Questão 70cdbe48-e0
Prova:FATEC 2012
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia, Tipologia Textual, Tipos de Discurso: Direto, Indireto e Indireto Livre
Entre as características que definem uma crônica, estão presentes no texto de Walcyr Carrasco:
Entre as características que definem uma crônica, estão presentes no texto de Walcyr Carrasco:
O labirinto dos manuais
Há alguns meses, troquei meu celular. Um modelo lindo, pequeno, prático. Segundo a vendedora, era capaz de tudo e mais um pouco. Fotografava, fazia vídeos, recebia e-mails e até servia para telefonar. Abri o manual, entusiasmado. “Agora eu aprendo”, decidi, folheando as 49 páginas. Já na primeira, tentei executar as funções. Duas horas depois, eu estava prestes a roer o aparelho. O manual tentava prever todas as possibilidades. Virou um labirinto de instruções! Na semana seguinte, tentei baixar o som da campainha. Só aumentava. Buscava o vibracall, não achava. Era só alguém me chamar e todo mundo em torno saía correndo, pensando que era o alarme de incêndio! Quem me salvou foi um motorista de táxi.
- Manual só confunde - disse didaticamente. - Dá uma de curioso. Insisti e finalmente descobri que estava no vibracall há meses! O único problema é que agora não consigo botar a campainha de volta!
Atualmente, estou de computador novo. Fiz o que toda pessoa minuciosa faria. Comprei um livro. Na capa, a promessa: “Rápido e fácil” - um guia prático, simples e colorido! Resolvi: “Vou seguir cada instrução, página por página. Do que adianta ter um supercomputador se não sei usá-lo?”. Quando cheguei à página 20, minha cabeça latejava. O livro tem 342! Cada vez que olho, dá vontade de chorar! Não seria melhor gastar o tempo relendo Guerra e Paz*?
Tudo foi criado para simplificar. Mas até o micro-ondas ficou difícil. A não ser que eu queira fazer pipoca, que possui sua tecla própria. Mas não posso me alimentar só de pipoca! Ainda se emagrecesse... E o fax com secretária eletrônica? O anterior era simples. Eu apertava um botão e apagava as mensagens. O atual exige que eu toque em um, depois em outro para confirmar, e de novo no primeiro! Outro dia, a luzinha estava piscando. Tentei ouvir a mensagem. A secretária disparou todas as mensagens, desde o início do ano!
Eu sei que para a garotada que está aí tudo parece muito simples. Mas o mundo é para todos, não é? Talvez alguém dê aulas para entender manuais! Ou o jeito seria aprender só aquilo de que tenho realmente necessidade, e não usar todas as funções. É o que a maioria das pessoas acaba fazendo!
O labirinto dos manuais
Há alguns meses, troquei meu celular. Um modelo lindo, pequeno, prático. Segundo a vendedora, era capaz de tudo e mais um pouco. Fotografava, fazia vídeos, recebia e-mails e até servia para telefonar. Abri o manual, entusiasmado. “Agora eu aprendo”, decidi, folheando as 49 páginas. Já na primeira, tentei executar as funções. Duas horas depois, eu estava prestes a roer o aparelho. O manual tentava prever todas as possibilidades. Virou um labirinto de instruções! Na semana seguinte, tentei baixar o som da campainha. Só aumentava. Buscava o vibracall, não achava. Era só alguém me chamar e todo mundo em torno saía correndo, pensando que era o alarme de incêndio! Quem me salvou foi um motorista de táxi.
- Manual só confunde - disse didaticamente. - Dá uma de curioso. Insisti e finalmente descobri que estava no vibracall há meses! O único problema é que agora não consigo botar a campainha de volta!
Atualmente, estou de computador novo. Fiz o que toda pessoa minuciosa faria. Comprei um livro. Na capa, a promessa: “Rápido e fácil” - um guia prático, simples e colorido! Resolvi: “Vou seguir cada instrução, página por página. Do que adianta ter um supercomputador se não sei usá-lo?”. Quando cheguei à página 20, minha cabeça latejava. O livro tem 342! Cada vez que olho, dá vontade de chorar! Não seria melhor gastar o tempo relendo Guerra e Paz*?
Tudo foi criado para simplificar. Mas até o micro-ondas ficou difícil. A não ser que eu queira fazer pipoca, que possui sua tecla própria. Mas não posso me alimentar só de pipoca! Ainda se emagrecesse... E o fax com secretária eletrônica? O anterior era simples. Eu apertava um botão e apagava as mensagens. O atual exige que eu toque em um, depois em outro para confirmar, e de novo no primeiro! Outro dia, a luzinha estava piscando. Tentei ouvir a mensagem. A secretária disparou todas as mensagens, desde o início do ano!
Eu sei que para a garotada que está aí tudo parece muito simples. Mas o mundo é para todos, não é? Talvez alguém dê aulas para entender manuais! Ou o jeito seria aprender só aquilo de que tenho realmente necessidade, e não usar todas as funções. É o que a maioria das pessoas acaba fazendo!
Há alguns meses, troquei meu celular. Um modelo lindo, pequeno, prático. Segundo a vendedora, era capaz de tudo e mais um pouco. Fotografava, fazia vídeos, recebia e-mails e até servia para telefonar. Abri o manual, entusiasmado. “Agora eu aprendo”, decidi, folheando as 49 páginas. Já na primeira, tentei executar as funções. Duas horas depois, eu estava prestes a roer o aparelho. O manual tentava prever todas as possibilidades. Virou um labirinto de instruções! Na semana seguinte, tentei baixar o som da campainha. Só aumentava. Buscava o vibracall, não achava. Era só alguém me chamar e todo mundo em torno saía correndo, pensando que era o alarme de incêndio! Quem me salvou foi um motorista de táxi.
- Manual só confunde - disse didaticamente. - Dá uma de curioso. Insisti e finalmente descobri que estava no vibracall há meses! O único problema é que agora não consigo botar a campainha de volta!
Atualmente, estou de computador novo. Fiz o que toda pessoa minuciosa faria. Comprei um livro. Na capa, a promessa: “Rápido e fácil” - um guia prático, simples e colorido! Resolvi: “Vou seguir cada instrução, página por página. Do que adianta ter um supercomputador se não sei usá-lo?”. Quando cheguei à página 20, minha cabeça latejava. O livro tem 342! Cada vez que olho, dá vontade de chorar! Não seria melhor gastar o tempo relendo Guerra e Paz*?
Tudo foi criado para simplificar. Mas até o micro-ondas ficou difícil. A não ser que eu queira fazer pipoca, que possui sua tecla própria. Mas não posso me alimentar só de pipoca! Ainda se emagrecesse... E o fax com secretária eletrônica? O anterior era simples. Eu apertava um botão e apagava as mensagens. O atual exige que eu toque em um, depois em outro para confirmar, e de novo no primeiro! Outro dia, a luzinha estava piscando. Tentei ouvir a mensagem. A secretária disparou todas as mensagens, desde o início do ano!
Eu sei que para a garotada que está aí tudo parece muito simples. Mas o mundo é para todos, não é? Talvez alguém dê aulas para entender manuais! Ou o jeito seria aprender só aquilo de que tenho realmente necessidade, e não usar todas as funções. É o que a maioria das pessoas acaba fazendo!
A
a narração em 3ª pessoa e o uso expressivo d pontuação.
B
a criação de imagens hiperbólicas e o predomínio do discurso direto.
C
o emprego de linguagem acessível ao leitor e a abordagem de fatos do cotidiano.
D
a existência de trechos cômicos e a narrativa restrita ao passado do autor
E
a ausência de reflexões de cunho pessoal e o emprego de linguagem em prosa poética
Gabarito comentado
N
Nicole Santos Monitor com apoio de IA
Gabarito: C
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a identificação de marcas do gênero crônica no próprio texto: “Há alguns meses, troquei meu celular. [...] Na semana seguinte, tentei baixar o som da campainha. [...] Atualmente, estou de computador novo. [...] Mas até o micro-ondas ficou difícil.” Esses trechos mostram fatos banais do cotidiano narrados em linguagem simples, coloquial e próxima do leitor, o que conduz diretamente à alternativa C.
Tema central: características da crônica
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra no foco narrativo. O texto é narrado predominantemente em 1ª pessoa, como mostram “troquei meu celular”, “tentei baixar” e “estou de computador novo”. Mesmo que haja pontuação expressiva, isso não corrige o erro objetivo da afirmação sobre narração em 3ª pessoa.
B
Errada
Há exagero expressivo em trechos como “todo mundo em torno saía correndo, pensando que era o alarme de incêndio”, mas não há predomínio do discurso direto. As falas diretas aparecem apenas pontualmente; o texto é majoritariamente narrativo e reflexivo na voz do narrador.
C
Certa
A alternativa C se sustenta porque reúne os dois traços centrais efetivamente presentes no texto: linguagem acessível e abordagem de fatos do cotidiano. O narrador relata experiências comuns com celular, computador, micro-ondas e fax, em registro simples e próximo da fala cotidiana. Além disso, há interlocução e reflexão pessoal, como em “Eu sei que para a garotada que está aí tudo parece muito simples. Mas o mundo é para todos, não é?”, o que confirma a adequação ao gênero crônica.
D
Errada
A presença de trechos cômicos é real, mas a alternativa se invalida ao dizer que a narrativa fica restrita ao passado do autor. O texto inclui presente enunciativo e reflexão atual, como em “Atualmente, estou de computador novo” e “Eu sei que para a garotada que está aí tudo parece muito simples”.
E
Errada
A alternativa contraria duas marcas explícitas do texto. Não há ausência de reflexões pessoais, porque o narrador comenta a própria experiência e fecha com reflexão sobre o uso da tecnologia. Também não predomina prosa poética; o registro é coloquial, narrativo e humorístico.
Pegadinha da questão
A banca explora alternativas parcialmente verdadeiras: há humor, há fala direta pontual e há pontuação expressiva, mas o critério que define a crônica aqui é a combinação entre cotidiano e linguagem acessível. Também induz ao erro quem lê apenas o início em relato passado e ignora a reflexão em presente no final.
Dica para questões semelhantes
- Em questão de gênero textual, procure primeiro as marcas estruturais mais estáveis do texto, não um recurso isolado como humor ou pontuação.
- Elimine a alternativa que traz um elemento objetivamente falso, mesmo que o outro pareça verdadeiro.
- Verifique se o texto trata de experiências comuns em linguagem próxima do leitor; essa combinação é decisiva na identificação da crônica neste caso.






