Questão dddf9969-24
Prova:SENAC-SP 2013
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
− O que o sr. está fazendo aqui? − perguntou dom Pedro.
Quanto às funções de linguagem, no segmento acima, predomina a função
− O que o sr. está fazendo aqui? − perguntou dom Pedro.
Quanto às funções de linguagem, no segmento acima, predomina a função
CÓDIGOS E LINGUAGENS
Atenção: Para responder a questão, considere o texto abaixo.
Em 1876, os Estados Unidos comemoraram o centenário de sua independência com um evento de encher os olhos. Realizada na Filadélfia, a “Exposição internacional de arte, manufatura e produtos do solo e das minas" ocupava uma área quase do tamanho do parque do Ibirapuera, em São Paulo.
Nesse ambiente de excitação e curiosidade, o professor escocês Alexandre Graham Bell, de 29 anos, parecia deslocado.Seus primeiros dias na feira foram de desânimo e frustração. Ele trazia de Boston, cidade em que morava, uma engenhoca chamada de “novo aparato acionado pela voz humana". A organização da feira lhe destinara uma pequena mesa escondida no fundo de um corredor. Era um espaço fora do roteiro dos juízes encarregados de avaliar e premiar as invenções. Como se inscrevera na última hora, seu nome nem sequer aparecia na programação oficial.
Tudo isso mudou devido a uma extraordinária coincidência. Em um final de tarde, uma voz fina e esganiçada chamou-lhe a atenção:
− Mr. Graham Bell?
Ao se virar, ele deparou-se com o imperador do Brasil, dom Pedro II. Os dois tinham se conhecido semanas antes, em Boston, onde Graham Bell criara uma escola para surdos-mudos.
− O que o sr. está fazendo aqui? − perguntou dom Pedro.
Graham Bell contou-lhe que acabara de patentear um mecanismo capaz de transmitir a voz humana. A cena que se seguiu é hoje parte dos grandes momentos da história da ciência. Escoltado pelo imperador do Brasil, por um batalhão de repórteres e pelos juízes, que, àquela altura, estavam por perto, Graham Bell pediu que dom Pedro II se postasse a cerca de cem metros e mantivesse junto aos ouvidos uma pequena concha metálica conectada a um fio de cobre. No extremo oposto da fiação, pronunciou as seguintes palavras, da peça Hamlet, de William Shakespeare:
− To be or not to be (ser ou não ser).
− Meu Deus, isso fala! Exclamou dom Pedro II.
Mais tarde rebatizado como telefone, o aparato seria considerado um dos marcos do século XIX, chamado de “Século das luzes" devido às inovações científicas que mudaram radicalmente a vida das pessoas. Encomendado por dom Pedro II pessoalmente a Graham Bell, o telefone chegou ao Rio de Janeiro antes mesmo de ser adotado em alguns países europeus supostamente mais desenvolvidos do que o Brasil.
(Adaptado de Laurentino Gomes. 1889. São Paulo, Editora Globo, 2013, formato ebook)
CÓDIGOS E LINGUAGENS
Atenção: Para responder a questão, considere o texto abaixo.
Em 1876, os Estados Unidos comemoraram o centenário de sua independência com um evento de encher os olhos. Realizada na Filadélfia, a “Exposição internacional de arte, manufatura e produtos do solo e das minas" ocupava uma área quase do tamanho do parque do Ibirapuera, em São Paulo.
Nesse ambiente de excitação e curiosidade, o professor escocês Alexandre Graham Bell, de 29 anos, parecia deslocado.Seus primeiros dias na feira foram de desânimo e frustração. Ele trazia de Boston, cidade em que morava, uma engenhoca chamada de “novo aparato acionado pela voz humana". A organização da feira lhe destinara uma pequena mesa escondida no fundo de um corredor. Era um espaço fora do roteiro dos juízes encarregados de avaliar e premiar as invenções. Como se inscrevera na última hora, seu nome nem sequer aparecia na programação oficial.
Tudo isso mudou devido a uma extraordinária coincidência. Em um final de tarde, uma voz fina e esganiçada chamou-lhe a atenção:
− Mr. Graham Bell?
Ao se virar, ele deparou-se com o imperador do Brasil, dom Pedro II. Os dois tinham se conhecido semanas antes, em Boston, onde Graham Bell criara uma escola para surdos-mudos.
− O que o sr. está fazendo aqui? − perguntou dom Pedro.
Graham Bell contou-lhe que acabara de patentear um mecanismo capaz de transmitir a voz humana. A cena que se seguiu é hoje parte dos grandes momentos da história da ciência. Escoltado pelo imperador do Brasil, por um batalhão de repórteres e pelos juízes, que, àquela altura, estavam por perto, Graham Bell pediu que dom Pedro II se postasse a cerca de cem metros e mantivesse junto aos ouvidos uma pequena concha metálica conectada a um fio de cobre. No extremo oposto da fiação, pronunciou as seguintes palavras, da peça Hamlet, de William Shakespeare:
− To be or not to be (ser ou não ser).
− Meu Deus, isso fala! Exclamou dom Pedro II.
Mais tarde rebatizado como telefone, o aparato seria considerado um dos marcos do século XIX, chamado de “Século das luzes" devido às inovações científicas que mudaram radicalmente a vida das pessoas. Encomendado por dom Pedro II pessoalmente a Graham Bell, o telefone chegou ao Rio de Janeiro antes mesmo de ser adotado em alguns países europeus supostamente mais desenvolvidos do que o Brasil.
(Adaptado de Laurentino Gomes. 1889. São Paulo, Editora Globo, 2013, formato ebook)
A
fática, já que a intenção do emissor é a de estabelecer um canal de comunicação.
B
conativa, pois nele o emissor procura persuadir o receptor da mensagem.
C
poética, o que se percebe pelo modo como a mensagem está organizada.
D
referencial, já que a mensagem está centrada na informação a ser transmitida.
E
metalinguística, pois a própria linguagem é o objeto de análise do trecho em destaque.
Gabarito comentado
K
Kayque Azevedo Monitor com apoio de IA
Gabarito: A
Fundamento decisivo: No trecho "− O que o sr. está fazendo aqui? − perguntou dom Pedro.", o critério decisivo é pragmático: a fala funciona, no contexto do diálogo, como interpelação inicial dirigida ao interlocutor, isto é, como abertura de contato comunicativo. Por isso, no recorte pedido, predomina a função fática, o que sustenta o gabarito A.
Tema central: Funções da linguagem
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A se sustenta porque a questão pede a função predominante no segmento destacado, não no texto inteiro. Nesse recorte, a fala de dom Pedro II funciona como abordagem direta a Graham Bell, instaurando o contato verbal entre os interlocutores. Esse valor de contato é o traço que a base vincula à função fática. O apoio contextual em "− Mr. Graham Bell?" reforça que a cena é de chamamento e início de interação.
B
Errada
A alternativa erra pelo critério que ela mesma adota: define a função conativa como persuasão, e isso não ocorre no trecho. Em "− O que o sr. está fazendo aqui? − perguntou dom Pedro.", não há tentativa de convencer, induzir comportamento, dar ordem ou aconselhar; há uma pergunta de abordagem. A confusão possível é tomar toda fala dirigida ao interlocutor como conativa, mas, nas opções dadas, falta o elemento persuasivo indicado na própria alternativa.
C
Errada
Não predomina função poética porque o segmento não se organiza com foco estético da forma verbal. Trata-se de uma pergunta simples em diálogo narrativo, sem exploração expressiva da mensagem como fim em si. O fato de o texto ser literário não transforma automaticamente qualquer trecho em exemplo de função poética.
D
Errada
A alternativa é incompatível com o uso discursivo do trecho. A função referencial exigiria foco predominante na informação objetiva a ser transmitida, mas, no segmento destacado, o centro está no ato interacional entre personagens. A fala não expõe um dado ao leitor de modo impessoal; ela interpela diretamente o interlocutor em situação concreta.
E
Errada
A função metalinguística não se aplica porque a linguagem não está voltada para si mesma. No trecho, dom Pedro II não explica palavras, códigos, sentidos ou o próprio funcionamento da linguagem; apenas dirige uma pergunta a Graham Bell. Falta, portanto, o traço decisivo de linguagem usada como objeto de análise.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre fala dirigida ao interlocutor e função conativa. Aqui, porém, a alternativa B restringe conativa à persuasão, ausente no trecho; por isso o gabarito oficial privilegia a leitura de contato interpessoal, isto é, a função fática.
Dica para questões semelhantes
- Leia exatamente o recorte pedido: a função deve ser identificada no segmento destacado, não no texto inteiro.
- Em diálogos, observe primeiro o valor pragmático da fala: ela abre contato, informa, persuade ou fala da própria linguagem?
- Não marque conativa só porque há interlocutor; verifique se a alternativa exige persuasão, ordem ou indução, e se isso realmente aparece no trecho.






