Leia atentamente o seguinte trecho do
Regimento de Feitor-mor de engenho:
“O castigo que se fizer ao escravo não há-de
ser com pau nem tirar-lhe com pedras ou tijolos e
quando o merecer o mandará botar sobre um carro
e dar-se-lhe-á com um açoite seu castigo; e, depois
de bem açoitado, o mandará picar com navalha ou
faca que corte bem e dar-se-lhe-á com sal, sumo de
limão e urina e o meterá alguns dias na corrente.
[...]”
João Fernandes Vieira. Regimento de feitor-mor de
engenho. Apud ALVES FILHO, Ivan. Brasil, 500 anos em
documentos. Rio de Janeiro: Mauad Editora, 1999.
Considerando o excerto acima e o conhecimento que
se tem a respeito da escravidão no Brasil, é correto
afirmar que
Leia atentamente o seguinte trecho do Regimento de Feitor-mor de engenho:
“O castigo que se fizer ao escravo não há-de ser com pau nem tirar-lhe com pedras ou tijolos e quando o merecer o mandará botar sobre um carro e dar-se-lhe-á com um açoite seu castigo; e, depois de bem açoitado, o mandará picar com navalha ou faca que corte bem e dar-se-lhe-á com sal, sumo de limão e urina e o meterá alguns dias na corrente. [...]”
João Fernandes Vieira. Regimento de feitor-mor de engenho. Apud ALVES FILHO, Ivan. Brasil, 500 anos em documentos. Rio de Janeiro: Mauad Editora, 1999.
Considerando o excerto acima e o conhecimento que se tem a respeito da escravidão no Brasil, é correto afirmar que
Gabarito comentado
Alternativa correta: C.
Tema central: a questão trata da escravidão no Brasil colonial e imperial: seu caráter econômico e a existência de normas e práticas (como o Regimento de feitor‑mor) que regulavam o trabalho escravo nas lavouras e engenhos. É preciso relacionar fonte primária (trecho) ao contexto histórico mais amplo.
Resumo teórico rápido e progressivo: Do século XVI ao XIX, a economia brasileira foi sustentada majoritariamente pelo trabalho escravo — primeiro na cana e no açúcar, depois na mineração e no café. Esse sistema não foi informal: existiam regimentos, ordenações e práticas administrativas que normatizavam a exploração (o próprio regimento citado é exemplo disso). No século XIX houve leis que atacaram o tráfico (Lei Eusébio de Queirós, 1850) e mudanças graduais até a abolição (Lei do Ventre Livre, 1871; Lei Áurea, 1888).
Fontes e referências úteis: regimentos de engenho e cartas régias (fontes primárias); leis: Lei Eusébio de Queirós (1850), Lei do Ventre Livre (1871), Lei Áurea (1888); historiadores: Emília Viotti da Costa, João José Reis, entre outros estudos sobre escravidão e economia colonial.
Por que a alternativa C é correta? Porque afirma que o trabalho escravo foi a base da economia e, por isso, foi normatizado — exatamente o que o trecho ilustra: regras sobre castigos e procedimentos do feitor. A escravidão organizava produção, relações sociais e instituições; para funcionar, recebeu regulamentos formais e práticas padronizadas.
Análise das alternativas incorretas:
A — Incorreta. Os castigos citados não eram exceção; maus‑tratos e punições corporais eram comuns e muitas vezes regulados, não proibidos. Havia limites legais pontuais, mas não uma regra efetiva contra violência cotidiana.
B — Incorreta. Afirmação falsa: a desvalorização do homem e o uso do trabalho escravo deixaram marcas profundas na sociedade brasileira (desigualdade, racismo estrutural, distribuição de terra e renda).
D — Incorreta. A escravidão indígena e africana não se restringia a penalizações por revolta contra a coroa; indígenas foram escravizados por guerra, captura e trabalhos, e milhões de africanos foram traficados para sustentar a economia, independentemente de punição política.
Dica de interpretação de provas: atente para expressões como “base da economia” e “normatizado” — se o texto mostra regulamento formal sobre escravos, procure alternativa que reconheça a dimensão estrutural e institucional do fenômeno. Desconfie de alternativas que relativizam impactos sociais ou apresentam exceções como regra.
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