Eu mesmo vivi isso nas trincheiras, lá onde as pessoas se lançavam nas piores cortinas de fogo para salvar o seu “totó”,
ou dividiam suas rações guardadas, quase de forma fraternal, com um vira-lata qualquer. Vê-se também que a guerra
não revela no homem apenas os sentimentos mais severos, mas também os mais suaves, ternos. A batalha, em
muitos sentidos, esculpe um homem melhor. O homem simples batalha com um bloco bruto e sai dele como um
perfeito amigo dos animais com desejo implacável de fazer o que for preciso. E é aí que esse homem simples, esses
milhares de soldados e amigos de gatos, não dizem: “Vamos com mais calma, no pior dos casos os cidadãos morrerão
de fome um pouco mais devagar.” Mas, em vez disso, dizem: “Avante com a bomba! Com essa ordem, chegaram à
conclusão correta!” Assim se reconhecem os colaboradores certos. (VERMES. 2014. p. 156).
As obras de ficção, muitas vezes, se inspiram nos acontecimentos históricos, para recriá-los em sua narrativa.
Dessa forma, o trecho do romance de Timur Vermes caracteriza o pensamento
Gabarito comentado
Alternativa correta: E
Tema central: trata-se da relação entre ideologia política e militarização da sociedade. A referência a “conquista do ‘espaço vital’” (Lebensraum) e à transformação da vida social para fins bélicos aponta diretamente para o projeto nazista de expansionismo e preparação militar da Alemanha entre 1933–1945.
Resumo teórico: o nazismo (Nationalsozialismus) promoveu a militarização da sociedade: rearmamento, culto ao soldado, controle de instituições, e uma política externa agressiva inspirada no conceito de Lebensraum, defendido por Hitler em Mein Kampf e implementado por sua política expansionista. Fontes úteis: Richard J. Evans, The Third Reich; Ian Kershaw, Hitler; William L. Shirer, The Rise and Fall of the Third Reich.
Justificativa da alternativa E: o trecho citado enfatiza a transformação do indivíduo pela guerra, o entusiasmo coletivo pela ação militar e a ideia de que a sociedade deve ser organizada para a conquista territorial. Esses elementos correspondem ao projeto nazista de militarização institucional e ideológica da Alemanha, que visava a conquista de espaço vital a leste e a subordinação da sociedade aos fins do regime.
Análise das alternativas incorretas:
A — Sacerdotes do Egito Antigo: embora a divinização do faraó e o papel religioso fossem centrais, o texto trata de militarização ideológica moderna e não de teocracia faraônica; sem referência a sacralização do rei nem às práticas egípcias antigas.
B — Ideais da nobreza feudal: a nobreza medieval valorizava a guerra, mas o enunciado fala de uma mobilização total e de um programa político contemporâneo de conquista territorial em massa, fenômeno distinto do sistema feudal.
C — Guerreiros muçulmanos do século VIII: a expansão islâmica teve motivações e consequências muito diferentes (religiosas, econômicas e sociais) e não articulou o tipo de militarização ideológica e racial própria do nazismo.
D — Guerras napoleônicas: Napoleão promoveu guerras que influenciaram a Europa e o capitalismo, mas não correspondem à retórica de “espaço vital” nazista nem à ideologia racial-militar totalitária descrita no texto.
Dica para provas: identifique palavras‑chave ideológicas (ex.: “espaço vital”, militarização da sociedade, mobilização total). Relacione-as a regimes e períodos históricos específicos antes de ler todas as alternativas — isso economiza tempo e evita confusões com termos similares.
Fontes rápidas: Mein Kampf (Hitler) — conceito de Lebensraum; Ian Kershaw — biografia e contexto; Richard J. Evans — análise da militarização e da sociedade nazista.
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