Questão 72d123fe-e0
Prova:UEPB 2011
Disciplina:História
Assunto:Medievalidade Europeia, História Geral
Compreender o homem medieval é algo complexo, pois conhecimento empírico, crenças e fervor religiosos, código dos nobres cavaleiros e
exploração do trabalho camponês conviviam gerando contradições e conflitos. O historiador Robert Bartlett diz que “... os homens medievais
eram parecidos conosco, em termos de sentimentos e ambições, mesmo acreditando que os mortos perambulavam entre os vivos”.
Analise as proposições abaixo:
I - Os medievais preferiam ver o eclipse como um sinal de Deus, mesmo conscientes de que este se dá quando um corpo celeste passa em
frente a outro. Na “Crônica da cruzada” (1220) escreve-se que “... houve um eclipse da lua, dado por causas naturais. Mas, como o
Senhor diz que há sinais no sol e na lua, o interpretamos como algo ruim para o inimigo”.
II - A consciência em torno da desigualdade social era apurada no medievo. A diferenciação entre as classes não era aceita por parte “dos
que trabalhavam” e “dos que lutavam” como algo da ordem natural das coisas. Apenas “os que rezavam” viam a desigualdade como
um desígnio de Deus, portanto, imutável.
III - O mapa-múndi da catedral de Hereford, na Inglaterra de 1290, mistura especulação e conhecimento empírico. Exibe um planeta Terra
redondo e três continentes (Europa, Ásia e África) com precisão. E nas regiões periféricas, criaturas fantásticas como unicórnios e
pessoas com cabeça de cachorro.
IV - Os adultos não se interessavam pela infância nem a tinham como uma fase com características próprias. Por isso mesmo o historiador
Philippe Áries afirmou que a ideia de infância não existia na sociedade medieval.
Assinale a alternativa correta:
Compreender o homem medieval é algo complexo, pois conhecimento empírico, crenças e fervor religiosos, código dos nobres cavaleiros e
exploração do trabalho camponês conviviam gerando contradições e conflitos. O historiador Robert Bartlett diz que “... os homens medievais
eram parecidos conosco, em termos de sentimentos e ambições, mesmo acreditando que os mortos perambulavam entre os vivos”.
Analise as proposições abaixo:
I - Os medievais preferiam ver o eclipse como um sinal de Deus, mesmo conscientes de que este se dá quando um corpo celeste passa em
frente a outro. Na “Crônica da cruzada” (1220) escreve-se que “... houve um eclipse da lua, dado por causas naturais. Mas, como o
Senhor diz que há sinais no sol e na lua, o interpretamos como algo ruim para o inimigo”.
II - A consciência em torno da desigualdade social era apurada no medievo. A diferenciação entre as classes não era aceita por parte “dos
que trabalhavam” e “dos que lutavam” como algo da ordem natural das coisas. Apenas “os que rezavam” viam a desigualdade como
um desígnio de Deus, portanto, imutável.
III - O mapa-múndi da catedral de Hereford, na Inglaterra de 1290, mistura especulação e conhecimento empírico. Exibe um planeta Terra
redondo e três continentes (Europa, Ásia e África) com precisão. E nas regiões periféricas, criaturas fantásticas como unicórnios e
pessoas com cabeça de cachorro.
IV - Os adultos não se interessavam pela infância nem a tinham como uma fase com características próprias. Por isso mesmo o historiador
Philippe Áries afirmou que a ideia de infância não existia na sociedade medieval.
Assinale a alternativa correta:
A
Apenas I, II e III estão corretas.
B
Apenas II e III estão corretas.
C
Apenas I, III e IV estão corretas.
D
Apenas I, II e IV estão corretas.
E
Todas estão corretas.
Gabarito comentado
H
Henrique Vieira Monitor com apoio de IA
Gabarito: C
Fundamento decisivo: O ponto decisivo é a falsidade da proposição II: ela inverte a ideologia das três ordens ao dizer que a desigualdade social não era aceita como natural por “os que trabalhavam” e “os que lutavam”, atribuindo essa leitura apenas a “os que rezavam”. Pela base técnico-conceitual, a hierarquia medieval era legitimada como ordem natural e divina; por isso, eliminam-se as alternativas que incluem II e mantém-se o gabarito C.
Tema central: Mentalidades e vida social na Idade Média
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque inclui a proposição II, que contraria a ideologia medieval das três ordens ao negar a legitimação da desigualdade como parte da ordem natural e divina.
B
Errada
Incorreta porque inclui II, que é falsa, e exclui I e IV, que são aceitas no enquadramento historiográfico da questão.
C
Certa
A alternativa C está correta porque reúne I, III e IV, que se mantêm compatíveis com a historiografia escolar sobre a Idade Média. I é aceitável pela convivência entre explicação natural e interpretação religiosa dos fenômenos; III corresponde à mistura de conhecimento empírico e elementos fantásticos nos mapas medievais; IV segue a tese clássica de Philippe Ariès, segundo a qual a sociedade medieval não reconhecia a infância nos moldes modernos. Como II é historicamente insustentável, C é a única alternativa adequada.
D
Errada
Incorreta porque também inclui II. A presença dessa proposição invalida a alternativa, já que ela distorce a forma como a desigualdade social era legitimada no medievo.
E
Errada
Incorreta porque afirma que todas as proposições estão corretas, mas II não está. A desigualdade social era legitimada no medievo como parte da ordem natural e divina.
Pegadinha da questão
A questão explora a confusão entre existência de conflitos sociais e rejeição da hierarquia medieval: a proposição II parece plausível por mencionar desigualdade, mas erra ao negar sua legitimação pelas três ordens e ao restringi-la ao clero.
Dica para questões semelhantes
- Em questões sobre Idade Média, verifique se o item admite a coexistência entre explicações naturais e interpretação religiosa.
- Ao aparecerem oratores, bellatores e laboratores, use como critério a legitimação da desigualdade como ordem natural e divina.
- Em temas de historiografia escolar, identifique quando a banca cobra a formulação clássica consagrada no ensino, como a tese de Philippe Ariès sobre infância.
- Em mapas medievais, a chave é a mistura de observação, tradição e imaginação, não a precisão cartográfica moderna.





