltosos se recusam a moderar suas demandas e seu repertório radical
de ação ao se verem fortalecidos pela dimensão do movimento e pelo
apoio da opinião pública.
(SCERB, Philippe. Quem tem medo dos coletes amarelos?.
Publicado em 24 de janeiro de 2018. Disponível em: https://diplomatique.org.br/
quem-tem-medo-dos-coletes-amarelos/. Acesso em: 09 mar. 2019, às 17:55.)
Iniciado em novembro de 2018, o movimento dos coletes amarelos repercutiu internacionalmente como um grande e duradouro protesto.
Entre as características do movimento está correto o que se afirma em:
Gabarito comentado
Tema central: A questão aborda o movimento dos coletes amarelos na França (2018), conectando-o à Economia na Atualidade e à análise das razões sociais e econômicas que motivaram esse protesto de larga escala.
Explicação didática: O movimento dos coletes amarelos surgiu em protesto ao aumento dos impostos sobre combustíveis fósseis (diesel, principalmente), medida impopular implementada sob a justificativa de transição ecológica, mas que acabou atingindo diretamente a classe média e trabalhadora, especialmente moradores de regiões rurais e pequenas cidades.
A insatisfação foi ampliada pela revogação do imposto sobre grandes fortunas (ISF), lida pela sociedade como favorecimento aos ricos e aprofundamento da desigualdade social. Os manifestantes eram diversos e heterogêneos, mas em sua maioria provinham das camadas médias, autônomos, pequenos empresários, trabalhadores do setor privado e desempregados. As reivindicações eram múltiplas, desde redução de impostos e custos de vida até questões de representatividade e justiça econômica, marcando a heterogeneidade do movimento.
Justificativa da alternativa correta (A): A alternativa A está correta porque reconhece dois fatores centrais: a elevação dos impostos sobre combustíveis fósseis e o fim da taxação sobre grandes fortunas. Esses pontos foram fortes gatilhos de insatisfação e realmente atingiram, principalmente, a classe média francesa. A menção à divergência de pautas também reflete a natureza difusa do movimento.
Análise das alternativas incorretas:
B) Incorreta: Não eram majoritariamente imigrantes africanos, nem o foco era política migratória.
C) Incorreta: Acentua erroneamente o protagonismo dos parisienses. O movimento foi mais forte fora de Paris.
D) Incorreta: O fator unificador não foi “corrupção”, mas injustiça fiscal e desigualdade.
E) Incorreta: Não havia predominância de funcionários públicos dos serviços básicos no movimento, nem a pauta principal foi “plano de carreira”.
Dicas para resolução: Leia sempre com atenção os agentes sociais descritos e as causas dos protestos. Questões de atualidades frequentemente tentam confundir “quem protesta” e “por quê” com detalhes irreais/irrelevantes. Verifique se as informações são historicamente corretas e coerentes com dados oficiais e teoria dos movimentos sociais (Sidney Tarrow, por exemplo).
Resumo: O movimento dos coletes amarelos foi uma reação econômica e social das camadas médias francesas contra o aumento de impostos nos combustíveis e políticas fiscais injustas, com demandas diversas e descentralizadas.
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