Analise as afirmativas abaixo que apresentam acontecimentos referidos à política da Corte portuguesa durante sua
permanência no Brasil entre 1808 e 1821.
I – Como expressão da relação de poder assimétrica entre os soberanos britânico e português, os tratados de 1810
impunham ao governo de D. João no Rio de Janeiro, entre outras decisões, a limitação do tráfico negreiro intercontinental
às colônias de Portugal na África e o compromisso de abolir gradualmente o trabalho escravo na América
portuguesa.
II – A criação do primeiro Banco do Brasil, da Impressão Régia, da Escola de Medicina, das Academias Militar e de
Marinha, do Real Horto, da Real Biblioteca e inúmeras outras medidas, assim como a conquista da Guiana Francesa
e a ocupação da Banda Oriental, revelavam o projeto político da Corte joanina de “criar um novo império" na América,
tendo como sede a cidade do Rio de Janeiro.
III – Ao revogar o alvará de 1785 que proibia qualquer atividade manufatureira na colônia americana, com exceção da
fabricação de panos grossos para a vestimenta dos escravos, o Príncipe- Regente D. João propiciou o surgimento
de inúmeros estabelecimentos fabris em diferentes pontos do Reino do Brasil, deflagrando o primeiro grande surto
industrial do país, apesar da permanência do trabalho escravo.
IV – A Revolução Pernambucana de 1817 teve como uma de suas motivações a reação aos privilégios concedidos por
D. João aos comerciantes, burocratas e proprietários de escravos e terras do Rio de Janeiro e áreas próximas, o que
lhes possibilitara prosperar, acumular poder e ganhar prestígio. Para os revolucionários de 1817, o Rio de Janeiro
se transformara em uma “nova Lisboa", dominada por “portugueses" que oprimiam os “brasileiros" de outras partes
do Reino do Brasil.
Assinale:
I – Como expressão da relação de poder assimétrica entre os soberanos britânico e português, os tratados de 1810 impunham ao governo de D. João no Rio de Janeiro, entre outras decisões, a limitação do tráfico negreiro intercontinental às colônias de Portugal na África e o compromisso de abolir gradualmente o trabalho escravo na América portuguesa.
II – A criação do primeiro Banco do Brasil, da Impressão Régia, da Escola de Medicina, das Academias Militar e de Marinha, do Real Horto, da Real Biblioteca e inúmeras outras medidas, assim como a conquista da Guiana Francesa e a ocupação da Banda Oriental, revelavam o projeto político da Corte joanina de “criar um novo império" na América, tendo como sede a cidade do Rio de Janeiro.
III – Ao revogar o alvará de 1785 que proibia qualquer atividade manufatureira na colônia americana, com exceção da fabricação de panos grossos para a vestimenta dos escravos, o Príncipe- Regente D. João propiciou o surgimento de inúmeros estabelecimentos fabris em diferentes pontos do Reino do Brasil, deflagrando o primeiro grande surto industrial do país, apesar da permanência do trabalho escravo.
IV – A Revolução Pernambucana de 1817 teve como uma de suas motivações a reação aos privilégios concedidos por D. João aos comerciantes, burocratas e proprietários de escravos e terras do Rio de Janeiro e áreas próximas, o que lhes possibilitara prosperar, acumular poder e ganhar prestígio. Para os revolucionários de 1817, o Rio de Janeiro se transformara em uma “nova Lisboa", dominada por “portugueses" que oprimiam os “brasileiros" de outras partes do Reino do Brasil.
Assinale:
Gabarito comentado
Alternativa correta: E
Tema central: política da Corte portuguesa no Rio de Janeiro (1808–1821): relações com a Inglaterra, reformas administrativas e culturais, o problema do tráfico negreiro, as tentativas de expansão territorial e as tensões regionais (como a Revolução Pernambucana de 1817).
Resumo teórico compacto: A vinda da Corte (1808) transformou o Brasil: a abertura dos ports e tratados com a Grã‑Bretanha (1810) criaram dependência comercial; D. João instituiu órgãos (Banco do Brasil, Impressão Régia, escolas, Biblioteca) e autorizações militares que visavam transformar o Rio numa capital imperial. A Grã‑Bretanha, por sua política antitráfico, negociou limites ao comércio negreiro; porém a abolição efetiva só viria depois. A industrialização permanecia incipiente, limitada por falta de capital e pelo sistema escravista. Revoltas regionais (1817) combinaram queixas fiscais, econômicas e política de favorecimento ao eixo Rio‑Lisboa.
Fontes recomendadas: Boris Fausto, História do Brasil; Leslie Bethell (ed.), The Cambridge History of Latin America; documentos: Tratado Anglo‑Português de Comércio e Navegação (1810); estudos sobre a ocupação da Banda Oriental (1816–1820).
Justificativa da resposta (por afirmativa):
I — Correta. Os tratados de 1810 entre Portugal e a Inglaterra ampliaram privilégios comerciais britânicos e incluíram imposições sobre o comércio de escravos, sinalizando compromisso — sob pressão britânica — de limitar o tráfico intercontinental e de caminhar para medidas que implicavam restrições ao tráfico visando a futura abolição.
II — Correta. As criações institucionais (Banco do Brasil, Impressão Régia, Escola de Medicina, Academias, Real Biblioteca etc.) e ações militares (ocupação da Banda Oriental; intervenções na Guiana) expressam a intenção joanina de fortalecer uma sede imperial no Rio de Janeiro.
III — Incorreta. Embora D. João tenha flexibilizado restrições mercantilistas, o alvará de 1785 não gerou um surto industrial no Brasil. A indústria manufatureira permaneceu modesta: faltavam capital, mercado interno estruturado e infraestrutura, e o trabalho escravo limitava incentivos à grande industrialização.
IV — Correta. A Revolução Pernambucana (1817) teve forte componente contra privilégios do centro (Rio/Lisboa) e reação ao favorecimento de comerciantes e burocratas ligados à Corte, com discurso de opressão dos “brasileiros” por “portugueses”.
Análise das alternativas do item: A (só I) errada — II e IV também corretas. B (II e III) errada — III é falsa. C (I e IV) errada — falta II. D (II, III e IV) errada — inclui a falsa III. E correta — reúne I, II e IV.
Estratégia de prova: identifique fatos verificáveis (tratados, criação de instituições, ocupações militares) e compare com a assertiva sobre industrialização; as datas e a presença da Grã‑Bretanha como ator externo são pistas-chave.
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