“Muito já se disse que a história do Brasil foi escrita sem sangue e sem lágrimas. Que, entre nós, o desejo
de paz sempre foi maior do que as tensões. Errado. O Brasil Colônia foi atravessado por episódios de
descontentamento e revolta.”
PRIORE, Mary del; VENÂNCIO, Renato. Uma breve história do Brasil. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010. p. 110
Como exemplo da afirmação acima, as revoltas ocorridas em Minas Gerais, durante a expansão
mineradora, devem ser corretamente relacionadas:
Gabarito comentado
Alternativa correta: B — à voracidade fiscal por parte de Portugal
Tema central: revoltas em Minas durante a expansão mineradora (séculos XVIII). Pergunta exige relacionar causas: identificar que os conflitos locais decorreram principalmente da pressão fiscal e do controle metropolitano sobre o ouro.
Resumo teórico: A descoberta de ouro em Minas Gerais transformou a região em foco da extração para a Coroa portuguesa. A principal exação era o quinto (20% do ouro) e a cobrança periódica forçada conhecida como derrama, além de impostos e vigilância rígida. Essas medidas oneraram proprietários e mineradores, provocando reações políticas e conspiratórias (ex.: Revolta de Filipe dos Santos, 1720; Inconfidência Mineira, 1789). Fontes: Priore & Venâncio (2010); Boris Fausto, História do Brasil; estudos sobre a derrama e o sistema fiscal colonial.
Justificativa da alternativa B: As revoltas mineiras têm explicação direta na cobrança excessiva e arbitrária de impostos pela metrópole. A ameaça da derrama e o controle do ouro pela Coroa eram percebidos como afronta aos interesses locais, gerando movimentos que iam desde levantes populares até conspirações dos elites locais. Assim, a voracidade fiscal é a causa central, justificando a alternativa B.
Análise das alternativas incorretas:
A — rebeliões conduzidas pelos jesuítas: incorreto. Os jesuítas tiveram papel relevante em outras regiões (missões, conflitos com colonos), mas não lideraram as revoltas mineradoras como causa principal.
C — aliança entre colonos e espanhóis: incorreto. Não houve aliança significativa entre colonos mineiros e espanhóis que explique as revoltas internas; os conflitos eram contra a administração portuguesa.
D — baixos salários aos trabalhadores das minas: incorreto. A mineração aurífera colonial dependia sobretudo de trabalho escravo e pequenos produtores; a queixa dominante era fiscal, não reivindicação salarial de trabalhadores livres.
E — ausência de poderes locais que representassem os interesses da Coroa: incorreto. Havia instituições locais (câmaras, elites) e representação; o conflito derivava da tensão entre interesses locais e as exigências fiscais da Coroa, não da falta de poderes locais pró-Coroa.
Dica de interpretação: ao ver “Minas” + “expansão mineradora” conecte imediatamente a impostos (quinto, derrama). Em provas, priorize causas estruturais (fiscalidade, controle colonial) em vez de causas sociais anacrônicas.
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