Tomando-se por base a referência ao texto de José Murilo de Carvalho e a análise acima, assinale a
alternativa CORRETA.
Tomando-se por base a referência ao texto de José Murilo de Carvalho e a análise acima, assinale a alternativa CORRETA.
Leia atentamente o que segue abaixo:
“A maneira indireta de neutralizar a capital e as forças que nela se agitavam era fortalecer os estados, pacificando e cooptando suas oligarquias. Era reunir as oligarquias em torno de um arranjo que garantisse seu domínio local e sua participação no poder nacional de acordo com o cacife político de cada um [...]. Se os partidos não funcionavam como instrumentos de governo, se se dividiam em facções, se ficavam presos a caudilhos, a solução, para Campos Salles, era formar então um grande partido de governo com sustentação nas oligarquias estaduais [...]. O resumo é perfeito: governar o País por cima do tumulto das multidões agitadas da capital. O Rio podia ser caixa de ressonância, mas não ter força política própria porque uma população urbana mobilizada politicamente, socialmente heterogênea, indisciplinada, dividida por conflitos internos não podia dar sustentação a um governo que tivesse de representar as forças dominantes do Brasil agrário [...].”
CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 32-33.
O trecho refere-se a um dos momentos turbulentos e críticos da República brasileira: crises econômicas e financeiras, disputas políticas entre as oligarquias regionais, militares no poder com Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, a Revolta da Armada (1893), graves problemas sociais e urbanos nas cidades, como o Rio de Janeiro (Capital Federal), mas, também, as tensões no campo – basta citar a emblemática e sangrenta história de Canudos (1895-1897) – e a chegada dos civis ao poder, a contar de Prudente de Morais em 1894. Um contexto histórico, enfim, marcado por uma crise aguda de legitimidade institucional do regime republicano desde a sua implantação em 1889. Como sair da crise? O contexto e a questão não parecem soar estranhos aos nossos ouvidos, posto que a solução buscada pelo presidente Campos Salles (1898-1902) confunde-se, sem negar as especificidades de cada período histórico, com medidas autoritárias e conservadoras de nossos governantes.
Leia atentamente o que segue abaixo:
“A maneira indireta de neutralizar a capital e as forças que nela se agitavam era fortalecer os estados, pacificando e cooptando suas oligarquias. Era reunir as oligarquias em torno de um arranjo que garantisse seu domínio local e sua participação no poder nacional de acordo com o cacife político de cada um [...]. Se os partidos não funcionavam como instrumentos de governo, se se dividiam em facções, se ficavam presos a caudilhos, a solução, para Campos Salles, era formar então um grande partido de governo com sustentação nas oligarquias estaduais [...]. O resumo é perfeito: governar o País por cima do tumulto das multidões agitadas da capital. O Rio podia ser caixa de ressonância, mas não ter força política própria porque uma população urbana mobilizada politicamente, socialmente heterogênea, indisciplinada, dividida por conflitos internos não podia dar sustentação a um governo que tivesse de representar as forças dominantes do Brasil agrário [...].”
CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 32-33.
O trecho refere-se a um dos momentos turbulentos e críticos da República brasileira: crises econômicas e financeiras, disputas políticas entre as oligarquias regionais, militares no poder com Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, a Revolta da Armada (1893), graves problemas sociais e urbanos nas cidades, como o Rio de Janeiro (Capital Federal), mas, também, as tensões no campo – basta citar a emblemática e sangrenta história de Canudos (1895-1897) – e a chegada dos civis ao poder, a contar de Prudente de Morais em 1894. Um contexto histórico, enfim, marcado por uma crise aguda de legitimidade institucional do regime republicano desde a sua implantação em 1889. Como sair da crise? O contexto e a questão não parecem soar estranhos aos nossos ouvidos, posto que a solução buscada pelo presidente Campos Salles (1898-1902) confunde-se, sem negar as especificidades de cada período histórico, com medidas autoritárias e conservadoras de nossos governantes.
Gabarito comentado
Resposta correta: Alternativa C
Tema central: trata-se da política adotada por Campos Salles (1898–1902) para recuperar a autoridade do governo federal: pacificar e cooptar as oligarquias estaduais, fortalecendo os estados e evitando a influência política das massas urbanas. Esse arranjo é conhecido na historiografia como a articulação com as elites estaduais (frequentemente chamada de “Política dos Governadores”/“Política dos Estados”). Fonte principal: José Murilo de Carvalho, Os bestializados.
Resumo teórico e contexto: após crises e revoltas na década de 1890 (Revolta da Armada, Canudos, instabilidade militar), Campos Salles buscou estabilidade por via conservadora: cooptação das oligarquias estaduais, controle eleitoral (voto de cabresto/fraudes) e prioridade aos interesses agrários. Em vez de fortalecer a participação popular, a estratégia subordinou o poder central às elites regionais, garantindo um governo sustentado por pactos entre elite federal e estaduais.
Por que a alternativa C está correta? Porque afirma que, apesar de a capital ter aparato repressivo, Campos Salles precisou negociar com as oligarquias estaduais para garantir estabilidade — exatamente a tese de Carvalho: governar “por cima do tumulto” apoiando-se nas elites locais. A expressão “Política dos Estados” usada na alternativa descreve esse arranjo de cooptação oligárquica.
Análise das incorretas:
A — Incorreta. O projeto de Campos Salles favoreceu as oligarquias e as classes dominantes; não beneficiou as camadas populares ou a classe trabalhadora.
B — Incorreta. Comparações entre crises históricas exigem cuidado: embora haja analogias políticas, afirmar que são “claramente iguais” é anacrônico e simplificador.
D — Incorreta. O trecho aponta para a necessidade de cooptar as oligarquias porque elas tinham poder político regional; não é um alerta sobre fragilidade ou pouca influência delas — ao contrário, eram centrais para a sustentação do regime.
E — Incorreta. Apesar do caráter autoritário e conservador do governo (correto), é falso que Campos Salles tenha promovido projetos sociais significativos para melhorar a vida dos negros libertos; sua política priorizou os setores dominantes.
Dica de prova: destaque termos do enunciado como “cooptar”, “oligarquias”, “fortalecer os estados” — eles apontam para conciliação com elites estaduais. Desconfie de alternativas que invertam beneficiários (povo x elites) ou que façam comparações históricas absolutas.
Referências rápidas: José Murilo de Carvalho, Os bestializados; Boris Fausto, História do Brasil (cap. República Velha).
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