Questão 91c2d381-af
Prova:UNESP 2013
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Coesão e coerência, Pontuação, Redação - Reescritura de texto, Uso da Vírgula, Morfologia - Pronomes
[...] à frente dele voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho.
Eliminando-se o aposto, a frase em destaque apresentará, de
acordo com a norma-padrão, a seguinte forma:
[...] à frente dele voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho.
Eliminando-se o aposto, a frase em destaque apresentará, de
acordo com a norma-padrão, a seguinte forma:
Instrução: A questão toma por base uma
passagem de um livro de José Ribeiro sobre o folclore nacional.
Curupira
Na teogonia* tupi, o anhangá, gênio andante, espírito andejo ou vagabundo, destinava-se a proteger a caça do campo. Era
imaginado, segundo a tradição colhida pelo Dr. Couto de Magalhães, sob a figura de um veado branco, com olhos de fogo. Todo aquele que perseguisse um animal que estivesse amamentando corria o risco de ver Anhangá e a visão determinava
logo a febre e, às vezes, a loucura. O caapora é o mesmo tipo
mítico encontrado nas regiões central e meridional e aí representado por um homem enorme coberto de pelos negros por todo
o rosto e por todo o corpo, ao qual se confiou a proteção da caça
do mato. Tristonho e taciturno, anda sempre montado em um
porco de grandes dimensões, dando de quando em vez um grito
para impelir a vara. Quem o encontra adquire logo a certeza
de ficar infeliz e de ser mal sucedido em tudo que intentar. Dele
se originaram as expressões portuguesas caipora e caiporismo,
como sinônimo de má sorte, infelicidade, desdita nos negócios.
Bilac assim o descreve: “Companheiro do curupira, ou sua duplicata, é o Caapora, ora gigante, ora anão, montado num caititu, e cavalgando à frente de varas de porcos do mato, fumando
cachimbo ou cigarro, pedindo fogo aos viajores; à frente dele
voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho”. Ambos representam um só mito com diferente configuração e a mesma identidade com o curupira e o jurupari, numes
que guardam a floresta. Todos convergem mais ou menos para
o mesmo fim, sendo que o curupira é representado na região
setentrional por um “pequeno tapuio” com os pés voltados para
trás e sem os orifícios necessários para as secreções indispensáveis à vida, pelo que a gente do Pará diz que ele é músico. O
Curupira ou Currupira, como é chamado no sul, aliás erroneamente, figura em uma infinidade de lendas tanto no norte como
no sul do Brasil. No Pará, quando se viaja pelos rios e se ouve
alguma pancada longínqua no meio dos bosques, “os romeiros
dizem que é o Curupira que está batendo nas sapupemas, a ver
se as árvores estão suficientemente fortes para sofrerem a ação
de alguma tempestade que está próxima. A função do Curupira é
proteger as florestas. Todo aquele que derriba, ou por qualquer
modo estraga inutilmente as árvores, é punido por ele com a
pena de errar tempos imensos pelos bosques, sem poder atinar
com o caminho de casa, ou meio algum de chegar até os seus”.
Como se vê, qualquer desses tipos é a manifestação de um só
mito em regiões e circunstâncias diferentes.
(O Brasil no folclore, 1970.)
(*) Teogonia, s.f.: 1. Filos. Doutrina mística relativa ao nascimento dos
deuses, e que frequentemente se relaciona com a formação do mundo. 2.
Conjunto de divindades cujo culto forma o sistema religioso dum povo
politeísta. (Dicionário Aurélio Eletrônico – Século XXI.)
Instrução: A questão toma por base uma
passagem de um livro de José Ribeiro sobre o folclore nacional.
Curupira
Na teogonia* tupi, o anhangá, gênio andante, espírito andejo ou vagabundo, destinava-se a proteger a caça do campo. Era
imaginado, segundo a tradição colhida pelo Dr. Couto de Magalhães, sob a figura de um veado branco, com olhos de fogo.
Todo aquele que perseguisse um animal que estivesse amamentando corria o risco de ver Anhangá e a visão determinava
logo a febre e, às vezes, a loucura. O caapora é o mesmo tipo
mítico encontrado nas regiões central e meridional e aí representado por um homem enorme coberto de pelos negros por todo
o rosto e por todo o corpo, ao qual se confiou a proteção da caça
do mato. Tristonho e taciturno, anda sempre montado em um
porco de grandes dimensões, dando de quando em vez um grito
para impelir a vara. Quem o encontra adquire logo a certeza
de ficar infeliz e de ser mal sucedido em tudo que intentar. Dele
se originaram as expressões portuguesas caipora e caiporismo,
como sinônimo de má sorte, infelicidade, desdita nos negócios.
Bilac assim o descreve: “Companheiro do curupira, ou sua duplicata, é o Caapora, ora gigante, ora anão, montado num caititu, e cavalgando à frente de varas de porcos do mato, fumando
cachimbo ou cigarro, pedindo fogo aos viajores; à frente dele
voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho”.
Ambos representam um só mito com diferente configuração e a mesma identidade com o curupira e o jurupari, numes
que guardam a floresta. Todos convergem mais ou menos para
o mesmo fim, sendo que o curupira é representado na região
setentrional por um “pequeno tapuio” com os pés voltados para
trás e sem os orifícios necessários para as secreções indispensáveis à vida, pelo que a gente do Pará diz que ele é músico. O
Curupira ou Currupira, como é chamado no sul, aliás erroneamente, figura em uma infinidade de lendas tanto no norte como
no sul do Brasil. No Pará, quando se viaja pelos rios e se ouve
alguma pancada longínqua no meio dos bosques, “os romeiros
dizem que é o Curupira que está batendo nas sapupemas, a ver
se as árvores estão suficientemente fortes para sofrerem a ação
de alguma tempestade que está próxima. A função do Curupira é
proteger as florestas. Todo aquele que derriba, ou por qualquer
modo estraga inutilmente as árvores, é punido por ele com a
pena de errar tempos imensos pelos bosques, sem poder atinar
com o caminho de casa, ou meio algum de chegar até os seus”.
Como se vê, qualquer desses tipos é a manifestação de um só
mito em regiões e circunstâncias diferentes.
(O Brasil no folclore, 1970.)
(*) Teogonia, s.f.: 1. Filos. Doutrina mística relativa ao nascimento dos
deuses, e que frequentemente se relaciona com a formação do mundo. 2.
Conjunto de divindades cujo culto forma o sistema religioso dum povo
politeísta. (Dicionário Aurélio Eletrônico – Século XXI.)
A
à frente voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o
caminho.
B
à frente dele voam os vaga-lumes batedores, alumiando o
caminho.
C
à frente dele voam seus batedores, alumiando o caminho.
D
à frente dele voam os vaga-lumes, alumiando o caminho.
E
à frente dele voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando.
Gabarito comentado
M
Marina TeixeiraMonitor com apoio de IA
Gabarito: D
Fundamento decisivo: No trecho "à frente dele voam os vaga-lumes, seus batedores, alumiando o caminho.", o segmento "seus batedores" é aposto explicativo de "os vaga-lumes"; sendo termo acessório isolado por vírgulas, sua eliminação deve preservar a estrutura nuclear da oração, resultando em "à frente dele voam os vaga-lumes, alumiando o caminho", o que conduz à alternativa D.
Tema central: eliminação de aposto
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque elimina indevidamente o termo "dele", que não pertence ao aposto, e ainda conserva "seus batedores", isto é, não elimina o aposto solicitado. O comando exige retirar apenas o segmento apositivo, sem apagar outros termos da oração.
B
Errada
Está errada porque mantém o conteúdo do aposto, apenas sem a vírgula. Isso não é eliminar o aposto, mas incorporá-lo ao sintagma nominal em "os vaga-lumes batedores". A questão pedia supressão do aposto, não mudança de pontuação nem fusão do conteúdo ao nome.
C
Errada
Está errada porque suprime o termo explicado, "os vaga-lumes", e deixa no lugar o termo explicativo, "seus batedores". Isso inverte a relação original: o aposto é o que deve ser retirado, não o núcleo a que ele se refere.
D
Certa
A alternativa D é a única que cumpre exatamente a operação pedida: retira apenas o aposto explicativo "seus batedores" e mantém intactos os demais termos da oração original — "à frente dele", "voam", "os vaga-lumes" e "alumiando o caminho". Assim, a frase permanece gramaticalmente completa e semanticamente coerente.
E
Errada
Está errada porque mantém o aposto "seus batedores" e ainda elimina indevidamente "o caminho", comprometendo a completude sintático-semântica de "alumiando o caminho". A reescrita deixa de reproduzir fielmente a estrutura resultante da simples retirada do aposto.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre eliminar o aposto e apenas mexer na pontuação ou em termos vizinhos: muitos candidatos retiram vírgulas, apagam palavras que não pertencem ao aposto ou trocam o termo principal pelo explicativo.
Dica para questões semelhantes
- Identifique primeiro qual segmento apenas explica ou renomeia outro termo; esse é o aposto a ser retirado.
- Ao eliminar um aposto explicativo, preserve todos os demais elementos da oração original.
- Não confunda eliminar o aposto com só retirar as vírgulas ou incorporar seu conteúdo ao nome anterior.
- Depois da supressão, verifique se a frase resultante continua completa na estrutura e no sentido.






