Questão cf072a9b-66
Prova:UNIFESP 2006
Disciplina:História
Assunto:História Geral

Em tempos de forte turbulência republicana, o ano de 1922 converteu-se em marco simbólico de grandes rupturas e da vontade de mudança. Eventos como a Semana de Arte Moderna, o levante tenentista, a criação do Partido Comunista e ainda a conturbada eleição presidencial sepultaram simbolicamente a Velha República e inauguraram uma nova época. (Aspásia Camargo, “Federalismo e Identidade Nacional”, Brasil, um século de transformações. 2001.)

Pode-se afirmar que a situação descrita decorre, sobretudo,

A
do forte crescimento urbano e das classes médias.
B
do descontentamento generalizado dos oficiais do Exército
C
da postura progressista das elites carioca e paulista.
D
do crescimento vertiginoso da industrialização e da classe operária.
E
da influência das vanguardas artísticas européias e norte-americanas.

Gabarito comentado

G
Gabrielle FrancoMonitor do Qconcursos

Resposta: Alternativa A

Tema central: trata-se da crise da chamada Velha República (1889–1930) e dos fatores sociais e políticos que tornaram 1922 um ano simbólico de ruptura. Para resolver a questão é preciso relacionar eventos políticos, culturais e sociais a mudanças estruturais — sobretudo o crescimento urbano e a emergência de novas classes médias.

Resumo teórico: entre o final do século XIX e início do XX o Brasil passou por acelerada urbanização e modernização econômica nas principais cidades (São Paulo e Rio). Surgiram profissionais liberais, funcionários públicos, pequenos comerciantes e intelectuais — a chamada classe média urbana — que exigiam maior participação política e reformas. Esses grupos alimentaram movimentos culturais (Semana de 1922), pressões militares (tenentismo) e disputas partidárias, contribuindo para o desgaste do sistema oligárquico do café-com-leite. (Ver: Boris Fausto, História do Brasil; José Murilo de Carvalho.)

Por que A é correta: a alternativa aponta o forte crescimento urbano e das classes médias como causa principal. Esses setores foram o terreno social que articulou demandas por mudança — culturalmente (modernismo), politicamente (pressão por clientela e reformas) e ideologicamente (novas opiniões). A confluência entre profissionais urbanos, oficiais jovens e intelectuais impulsionou os eventos simbólicos de 1922.

Análise das alternativas incorretas:

Bdescontentamento generalizado dos oficiais do Exército: o tenentismo foi importante, mas representou uma parcela específica (oficiais de baixa patente). Não explica sozinho a ampla crise social e cultural de 1922; é parte do conjunto, não a causa principal.

Cpostura progressista das elites carioca e paulista: as elites dominantes eram majoritariamente conservadoras e oligárquicas; não houve adesão massiva delas a um projeto “progressista” que explicasse 1922.

Dcrescimento vertiginoso da industrialização e da classe operária: a indústria crescia, mas a classe operária ainda era relativamente reduzida e sua mobilização generalizada só ganha força mais tarde. Logo, não foi o fator predominante em 1922.

Einfluência das vanguardas artísticas: as vanguardas (Semana de Arte Moderna) foram simbólicas e importantes culturalmente, mas representam efeito e expressão das mudanças sociais; não são a causa social dominante por si só.

Dica de prova: busque no enunciado palavras como “sobretudo” — elas pedem o fator mais abrangente. Diferencie causas estruturais (crescimento urbano/classes médias) de causas específicas ou simbólicas (tenentismo, modernismo).

Fontes sugeridas: Boris Fausto, História do Brasil; José Murilo de Carvalho, textos sobre a República Velha.

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