Em tempos de forte turbulência republicana, o ano de 1922 converteu-se em marco simbólico de grandes rupturas e da vontade de mudança. Eventos como a Semana de Arte Moderna, o levante tenentista, a criação do Partido Comunista e ainda a conturbada eleição presidencial sepultaram simbolicamente a Velha República e inauguraram uma nova época. (Aspásia Camargo, “Federalismo e Identidade Nacional”, Brasil, um século de transformações. 2001.)
Pode-se afirmar que a situação descrita decorre, sobretudo,
Pode-se afirmar que a situação descrita decorre, sobretudo,
Gabarito comentado
Resposta: Alternativa A
Tema central: trata-se da crise da chamada Velha República (1889–1930) e dos fatores sociais e políticos que tornaram 1922 um ano simbólico de ruptura. Para resolver a questão é preciso relacionar eventos políticos, culturais e sociais a mudanças estruturais — sobretudo o crescimento urbano e a emergência de novas classes médias.
Resumo teórico: entre o final do século XIX e início do XX o Brasil passou por acelerada urbanização e modernização econômica nas principais cidades (São Paulo e Rio). Surgiram profissionais liberais, funcionários públicos, pequenos comerciantes e intelectuais — a chamada classe média urbana — que exigiam maior participação política e reformas. Esses grupos alimentaram movimentos culturais (Semana de 1922), pressões militares (tenentismo) e disputas partidárias, contribuindo para o desgaste do sistema oligárquico do café-com-leite. (Ver: Boris Fausto, História do Brasil; José Murilo de Carvalho.)
Por que A é correta: a alternativa aponta o forte crescimento urbano e das classes médias como causa principal. Esses setores foram o terreno social que articulou demandas por mudança — culturalmente (modernismo), politicamente (pressão por clientela e reformas) e ideologicamente (novas opiniões). A confluência entre profissionais urbanos, oficiais jovens e intelectuais impulsionou os eventos simbólicos de 1922.
Análise das alternativas incorretas:
B — descontentamento generalizado dos oficiais do Exército: o tenentismo foi importante, mas representou uma parcela específica (oficiais de baixa patente). Não explica sozinho a ampla crise social e cultural de 1922; é parte do conjunto, não a causa principal.
C — postura progressista das elites carioca e paulista: as elites dominantes eram majoritariamente conservadoras e oligárquicas; não houve adesão massiva delas a um projeto “progressista” que explicasse 1922.
D — crescimento vertiginoso da industrialização e da classe operária: a indústria crescia, mas a classe operária ainda era relativamente reduzida e sua mobilização generalizada só ganha força mais tarde. Logo, não foi o fator predominante em 1922.
E — influência das vanguardas artísticas: as vanguardas (Semana de Arte Moderna) foram simbólicas e importantes culturalmente, mas representam efeito e expressão das mudanças sociais; não são a causa social dominante por si só.
Dica de prova: busque no enunciado palavras como “sobretudo” — elas pedem o fator mais abrangente. Diferencie causas estruturais (crescimento urbano/classes médias) de causas específicas ou simbólicas (tenentismo, modernismo).
Fontes sugeridas: Boris Fausto, História do Brasil; José Murilo de Carvalho, textos sobre a República Velha.
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