Sobre a crise colonial e os movimentos pelas independências dos territórios americanos colonizados pelos
espanhóis e portugueses, é correto afirmar:
Gabarito comentado
Resposta correta: E
Tema central: a crise das metrópoles ibéricas (principalmente a Espanha) no início do século XIX — notadamente a invasão napoleônica, as abdicações de 1808 e a perda de autoridade régia — e como essa fraqueza contribuiu para os movimentos de independência nas Américas.
Resumo teórico: a derrota política da Espanha (invasão de 1808, deposição de Carlos IV e Fernando VII em Baiona, e a emergência das Cortes de Cádiz em 1812) levou à crise de legitimidade: elites criollas criaram juntas e governos locais que, em muitos casos, evoluíram para projetos de independência. No Brasil, a transferência da corte portuguesa para o Rio (1808) e o retorno de D. João a Lisboa também criaram condições específicas para a independência em 1822.
Justificativa da alternativa E: a alternativa afirma que a Espanha vivenciou decadência interna cujos reflexos nas colônias favoreceram os movimentos independentistas — isto é historicamente correto. A crise de autoridade, as guerras napoleônicas e a crise dinástica foram fatores detonadores das emancipações hispano-americanas (ver John Lynch, "The Hispanic American Revolutions, 1808–1826"; Tulio Halperín Donghi).
Análise das alternativas incorretas:
A — incorreta. As independências hispânicas não foram um projeto da coroa espanhola; ao contrário, envolveram sobretudo elites criollas que buscaram autonomia (houve participação popular em alguns processos, mas a coroa não conduziu a “revolução”).
B — incorreta por imprecisão e generalização. Reclamações contra o controle metropolitano existiam (restrições comerciais, impostos), mas a alternativa mistura termos (''elite crioula cafeeira'') e atribui causa/efeito de modo confuso: o fortalecimento do comércio com outras nações foi resultado de processos variados, não a causa única e direta das taxações.
C — incorreta. O Brasil tornou‑se independente em 1822 como IMPÉRIO, com Dom Pedro I como primeiro imperador. A Princesa Isabel assinou a Lei Áurea apenas em 1888 — muito depois — e não foi o ato fundador da independência.
D — incorreta. As independências não inauguraram de imediato uma etapa de livre comércio que beneficiasse de forma generalizada as economias locais; muitas novas nações mantiveram estruturas dependentes e proteção a setores internos, e o comércio internacional continuou mediado por interesses externos (ex.: influência britânica), sem liberalização automática.
Dica de prova: identifique termos-chave (quem liderou a ação? metrópole ou elites coloniais? data/forma do regime no Brasil?). Cuidado com afirmações absolutas ou que juntam fatos de períodos diferentes (ex.: independência e abolição no Brasil são eventos separados por décadas).
Fontes recomendadas: John Lynch, The Hispanic American Revolutions; Tulio Halperín Donghi, The Emergence of Latin American Nations; documentos: Cortes de Cádiz (1812), eventos de 1808 (Abdicações de Baiona).
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