“Nossa constituição política não segue as leis de outras cidades, antes lhes serve de exemplo. Nosso governo se chama Democracia, porque a administração serve aos interesses da maioria e não de uma minoria. De acordo com nossas leis somos todos iguais no que se refere aos negócios privados. Quanto à participação na vida pública, porém, cada qual obtém a consideração de acordo com seus méritos e mais importante é o valor pessoal que a classe a que se pertence; isto quer dizer que ninguém sente o obstáculo de sua pobreza ou da condição social inferior quando seu valor o capacite a prestar serviços à cidade [...] Por estas razões e muitas mais ainda, nossa cidade é digna de admiração” (Trechos do discurso de Péricles). Citado por Moreira, A. et alii; Legado Político do Ocidente (O Homem e o Estado, Difel, p. 28-9).
De acordo com o texto e seu conhecimento, na Grécia Antiga, a ideia de Democracia na época de Péricles significava que
De acordo com o texto e seu conhecimento, na Grécia Antiga, a ideia de Democracia na época de Péricles significava que
Gabarito comentado
Alternativa correta: A
Tema central: a natureza da democracia ateniense no período de Péricles — ou seja, como funcionava a participação política e quem estava autorizado a participar. Esse conhecimento é frequente em provas de História Geral e exige distinguir entre o princípio de participação direta e os limites sociais desse regime.
Resumo teórico: A democracia ateniense do século V a.C. foi uma democracia direta: decisões públicas eram tomadas na Eclésia (assembleia dos cidadãos), havia o Boulé (Conselho dos 500) e tribunais populares (Heliaia). Muitos cargos eram preenchidos por sorteio; cargos militares e alguns magistrados eram eleitos. Porém o direito político era restrito: apenas homens nascidos livres e com cidadania ateniense participavam. Fontes clássicas: Thucydides (Oração de Péricles) e a obra de Aristóteles, A Constituição de Atenas.
Por que A está certa: O texto de Péricles exalta que o governo serve à maioria e descreve o acesso dos cidadãos à vida pública — isto remete exatamente à prática da Eclésia, onde cidadãos (homens maiores) participavam diretamente das decisões. Portanto, a ideia apresentada no enunciado corresponde ao fato de que, entre os cidadãos, havia participação ativa e acesso à assembleia.
Análise das alternativas incorretas:
B — Incorreta: mulheres, escravos e estrangeiros residentes (metics) eram excluídos dos direitos políticos. A cidadania plena era restrita a homens atenienses natos.
C — Incorreta: a democracia ateniense era direta, não representativa; não havia um parlamento de representantes eleitos que governasse em lugar da população. Havia representação parcial (alguns cargos eleitos), mas o centro era a participação direta na Eclésia.
D — Incorreta: Atenas teve períodos oligárquicos (ex.: os Quatrocentos, Trinta Tiranos), mas no tempo de Péricles funcionava uma democracia reconhecível e duradoura no V a.C.
E — Incorreta: a escravidão em Atenas não conferia direitos políticos; escravos não votavam nem participavam das instituições. A ideia de escravidão “temporária” não se aplica ao sistema ateniense.
Dica de prova: ao ler alternativas, identifique termos absolutos e verifique o alcance do vocábulo “cidadão” no contexto histórico. Conheça instituições-chave (Eclésia, Boulé, Heliaia) e a exclusão social (mulheres, escravos, metecos) — isso resolve muitas pegadinhas.
Fontes sugeridas: Thucydides, Funeral Oration; Aristóteles, Constituição de Atenas; Paul Cartledge, Ancient Greece.
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