Há exatos duzentos anos, em 1810, D. João VI, príncipe regente de Portugal, assinou com o
governo inglês os tratados de Aliança e Amizade e os tratados de Comércio e navegação. De
acordo com o segundo tratado, foram estabelecidas novas taxas alfandegárias para os produtos
importados pelo Brasil: 15% ad valorem para os produtos ingleses, 16% ad valorem para os
produtos portugueses, 24% ad valorem para os produtos dos demais países.
Considerando as relações entre Inglaterra, Portugal e Brasil, no período citado, assinale a
alternativa que apresenta CORRETAMENTE os motivos que levaram às alterações nas taxas
alfandegárias da colônia portuguesa.
Há exatos duzentos anos, em 1810, D. João VI, príncipe regente de Portugal, assinou com o governo inglês os tratados de Aliança e Amizade e os tratados de Comércio e navegação. De acordo com o segundo tratado, foram estabelecidas novas taxas alfandegárias para os produtos importados pelo Brasil: 15% ad valorem para os produtos ingleses, 16% ad valorem para os produtos portugueses, 24% ad valorem para os produtos dos demais países.
Considerando as relações entre Inglaterra, Portugal e Brasil, no período citado, assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE os motivos que levaram às alterações nas taxas alfandegárias da colônia portuguesa.
Gabarito comentado
Alternativa correta: B
1) Tema central
Trata-se da política comercial entre Portugal, Brasil e Inglaterra no contexto das Guerras Napoleônicas: a transferência da corte para o Brasil (1808) e os tratados anglo-portugueses de 1810, que concederam privilégios comerciais aos britânicos. Entender esse contexto político-militar é essencial para interpretar por que as tarifas alfandegárias foram alteradas.
2) Resumo teórico
Com a invasão napoleônica a Portugal (1807) a Família Real refugiou-se no Rio de Janeiro (1808). A presença britânica foi decisiva: a Marinha inglesa protegeu o transporte e a segurança da coroa. Em troca, a Inglaterra exigiu vantagens comerciais. O Alvará de 1808 abriu os portos; os Tratados de 1810 formalizaram tarifas preferenciais a produtos ingleses (menores alíquotas) como contrapartida pelo apoio político e militar.
Fontes: Alvará de 28/01/1808 (abertura dos portos); Tratados Anglo‑Portugueses de 1810; obras sobre o tema: Caio Prado Júnior, Formação do Brasil Contemporâneo; análises de história diplomática sobre as relações luso‑britânicas.
3) Por que a alternativa B está correta?
A opção B identifica as causas políticas e práticas: a migração da família real e o auxílio inglês (proteção e transporte naval) explicam o pagamento em cláusulas comerciais — isto é, tarifas mais favoráveis aos ingleses como retribuição e garantia de abastecimento da colônia enquanto a metrópole estava ocupada. Isso corresponde ao vínculo direto entre ajuda militar/diplomática e concessões comerciais dos tratados de 1810.
4) Por que as outras alternativas estão incorretas?
A — Incorreta: o argumento sobre maquinário para produção aurífera não é compatível com a realidade de 1810; a mineração já decaía, mas a questão das tarifas estava ligada à política externa, não à importação de máquinas para ouro.
C — Incorreta: o tratado não foi motivado por medo de conjurações internas nem destinado prioritariamente à aquisição de armas; a ação britânica era estratégica e comercial, não uma simples venda de armamentos para reprimir motins.
D — Incorreta: embora a ocupação de Portugal por Napoleão e a migração da corte sejam parte do contexto, o tratado de Comércio e Navegação de 1810 não “abriu os portos para todas as nações independentes”; ao contrário, institucionalizou privilégios comerciais à Inglaterra (tarifas reduzidas), não liberalizou em igualdade para todas as nações.
5) Estratégia para provas
- Identifique o contexto temporal e a relação entre política externa e economia.
- Desconfie de alternativas que misturam causas internas (conjurações, mineração) com decisões claramente externas (alianças diplomáticas).
- Procure palavras‑chave: “ajuda inglesa”, “migração da família real”, “tratado” indicam vínculo político‑comercial — pista para a resposta.
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