Questão f8699a66-29
Prova:UNIFESP 2005
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
Nos versos de Garrett, predomina a função
Nos versos de Garrett, predomina a função
INSTRUÇÃO: Leia os versos de Almeida Garrett para responder às questões
Este inferno de amar
Este inferno de amar - como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói -
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há- de ela apagar?
INSTRUÇÃO: Leia os versos de Almeida Garrett para responder às questões
Este inferno de amar
Este inferno de amar - como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói -
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há- de ela apagar?
Este inferno de amar
Este inferno de amar - como eu amo!
Quem mo pôs aqui n’alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói -
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há- de ela apagar?
A
metalingüística da linguagem, com extrema valorização da subjetividade no jogo entre o espiritual e o profano.
B
apelativa da linguagem, num jogo de sentido pelo qual o poeta transmite uma forma idealizada de amor.
C
referencial da linguagem, privilegiando-se a expressão de forma racional.
D
emotiva da linguagem, marcada pela não contenção dos sentimentos, dando vazão ao subjetivismo.
E
fática da linguagem, utilizada para expressar as idéias de forma evasiva, como sugestões.
Gabarito comentado
L
Lívia MartinsMonitor com apoio de IA
Gabarito: D
Fundamento decisivo: A função emotiva predomina quando a linguagem se organiza em torno do emissor e de seu estado interior. No trecho "Este inferno de amar - como eu amo! / Quem mo pôs aqui n’alma... quem foi? / Esta chama que alenta e consome, / Que é a vida - e que a vida destrói -", as marcas de subjetividade e a exteriorização da angústia amorosa colocam no centro a vivência íntima do eu lírico, o que conduz ao gabarito D.
Tema central: função emotiva predominante
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a função metalinguística exige foco no código ou na própria linguagem, e o poema não discute a linguagem nem o ato de construir a mensagem. O centro textual é o sentimento amoroso vivido pelo eu lírico. Além disso, a referência a jogo entre "o espiritual e o profano" não é sustentada pelo trecho e configura extrapolação.
B
Errada
Está errada porque a função apelativa se volta ao destinatário e busca persuadir, convocar ou orientar, o que não ocorre aqui. As interrogações presentes no poema não funcionam como apelo ao receptor, mas como exteriorização da angústia do próprio emissor. Também não há idealização do amor: o texto enfatiza sofrimento, contradição e descontrole afetivo.
C
Errada
Está errada porque a função referencial pressupõe foco no referente, objetividade informativa e expressão racional. Nos versos, ocorre o contrário: prevalecem subjetividade intensa, carga afetiva, imagens passionais e sofrimento interior. O poema não informa fatos de modo objetivo; ele expõe uma vivência íntima.
D
Certa
A alternativa D está correta porque os versos se concentram na manifestação direta dos sentimentos do eu lírico. As marcas de subjetividade aparecem de modo explícito em formas como "eu amo" e "n’alma", reforçadas por exclamação, interrogações angustiadas e imagens emocionais como "inferno", "chama", "consome" e "destrói". O poema dramatiza o amor como sofrimento interior e contradição afetiva; por isso, a função predominante é a emotiva, centrada no emissor e na não contenção dos sentimentos.
E
Errada
Está errada porque a função fática se concentra no canal de comunicação, servindo para estabelecer, testar ou manter o contato, e isso não organiza o poema. As repetições e interpelações do texto não têm função de contato; servem para intensificar a expressão emotiva do eu lírico.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre linguagem poética e metalinguagem, e também entre interrogação retórica e função apelativa; aqui, ambos os recursos servem à exteriorização emocional do eu lírico.
Dica para questões semelhantes
- Em função da linguagem, identifique primeiro quem ocupa o centro do texto: emissor, destinatário, referente, código ou canal.
- Se houver marcas como confissão, exclamação, interrogação angustiada e forte subjetividade, verifique a predominância da função emotiva.
- Não confunda poema com metalinguagem: linguagem poética não basta para caracterizar função metalinguística.
- Interrogações nem sempre indicam apelo ao leitor; podem apenas intensificar a angústia do próprio emissor.






