O Brasil foi o país americano que mais recebeu
escravos vindos da África e a forte presença negra
fez com que houvesse uma multiplicidade de
relações sociais, culturais e de poder com os
brancos. Nesse contexto, a bipolarização
proprietário-propriedade não é capaz de explicar
os espaços de convivência e de resistência
construídos pelos negros ao longos dos mais de
trezentos anos de escravidão.
Um exemplo de situação que ocorria no Brasil
escravocrata e que contesta a visão tradicional
sobre a escravidão e o papel do negro na sociedade
brasileira é:
Um exemplo de situação que ocorria no Brasil escravocrata e que contesta a visão tradicional sobre a escravidão e o papel do negro na sociedade brasileira é:
Gabarito comentado
Alternativa correta: A
Tema central: a questão avalia a compreensão sobre a diversidade de relações sociais na sociedade escravocrata brasileira — isto é, situações que mostram que a dinâmica entre proprietário e propriedade era mais complexa do que a simples dicotomia senhor/escravo.
Resumo teórico: além do trabalho forçado nas fazendas, muitos escravos urbanos exerciam atividades remuneradas ou por conta própria (vender alimentos, fazer serviços, contratar-se para trabalhos temporários). Havia formas de negociação, economias próprias, possibilidade de poupar e, em casos, comprar alforria. Esses fatos são demonstrativos de autonomia parcial e redes sociais negras dentro do sistema escravista (ver Gilberto Freyre, Casa-Grande & Senzala; João José Reis sobre práticas de resistência e vivência cotidiana).
Justificativa da alternativa A: historicamente documenta‑se a presença de escravos urbanos que vendiam doces, eram ambulantes, barbeiros, curandeiros ou que eram contratados para cuidar de enfermos — por vezes recebendo pagamento próprio ou pagando parte ao dono (“ganhavam” ou “trabalhavam por conta”). Isso demonstra práticas econômicas e socioculturais que relativizam a visão unidimensional de escravo apenas como “propriedade”.
Por que as outras alternativas estão erradas?
B — Embora existissem normas que regulavam castigos (Ordenações do Reino, práticas locais) e ações judiciais pontuais, não houve um movimento sistemático colonial ou jurídico para criminalizar amplamente os senhores por maus‑tratos; a lei raramente foi aplicada de modo a desmontar a lógica punitiva do sistema escravista.
C — Alguns negros foram cristianizados e houve contatos com jesuítas, mas a ideia de negros organizados com jesuítas catequizando indígenas e combatendo nas Guerras Guaraníticas é imprecisa: as Guerras Guaraníticas envolveram sobretudo indígenas missioneiros contra Portugal/Espanha; participação negra organizada nesse contexto não é fonte sólida.
D — Há relatos de libertos e ex‑escravos que alcançaram certa riqueza nas Minas, mas a afirmação de uma “elite mineradora negra” ampla e influente, que coordenou abolicionismo e apoio a quilombos de modo massivo, é exagerada e anacrônica.
E — Quilombos exibiam forte solidariedade e práticas coletivas, mas não eram sociedades homogêneas regidas por igualdade absoluta; havia variações internas, hierarquias e estratégias diversas de organização.
Dica de interpretação: procure provas históricas concretas (fontes, documentos, relatos de viajantes) e desconfiem de termos absolutos como “sempre”, “regra”, “elite generalizada”.
Fontes sugeridas: Gilberto Freyre, Casa‑Grande & Senzala; João José Reis, estudos sobre escravidão e resistência; Ordenações do Reino (para regulação jurídica colonial).
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