Questão 4faaf271-77
Prova:PUC - PR 2012
Disciplina:História
Assunto:História do Brasil

Deturpando a Teoria da Evolução de Darwin, Herbert Spencer criou o darwinismo social, muito usado durante o século XIX, quando da expansão imperialista europeia, em que o continente via-se como centro irradiador de cultura e civilização, pois em um estágio mais avançado de evolução histórica, dava-se ao direito de afirmar a superioridade de brancos europeus sobre os demais.

No Brasil também se sentiram esses efeitos, tendo início o “branqueamento da população” do país, que consistia em:

A
Uma política ilegal da aristocracia rural, que deu início à imigração de europeus para trabalharem nas fazendas e indústrias brasileiras.
B
Ações de grupos racistas que promoviam a perseguição e a morte de diversos elementos, desde descendentes de índios, até negros recém-libertos que compunham a sociedade estratificada.
C
Formas de substituir os elementos que não fossem europeus, da cultura e da economia, de modo a constituir uma história centrada na valorização da Europa.
D
Uma política que proibia a entrada dos imigrantes que desembarcavam no país que não fossem europeus, forçando sua extradição.
E
Uma política muitas vezes estimulada pelo Estado, para que, além de obter mão de obra imigrante, ao mesmo tempo se povoasse o país, com vistas a proteger a unidade territorial, e o elemento europeu “civilizasse” a população.

Gabarito comentado

A
Anderson MaiaMonitor do Qconcursos

Gabarito: E

1. Tema central

Trata-se do “branqueamento” no Brasil – política e ideologia vinculadas ao darwinismo social (Herbert Spencer) que justificavam a preferência por imigrantes europeus como forma de “melhorar” a composição racial e cultural do país. É importante relacionar esse tema ao contexto pós‑abolição (1888), à busca por mão de obra e ao projeto de povoamento de fronteiras.

2. Resumo teórico

O darwinismo social distorceu a obra de Darwin para afirmar hierarquias entre povos. No Brasil, elites e parte do Estado incentivaram imigração europeia (subvenções, facilitação de terra, propagandas) para suprir a falta de trabalho assalariado e, ideologicamente, “clarear” a população. Fontes úteis: FREYRE, Casa‑Grande & Senzala; SKIDMORE, Brazil: Five Centuries of Change; estudos de Florestan Fernandes sobre raça e exclusão.

3. Justificativa da alternativa correta (E)

A alternativa E descreve com precisão que o branqueamento foi muitas vezes estimulado pelo Estado: visa obter mão de obra, povoar o território (fronteiras) e promover a ideia de que o elemento europeu “civilizaria” a população. Isso combina motivações econômicas e ideológicas documentadas nas políticas migratórias e propaganda oficial do período.

4. Por que as outras alternativas estão erradas

A — Falsa ao afirmar que foi “política ilegal da aristocracia”: a imigração europeia teve apoio formal e incentivos de governos provinciais e federal (isto é, não era ilegal nem exclusiva da aristocracia).

B — Confunde branqueamento com violência racista direta em forma de perseguição/extermínio; embora o racismo existisse, o branqueamento foi uma política demográfica e ideológica, não um programa de assassinatos em massa.

C — Muito vaga: fala em “substituir elementos não europeus” cultural/economicamente. Parte é conceitualmente próxima, mas não enfatiza o caráter estatal e a ênfase na imigração europeia para povoar e obter mão de obra, elementos centrais da política.

D — Incorreta: não houve uma política geral de proibir imigrantes não europeus; ao contrário, houve preferência e incentivos a europeus, não deportação massiva de não europeus.

5. Estratégia para resolver questões similares

Procure palavras‑chave do enunciado (Estado, imigração, povoar, mão de obra, “civilizar”) e coloque-as em diálogo com o contexto temporal (pós‑1888). Desconfie de alternativas que exagerem (extermínio, ilegalidade total) ou que sejam muito genéricas.

Fontes sugeridas: Gilberto Freyre (Casa‑Grande & Senzala), Florestan Fernandes (A integração do negro), Thomas Skidmore (Brazil: Five Centuries of Change); Lei de Terras (1850) e relatórios migratórios do final do séc. XIX ajudam a contextualizar.

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