Leia atentamente os dois textos abaixo:
TEXTO 1
“Eu quisera poder dar a esta data a denominação seguinte: 15 de Novembro, primeiro ano de República;
mas não posso infelizmente fazê-lo.[...] Por ora, a cor do Governo é puramente militar e deverá ser
assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu
àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente
estar vendo uma parada.”
Carta de Aristides Lobo, escrita na tarde de 15 de novembro de 1889, e publicada no Diário Popular de
São Paulo em 18 de novembro de 1889.
TEXTO 2
“A carta de Aristides Lobo foi um documento flagrante do imprevisto que representou para nós, a
despeito de toda a propaganda, de toda a popularidade entre os moços da academia, a realização
da ideia republicana.” HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. 26. ed. São Paulo: Companhia das
Letras, 2004. p.160
Sobre a Proclamação da República podemos afirmar:
Leia atentamente os dois textos abaixo:
TEXTO 1
“Eu quisera poder dar a esta data a denominação seguinte: 15 de Novembro, primeiro ano de República; mas não posso infelizmente fazê-lo.[...] Por ora, a cor do Governo é puramente militar e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada.”
Carta de Aristides Lobo, escrita na tarde de 15 de novembro de 1889, e publicada no Diário Popular de São Paulo em 18 de novembro de 1889.
TEXTO 2
“A carta de Aristides Lobo foi um documento flagrante do imprevisto que representou para nós, a despeito de toda a propaganda, de toda a popularidade entre os moços da academia, a realização da ideia republicana.” HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. 26. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p.160
Sobre a Proclamação da República podemos afirmar:
Gabarito comentado
Resposta: Alternativa D
Tema central: a Proclamação da República (15/11/1889) e sua natureza política — golpe militar com limitada participação popular e origem em núcleos letrados e militares influenciados pelo positivismo.
Resumo teórico: A queda do Império não resultou de uma ampla revolta popular nem de uma conspiração exclusiva da aristocracia rural. Predominaram âncoras: descontentamento militar (oficiais médios e jovens), pequenas elites urbanas republicanas e fatores como a crise do projeto monárquico após a abolição (1888). O movimento teve caráter surpreendente para a maioria da população, que pouco entendeu o que ocorria — como mostra a carta de Aristides Lobo citada por Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil).
Por que a alternativa D está correta: maioria da população alheia — relatos e jornais da época registram surpresa e incompreensão populares. As conspirações nasceram em círculos letrados e em setores militares influenciados pelo positivismo (ideologia presente em cadetes e oficiais), não como um movimento de massas. Fontes: Sérgio Buarque de Holanda; José Murilo de Carvalho (A formação das almas).
Análise das alternativas incorretas: A — incorreta: não foi liderada pela aristocracia escravista; muitos grandes proprietários (especialmente ligados ao Império) não impulsionaram o movimento. Alguns café-com-leite se aproximaram depois, mas não lideraram a queda. B — incorreta: foi um golpe militar, sim, mas executado por setores das forças armadas e com apoio limitado das classes populares — não houve apoio maciço. C — incorreta: a deposição não foi uma ação antiga e programada desde o fim da Guerra do Paraguai nem teve o apoio irrestrito da Igreja Católica; o envolvimento militar cresceu principalmente nas décadas finais do Império, e a Igreja teve posições variadas.
Estratégia de prova: ao ler enunciados sobre eventos históricos, destaque palavras-chave (ex.: “maioria”, “liderado por”, “apoio maciço”) e compare com fontes primárias/consagradas. Se o enunciado atribui amplo apoio social ou unanimidade institucional, desconfie — movimentos políticos raramente têm esse caráter.
Fontes recomendadas: Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil; José Murilo de Carvalho, A formação das almas; Boris Fausto, História do Brasil.
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