Questão ded35db9-b0
Prova:UFT 2013
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
A linguagem tem objetivos a alcançar: informar, exprimir
emoções, interagir, convencer, entre outros. Assinale a
alternativa CORRETA quanto à função da linguagem, utilizada
pelos autores dos textos.
A linguagem tem objetivos a alcançar: informar, exprimir
emoções, interagir, convencer, entre outros. Assinale a
alternativa CORRETA quanto à função da linguagem, utilizada
pelos autores dos textos.
Leia os excertos as seguir e responda as questão.
Escrita criativa: os segredos de escritores e professores de redação
criativa para a realização de um bom texto.
Texto 1
Eliane Brum
"Começo a escrever dentro de mim. Vou ao computador com o
texto já em mim. Resolvo os meus conflitos pela escrita"
Tanto na reportagem como na ficção começo a escrever dentro de
mim. Sou intuitiva na minha escrita. Dificilmente tenho bloqueios, porque
quando vou para o computador a história já está dentro de mim.
O processo é como uma gestação. A reportagem começa em um
movimento interno de esvaziamento - da visão de mundo, dos
preconceitos, dos julgamentos. Sei que nunca vou me esvaziar por
completo - não podemos esquecer que somos seres históricos. Volto
preenchida pela voz que é do outro, pela história do outro. [...]
Na ficção é outro processo: o de ser possuído pela própria voz,
pelas vozes do seu subterrâneo que você nem sabia que tinha. Também é
uma apuração - dos seus interiores. Ela também começa dentro de mim.
É um processo totalmente solitário. É preciso aguentar a angústia.
[…]
Texto 2 Stella Florence
"Escrever é cortar o ego do escritor. A técnica deve misturar-se à
criação sem que percebamos".
Há uma frase atribuída ao Rubem Fonseca que considero perfeita:
"Escrever é um labirinto cuja dificuldade não é encontrar a saída, mas a
entrada".
Quando se encontra a entrada do texto, tem-se tudo - e não há
como forçar esse encontro. Eu costumava organizar notas, blocos, cadernos, até perceber que
eu jamais esquecia o que realmente iria virar texto. Agora eu deixo que a
memória funcione como um filtro. [...]
Não tenho manias ou necessidades externas. Preciso apenas de
concentração (isso pode acontecer em casa, num aeroporto, num bar,
desde que não falem comigo).
[...]
Texto 3
Xico Sá
Nessa correria de hoje está todo mundo com déficit de atenção.
Uma boa abertura é fundamental para abrir a porta ao leitor. Sem um bom
começo há mais dificuldade na leitura. Penso numa frase de maior
impacto para prender o leitor.
A linguagem com termos pouco usuais funciona, chama a atenção.
No texto de internet, que é para o povo mais apressado ainda, jogo
adiante dois ou três significados do termo, até brincando com ele. Para
livros não tenho essa preocupação, pois imagino um leitor com mais
reflexão, que possa ter o entendimento por ele mesmo. São expressões
às vezes regionais, que eram usuais no português em desuso. [...]
Inspiro-me tanto em Graciliano Ramos, pela secura do texto, como
em Nelson Rodrigues, pelo contrário: por adjetivar, não ter medo do
derramamento. [...]
Há também a preocupação de fechar com boas frases. Não deixo o
leitor sem uma satisfação final.
[...]
Disponível em: http://www.controversia.com.br/index.php?act=textos&id=10533. Acesso em
agosto de 2013. (Adaptado).
Leia os excertos as seguir e responda as questão.
Escrita criativa: os segredos de escritores e professores de redação
criativa para a realização de um bom texto.
Texto 1
Eliane Brum
"Começo a escrever dentro de mim. Vou ao computador com o
texto já em mim. Resolvo os meus conflitos pela escrita"
Tanto na reportagem como na ficção começo a escrever dentro de
mim. Sou intuitiva na minha escrita. Dificilmente tenho bloqueios, porque
quando vou para o computador a história já está dentro de mim.
O processo é como uma gestação. A reportagem começa em um
movimento interno de esvaziamento - da visão de mundo, dos
preconceitos, dos julgamentos. Sei que nunca vou me esvaziar por
completo - não podemos esquecer que somos seres históricos. Volto
preenchida pela voz que é do outro, pela história do outro. [...]
Na ficção é outro processo: o de ser possuído pela própria voz,
pelas vozes do seu subterrâneo que você nem sabia que tinha. Também é
uma apuração - dos seus interiores. Ela também começa dentro de mim.
É um processo totalmente solitário. É preciso aguentar a angústia.
[…]
Texto 2
Stella Florence
"Escrever é cortar o ego do escritor. A técnica deve misturar-se à
criação sem que percebamos".
Há uma frase atribuída ao Rubem Fonseca que considero perfeita:
"Escrever é um labirinto cuja dificuldade não é encontrar a saída, mas a
entrada".
Quando se encontra a entrada do texto, tem-se tudo - e não há
como forçar esse encontro.
Eu costumava organizar notas, blocos, cadernos, até perceber que
eu jamais esquecia o que realmente iria virar texto. Agora eu deixo que a
memória funcione como um filtro. [...]
Não tenho manias ou necessidades externas. Preciso apenas de
concentração (isso pode acontecer em casa, num aeroporto, num bar,
desde que não falem comigo).
[...]
Texto 3
Xico Sá
Nessa correria de hoje está todo mundo com déficit de atenção.
Uma boa abertura é fundamental para abrir a porta ao leitor. Sem um bom
começo há mais dificuldade na leitura. Penso numa frase de maior
impacto para prender o leitor.
A linguagem com termos pouco usuais funciona, chama a atenção.
No texto de internet, que é para o povo mais apressado ainda, jogo
adiante dois ou três significados do termo, até brincando com ele. Para
livros não tenho essa preocupação, pois imagino um leitor com mais
reflexão, que possa ter o entendimento por ele mesmo. São expressões
às vezes regionais, que eram usuais no português em desuso. [...]
Inspiro-me tanto em Graciliano Ramos, pela secura do texto, como
em Nelson Rodrigues, pelo contrário: por adjetivar, não ter medo do
derramamento. [...]
Há também a preocupação de fechar com boas frases. Não deixo o
leitor sem uma satisfação final.
[...]
Disponível em: http://www.controversia.com.br/index.php?act=textos&id=10533. Acesso em
agosto de 2013. (Adaptado).
A
O primeiro autor apresenta uma linguagem centrada no
emissor e tem como objetivo explicar e persuadir o leitor
de suas impressões pessoais a respeito do ato de
escrever um bom texto.
B
O segundo autor apresenta uma linguagem centrada na
primeira pessoa. É apelativa e intenciona influenciar o
leitor nos hábitos de escrita com o objetivo de comovê-lo
para uma mudança.
C
O terceiro texto evidencia a subjetividade na forma de
interagir com o leitor, ao recorrer a conceitos gerais sobre
a composição de estratégias para atrair o leitor.
D
O primeiro e o segundo texto estão centrados na primeira
pessoa. Têm como característica o uso de recursos
expressivos para dar mais força e intensidade ao que se
diz.
E
O segundo e terceiro texto estabelecem uma relação de
contato com o leitor, procurando persuadi-lo de que
hábitos e estratégias de leitura são necessários para um
bom escritor.
Gabarito comentado
T
Tulio Pires Monitor com apoio de IA
Gabarito: D
Fundamento decisivo: Predominam, nos textos 1 e 2, marcas de primeira pessoa e de subjetividade do emissor, em depoimento sobre a própria experiência de escrita, como em “Começo a escrever dentro de mim. Vou ao computador com o texto já em mim. Resolvo os meus conflitos pela escrita”; “Sou intuitiva na minha escrita”; “Eu costumava organizar notas, blocos, cadernos”; “Agora eu deixo que a memória funcione como um filtro”; “Não tenho manias ou necessidades externas. Preciso apenas de concentração”. Esse recorte textual sustenta a alternativa D e afasta leituras de apelo direto ao leitor.
Tema central: Funções da linguagem
Análise das alternativas
A
Errada
O erro está em acrescentar ao texto 1 uma finalidade de “explicar e persuadir o leitor”. Embora o texto seja centrado no emissor, seu funcionamento é de depoimento subjetivo sobre o próprio ato de escrever. Em “Começo a escrever dentro de mim” e “Resolvo os meus conflitos pela escrita”, o foco está na experiência pessoal da autora, não em convencer o leitor.
B
Errada
O texto 2 realmente está em primeira pessoa, mas isso não o torna apelativo. Em “Eu costumava organizar notas, blocos, cadernos”, “Agora eu deixo que a memória funcione como um filtro” e “Preciso apenas de concentração”, a autora relata práticas próprias. Falta o elemento decisivo da função apelativa: chamamento direto ao leitor ou tentativa dominante de induzir seu comportamento. Também não há base para dizer que o objetivo é comovê-lo para mudança.
C
Errada
A alternativa é imprecisa na identificação da função da linguagem. O texto 3 menciona o leitor e comenta estratégias de composição, mas isso não configura, por si, uma função centrada na interação com o leitor. A referência ao leitor aparece como parte da reflexão do autor sobre escrita, não como estabelecimento predominante de contato. A alternativa mistura subjetividade, interação e conceitos gerais sem apontar corretamente a função predominante.
D
Certa
A alternativa D está correta porque identifica, nos textos 1 e 2, duas marcas que realmente predominam: a centralidade da primeira pessoa e a linguagem subjetiva/expressiva. No texto 1, a autora fala de sua interioridade e de seu processo de escrita; no texto 2, a autora relata hábitos e percepções pessoais sobre escrever. Além disso, há formulações expressivas que intensificam a experiência narrada, como “O processo é como uma gestação” e “a memória funcione como um filtro”. Isso sustenta a leitura de linguagem centrada no emissor, e não de discurso voltado a persuadir o leitor.
E
Errada
O texto 2 não estabelece predominantemente relação de contato com o leitor; ele é autorreferente. Já o texto 3 comenta procedimentos de escrita e perfil de leitor, mas não constrói apelo direto para persuadir o leitor de que hábitos e estratégias de leitura são necessários para um bom escritor. A alternativa desloca o foco para persuasão e contato, o que a base exclui.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre texto em primeira pessoa e texto persuasivo: várias alternativas reconhecem traços corretos, mas erram ao acrescentar função apelativa, comoção ou contato direto com o leitor, que não predominam nos excertos.
Dica para questões semelhantes
- Primeiro localize quem ocupa o centro do enunciado: se o texto fala de si mesmo com recorrência de “eu”, o foco tende a estar no emissor.
- Não transforme relato de experiência pessoal em persuasão sem prova textual de apelo direto, conselho dominante ou tentativa explícita de induzir o leitor.
- Se a alternativa mencionar leitor, contato ou mudança de comportamento, confira se o texto realmente interpela o leitor ou apenas fala sobre ele.
- Expressividade não depende só de figura nomeada: imagens subjetivas e formulações intensas já sustentam linguagem emotiva/expressiva.






