Questão 6b1f44e4-b0
Prova:UEL 2010
Disciplina:História
Assunto:Independências das regiões hispano-americanas: México, América Central e América do Sul, Colonialismo espanhol: Ocupação e exploração do território americano, Período Colonial: produção de riqueza e escravismo, História do Brasil, História da América Latina, Processo de Independência: dos movimentos nativistas à libertação de Portugal

Sobre a crise colonial e os movimentos pelas independências dos territórios americanos colonizados pelos espanhóis e portugueses, é correto afirmar:

A
No caso da América hispânica, o movimento revolucionário que culminou com as independências latino-americanas constituiu-se num empreendimento político levado a cabo pela coroa espanhola e também pelos camponeses e índios.
B
A relação com as respectivas metrópoles desagradava a elite crioula cafeeira, pois esta consolidava o fortalecimento do comércio com outras nações interessadas neste produto; assim, o vigor econômico destas relações comerciais interferiu nas taxações impostas pela metrópole.
C
A colônia de Portugal, denominada Brasil, referendou seu processo de independência adotando o Regime Republicano. A partir desse marco, a Princesa Isabel assinou a lei que libertou os escravos, permitindo que a sociedade se constituísse a partir dos princípios liberais.
D
Os movimentos emancipacionistas das colônias espanholas e da portuguesa refletiram na política mundial, inaugurando uma etapa de livre comércio com as demais nações, o que dinamizou a economia hispano e luso-americana.
E
No início do século XIX, a Espanha vivenciava um processo de decadência interna. Essa debilidade e seus reflexos, tanto na metrópole quanto nas colônias, contribuíram para que os movimentos independentistas ocorressem.

Gabarito comentado

A
Anderson MaiaMonitor do Qconcursos

Resposta correta: E

Tema central: a crise das metrópoles ibéricas (principalmente a Espanha) no início do século XIX — notadamente a invasão napoleônica, as abdicações de 1808 e a perda de autoridade régia — e como essa fraqueza contribuiu para os movimentos de independência nas Américas.

Resumo teórico: a derrota política da Espanha (invasão de 1808, deposição de Carlos IV e Fernando VII em Baiona, e a emergência das Cortes de Cádiz em 1812) levou à crise de legitimidade: elites criollas criaram juntas e governos locais que, em muitos casos, evoluíram para projetos de independência. No Brasil, a transferência da corte portuguesa para o Rio (1808) e o retorno de D. João a Lisboa também criaram condições específicas para a independência em 1822.

Justificativa da alternativa E: a alternativa afirma que a Espanha vivenciou decadência interna cujos reflexos nas colônias favoreceram os movimentos independentistas — isto é historicamente correto. A crise de autoridade, as guerras napoleônicas e a crise dinástica foram fatores detonadores das emancipações hispano-americanas (ver John Lynch, "The Hispanic American Revolutions, 1808–1826"; Tulio Halperín Donghi).

Análise das alternativas incorretas:

A — incorreta. As independências hispânicas não foram um projeto da coroa espanhola; ao contrário, envolveram sobretudo elites criollas que buscaram autonomia (houve participação popular em alguns processos, mas a coroa não conduziu a “revolução”).

B — incorreta por imprecisão e generalização. Reclamações contra o controle metropolitano existiam (restrições comerciais, impostos), mas a alternativa mistura termos (''elite crioula cafeeira'') e atribui causa/efeito de modo confuso: o fortalecimento do comércio com outras nações foi resultado de processos variados, não a causa única e direta das taxações.

C — incorreta. O Brasil tornou‑se independente em 1822 como IMPÉRIO, com Dom Pedro I como primeiro imperador. A Princesa Isabel assinou a Lei Áurea apenas em 1888 — muito depois — e não foi o ato fundador da independência.

D — incorreta. As independências não inauguraram de imediato uma etapa de livre comércio que beneficiasse de forma generalizada as economias locais; muitas novas nações mantiveram estruturas dependentes e proteção a setores internos, e o comércio internacional continuou mediado por interesses externos (ex.: influência britânica), sem liberalização automática.

Dica de prova: identifique termos-chave (quem liderou a ação? metrópole ou elites coloniais? data/forma do regime no Brasil?). Cuidado com afirmações absolutas ou que juntam fatos de períodos diferentes (ex.: independência e abolição no Brasil são eventos separados por décadas).

Fontes recomendadas: John Lynch, The Hispanic American Revolutions; Tulio Halperín Donghi, The Emergence of Latin American Nations; documentos: Cortes de Cádiz (1812), eventos de 1808 (Abdicações de Baiona).

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