“Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar a fazenda, nem ter engenho corrente. E ao modo com que se há com eles depende de tê-los bons ou maus para o serviço.”
Otexto, do início do século XVIII, trata damão de obra escravista nos engenhos de açúcar.Oautor.
Otexto, do início do século XVIII, trata damão de obra escravista nos engenhos de açúcar.Oautor.
Gabarito comentado
Alternativa correta: E
Tema central: o papel da mão de obra escrava na economia açucareira colonial — como os senhores de engenho percebiam os escravos não só como força de trabalho, mas como capital que exige cuidados para garantir produtividade.
Resumo teórico: A economia do açúcar (séculos XVI–XVIII) baseava‑se em plantações e engenhos que dependiam de escravos africanos ou seus descendentes. Nessa visão proprietária, o escravo era simultaneamente instrumento de produção e bem econômico, cuja conservação física e “tratamento” influíam na rentabilidade. Para aprofundar: Caio Prado Júnior, Formação do Brasil Contemporâneo; Emília Viotti da Costa, A Abolição (leituras recomendadas).
Por que E é correta: O excerto enfatiza que os escravos são “as mãos e os pés do senhor” e que ao modo de tratá‑los depende tê‑los bons ou maus para o serviço. Ou seja, o autor destaca a importância do trabalho escravo na produção do açúcar e ressalta os cuidados (manejo, disciplina, manutenção) necessários para preservar esse “capital humano”. Essa ideia está alinhada com a alternativa E.
Análise das alternativas incorretas:
- A — fala em preocupação com falta de trabalhadores assalariados; o texto refere‑se explicitamente a escravos e à sua importância, não a uma carência de assalariados.
- B — embora mencione o escravo como instrumento de produção, interpreta o trecho como foco exclusivo no controle para evitar rebelião. O texto realça mais o cuidado e a conservação para manter a produção do engenho, não a prevenção de revoltas.
- C — remete à expansão das plantações e à remessa de açúcar a Portugal; o fragmento trata da reprodução e manutenção da fazenda via trabalho escravo, sem mencionar exportação ou expansão.
- D — propõe defesa do fim da escravidão e substituição por mão de obra estrangeira; contrário ao tom do texto, que valoriza e justifica o uso da escravidão, sem discurso abolicionista.
Estratégia para resolver questões assim: identifique palavras‑chave (ex.: “mãos e pés”, “depende de tê‑los bons”); classifique o ponto de vista (defensor do sistema, crítico, neutro); elimine alternativas que acrescentem ideias não presentes no texto (expansão, abolição, vaga referência a assalariados).
Fontes úteis: Caio Prado Júnior, Formação do Brasil Contemporâneo; Emília Viotti da Costa, A Abolição; Herbert S. Klein, The Atlantic Slave Trade (para contexto).
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!





