Questão 798d07ae-91
Prova:UECE 2015
Disciplina:História
Assunto:República Oligárquica - 1889 a 1930, História do Brasil

Sobre o excerto acima, é correto afirmar que

Atente ao seguinte excerto: “Em 1912, o governador do Estado de Santa Catarina, Vidal Ramos, advertia: ‘Nossos caboclos do mato são fáceis de se fanatizar, e se for exato o que se ouve, é necessário a ação enérgica’. Ele considerava perigoso para o poder local o ajuntamento de sertanejos pobres em torno do Curandeiro José Maria”.
MACHADO, Paulo Pinheiro. Lideranças do Contestado: a formação e atuação de chefias caboclas (1912-1916). Campinas: Editora da Unicamp, 2004. 

A
se refere à Guerra do Contestado, que, para a imprensa e autoridades militares, era uma reedição do fanatismo de Canudos.
B
faz menção ao Movimento do Contestado, que foi um movimento religioso, com características messiânicas, no qual só ingressavam meninas virgens e meninos puros, para a construção de uma Nova Jerusalém.
C
trata do Movimento do Contestado, cujo líder foi José Maria, um missionário franciscano alemão que atuou no Planalto Catarinense entre 1890 e 1930.
D
faz referência à Guerra do Contestado, cuja população envolvida era muito religiosa, louvava a monarquia e o retorno da Casa Real de Bragança ao trono brasileiro.

Gabarito comentado

P
Pablo Mendonca Monitor do Qconcursos

Gabarito: A

Tema central: A questão aborda a Guerra do Contestado (1912-1916), um conflito social, religioso e fundiário ocorrido no sul do Brasil, principalmente entre Paraná e Santa Catarina. Essencial para a prova é compreender o caráter messiânico, fanático-religioso e de contestação social do movimento.

Justificativa da alternativa correta (A):

A alternativa A está correta porque identifica que, para a imprensa e as autoridades militares da época, a Guerra do Contestado era comparável à Guerra de Canudos, outra insurreição popular marcada por forte fanatismo religioso liderada por Antônio Conselheiro na Bahia (1896-1897). Ambos os movimentos foram interpretados como ameaças à ordem republicana, mobilizando milhares de sertanejos pobres em torno de líderes religiosos carismáticos. Authorities temiam que "fanatismo" e "ajuntamentos" desestabilizassem a jovem República, justificando reações militares severas (cf. Paulo Pinheiro Machado, Lideranças do Contestado).

Como interpretar o enunciado:

Atente sempre à referência temporal (1912), local (Santa Catarina), menção ao líder (José Maria) e o aviso sobre o perigo de mobilizações populares com fundo religioso, o que remete diretamente à lógica das interpretações oficiais da época sobre movimentos populares.

Por que as demais alternativas estão incorretas:

B) Erro de informação: Não existia restrição para ingresso por “meninas virgens ou meninos puros”, isso distorce o caráter popular e abrangente do movimento. O Messianismo envolvia toda a comunidade, não apenas jovens “puros”.

C) Imprecisão factual: José Maria não era missionário franciscano, tampouco alemão; era provavelmente brasileiro, líder religioso popular local, morto logo no início do conflito (1912) e não atuou de 1890 a 1930. Fique atento a generalizações temporais e identificações errôneas de personagens.

D) Desvio temático: Não havia no Contestado defesa da monarquia nem desejo pelo retorno da Casa Real de Bragança. O movimento era religioso e social, com críticas a injustiças locais, não restauracionista ou monarquista.

Estratégias para situações parecidas:

1. Identifique sempre datas, personagens centrais e local do conflito.
2. Desconfie de alternativas que restringem de modo artificial os participantes de movimentos populares.
3. Atenção a mudanças sutis em lideranças, motivações políticas ou religiosas.

Referência: Autores como Boris Fausto (História do Brasil) e Paulo Pinheiro Machado reforçam o caráter messiânico, mas massivo e popular do Contestado, e sua analogia recorrente com Canudos pela imprensa e autoridades.

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