Questão 98659df0-d7
Prova:FAMERP 2017
Disciplina:História
Assunto:Mercantilismo, Colonialismo e a ocupação portuguesa no Brasil, História do Brasil

A Bahia é cidade d’El-Rei, e a corte do Brasil; nela residem os Srs. Bispo, Governador, Ouvidor-Geral, com outros oficiais e justiça de Sua Majestade; [...]. É terra farta de mantimentos, carnes de vaca, porco, galinha, ovelhas, e outras criações; tem 36 engenhos, neles se faz o melhor açúcar de toda a costa; [...] terá a cidade com seu termo passante de três mil vizinhos Portugueses, oito mil Índios cristãos, e três ou quatro mil escravos da Guiné.

(Fernão Cardim. Tratados da terra e gente do Brasil, 1997.)

O padre Fernão Cardim foi testemunha da colonização portuguesa do Brasil de 1583 a 1601. O excerto faz uma descrição de Salvador, sede do Governo-Geral, referindo-se, entre outros aspectos, à

A
incorporação pelos colonizadores dos padrões culturais indígenas.
B
ligação da atividade produtiva local com o comércio internacional.
C
miscigenação crescente dos grupos étnicos presentes na cidade.
D
existência luxuosa da nobreza portuguesa na capital da colônia.
E
dependência da população em relação à importação de produtos de sobrevivência.

Gabarito comentado

A
Anderson MaiaMonitor do Qconcursos

Gabarito: Alternativa B

1. Tema central: O enunciado aborda a economia colonial brasileira — especialmente a produção açucareira em Salvador — e a sua integração ao comércio internacional. É importante reconhecer vocabulário-chave (engenhos, açúcar, número de escravos) que indica atividade exportadora.

2. Resumo teórico (claro e progressivo): No período colonial, cidades-sede como Salvador funcionavam como centros administrativos e portuários. A economia açucareira, com engenhos produtores de açúcar e consumo de mão de obra escrava africana, orientava a produção para mercados externos. O porto conectava produção local ao comércio atlântico (metrópole europeia e mercados internacionais).

3. Fontes: Fernão Cardim (Tratados da terra e gente do Brasil) é a fonte primária citada. Para contextualização, ver obras de historiografia sobre economia açucareira e comércio colonial (ex.: estudos de Stuart B. Schwartz; Capistrano de Abreu).

4. Justificativa da alternativa correta (B): O texto destaca “36 engenhos” e “se faz o melhor açúcar de toda a costa” — expressões que revelam produção voltada para venda e exportação. A menção às categorias sociais (portugueses, índios cristãos, escravos da Guiné) e à abundância de mantimentos indica uma estrutura produtiva integrada ao circuito comercial atlântico. Logo, a alternativa B (ligação da atividade produtiva local com o comércio internacional) corresponde diretamente ao sentido do trecho.

5. Análise das alternativas incorretas:

A – incorporação de padrões indígenas: O texto não descreve assimilação cultural ou adoção de costumes indígenas; fala de autoridades portuguesas e produção econômica, não de sincretismo cultural.

C – miscigenação crescente: Embora apresente composição étnica (portugueses, índios, escravos), o enunciado descreve população quantitativamente, não fenômeno de miscigenação. A simples convivência não implica miscigenação social/cultural.

D – existência luxuosa da nobreza: Aponta autoridades e ofícios, mas não descreve ostentação ou estilo de vida da nobreza. A ênfase é produtiva e demográfica, não em luxo aristocrático.

E – dependência de importação de produtos de sobrevivência: Contraposto ao texto: ele diz ser “terra farta de mantimentos”, indicando autossuficiência alimentar local, não dependência de importações básicas.

6. Estratégia de interpretação (dicas práticas): Procure palavras-chave ligadas a economia (engenho, açúcar, porto, escravos) e ao papel da cidade (sede do Governo-Geral). Elimine alternativas que extrapolam o texto (suposições sobre hábitos culturais ou luxo) ou que contradizem informações explícitas (terra farta → elimina dependência).

Conclusão: O trecho descreve uma estrutura produtiva voltada ao açúcar e integrada às rotas comerciais atlânticas — por isso a alternativa B é a correta.

Fontes citadas: Fernão Cardim, Tratados da terra e gente do Brasil; estudos clássicos sobre a economia açucareira colonial.

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