“É de lá [dos estados] que se governa a República, por
cima das multidões que tumultuam, agitadas, nas ruas
da capital da União. A política dos estados [...] é a política
nacional.”
(Manoel Ferraz Campos Sales. Da propaganda à presidência, 1908).
A partir do diagnóstico acima, o presidente Campos Sales
(1898-1902) criou a “Política dos Governadores”, esquema
político que deu ao país uma estabilidade de configuração
oligárquica.
Assinale a opção que resume o funcionamento daquela
política.
“É de lá [dos estados] que se governa a República, por cima das multidões que tumultuam, agitadas, nas ruas da capital da União. A política dos estados [...] é a política nacional.”
(Manoel Ferraz Campos Sales. Da propaganda à presidência, 1908).
A partir do diagnóstico acima, o presidente Campos Sales (1898-1902) criou a “Política dos Governadores”, esquema político que deu ao país uma estabilidade de configuração oligárquica.
Assinale a opção que resume o funcionamento daquela
política.
Gabarito comentado
Resposta correta: Alternativa D
Tema central: A questão trata da “Política dos Governadores” (final do século XIX/primeira República) — um arranjo oligárquico que vinculou os governos federal e estaduais às elites locais (os “coronéis”) para controlar eleições e garantir estabilidade política.
Resumo teórico e contexto: Após a Constituição de 1891 formou‑se um pacto informal entre presidente e oligarquias estaduais: o governo federal não confrontava os caciques regionais; em troca, os governadores asseguravam apoio político aos candidatos presidenciais e às políticas nacionais. Esse mecanismo, aliado ao coronelismo (clientelismo e controle do voto nas zonas rurais), consolidou uma rede de trocas de favores que garantia hegemonia das elites. Obras clássicas: Victor Nunes Leal (estudos sobre coronelismo), Boris Fausto (História do Brasil) e a própria Constituição de 1891 como marco institucional da República oligárquica.
Por que a alternativa D está correta: D descreve precisamente o funcionamento do sistema: executivos estaduais aliados ao Executivo federal mobilizavam as estruturas locais — os coronéis — para garantir votos e favores, criando uma cadeia nacional de clientelismo que sustentou a estabilidade oligárquica. A descrição captura o pacto federal‑estadual e a dependência do poder central dos líderes locais.
Análise das alternativas incorretas:
A — Incorreta. A Constituição de 1891 não instituiu um parlamento formado “somente por membros das elites e dos sindicatos oficiais” — a alternativa mistura fatos e termos anacrônicos (sindicatos oficiais não definiram composição do Congresso) e exagera a exclusão formal.
B — Parcialmente verossímil, porém incorreta como resumo da Política dos Governadores. A dependência das populações em relação a chefes locais existia, mas o foco real da política era o pacto institucional entre presidentes e governadores para controlar eleições via coronéis — não apenas a falta de serviços públicos.
C — Incorreta. Ao contrário, a força política local e estadual era a base do poder nacional; não houve superposição absoluta do Executivo federal que alijasse estados e municípios da política nacional — estes eram protagonistas do arranjo oligárquico.
E — Incorreta. A ausência de legislação trabalhista contribuiu para a fragilidade política dos trabalhadores urbanos, mas é reducionista afirmar que isso, por si só, entregou o comando do Estado aos grandes empresários; a explicação do arranjo oligárquico exige atenção à aliança entre estados e coronéis, não apenas a questão trabalhista.
Dica de prova: Procure nas alternativas termos-chave: “governadores + coronéis + cadeia de favores” ou “pacto federal‑estadual” — são indícios fortes da Política dos Governadores. Cuidado com alternativas que trazem causas parciais ou anacronismos.
Fontes sugeridas: Constituição de 1891 (texto legal), Victor Nunes Leal (coronelismo) e Boris Fausto (História do Brasil).
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