O Brasil foi o principal destino dos africanos escravizados especialmente no século XIX. Ainda que pressões
internacionais pusessem cada vez mais restrições ao tráfico transatlântico, os portos do sudeste do país, vários deles
clandestinos, foram o destino de cerca de três quartos das pessoas escravizadas no Brasil entre 1822 e 1866. A escravidão
mantinha, dessa forma, o seu papel fundamental na economia brasileira e na formação das relações sociais do país.
Assinale a alternativa que corresponde corretamente ao contexto apresentado no texto
Gabarito comentado
Alternativa correta: B
Tema central: o enunciado trata da continuidade do tráfico e da escravidão no Brasil no século XIX e do destino das pessoas escravizadas — especialmente para a região Sudeste, marcada pelo crescimento da cafeicultura. Para resolver a questão é preciso relacionar economia regional (cafeicultura), fluxos do tráfico transatlântico e marcos legais (leis antitráfico e abolição).
Resumo teórico essencial: - A expansão da cafeicultura no Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro) no século XIX aumentou a demanda por mão de obra escrava. - O tráfico atlântico continuou, muitas vezes clandestino, apesar de pressões britânicas (Slave Trade Act 1807; ações como o Aberdeen Act da década de 1840) e leis brasileiras. - Leis importantes: Lei de 1831Lei Eusébio de Queirós (1850) (repressão mais eficaz ao tráfico) e Lei Áurea (13/05/1888) (abolição da escravidão). (Fontes consultadas: legislação histórica brasileira e estudos clássicos sobre escravidão no Brasil.)
Por que a alternativa B é correta: o texto afirma que entre 1822 e 1866 cerca de 3/4 das pessoas trazidas chegaram aos portos do Sudeste. Esse período coincide com a expansão do café como principal produto exportável, que concentrava a demanda por escravizados no Sudeste. Logo, afirmar que a economia da região se baseava principalmente na cafeicultura e que ela recebeu a maior parte dos africanos escravizados é a conclusão correta.
Análise das alternativas incorretas:
A — Incorreta. Diz que o Brasil proibiu oficialmente em 1866 e isso levou à abolição na década seguinte. A proibição efetiva do tráfico ocorreu antes (Lei Eusébio de Queirós, 1850); a abolição da escravidão veio só em 1888 (Lei Áurea), não "na década seguinte" de 1866.
C — Incorreta. Afirmação equivocada sobre 1888: a Inglaterra não “coibiu” o tráfico em 1888, e os Estados Unidos aboliram a escravidão em 1865 (13ª Emenda), não em 1888. Além disso, a ação britânica contra o tráfico foi gradual e anterior.
D — Incorreta. A escravidão indígena não predominou nos ciclos do ouro (século XVIII) e do café (século XIX); para estes últimos, especialmente café, a mão de obra africana foi predominante. A violência contra indígenas existiu, mas não substituiu a escravidão africana nesses ciclos econômicos.
E — Incorreta. A maioria dos africanos trazidos ao Brasil no século XIX provinha da África Ocidental e Centro-Ocidental (regiões como Angola e o Golfo de Benin), não majoritariamente do Chifre da África.
Dica de interpretação para provas: foque em palavras-chave (datas, regiões, atividades econômicas). Se o enunciado menciona "sudeste" e o período 1822–1866, associe imediatamente ao boom do café. Desconfie de alternativas que trocam datas ou lugares conhecidos como origem do tráfico.
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