Questão 4e611d7f-b6
Prova:UECE 2010
Disciplina:História
Assunto:Período Colonial: produção de riqueza e escravismo, História do Brasil

Leia o fragmento abaixo atentamente ''Em seguida, veio a mãe de D. João, em seus 73 anos, a rainha Maria I. Dizem que quando a carruagem corria para as docas, ela teria gritado: não vá tão depressa, pensarão que estamos fugindo. Ao chegar ao porto, ela teria se recusado a descer...''

WILCKEN, Patrick. Império à deriva: a corte portuguesa no Rio de Janeiro (1808-1821). Rio de Janeiro: Objetiva, 2010, p. 44-46.

O episódio narrado acima está relacionado com a

A
fuga da Família Real Portuguesa para a Colônia Brasileira.
B
chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro.
C
chegada da Família Real Portuguesa a Salvador, primeiro porto após a fuga de Portugal.
D
fuga da Família Real Portuguesa de Recife, antes do desembarque no Rio de Janeiro.

Gabarito comentado

A
Anderson MaiaMonitor do Qconcursos

Alternativa correta: A - fuga da Família Real Portuguesa para a Colônia Brasileira.

Tema central: trata-se da transferência da corte portuguesa para o Brasil (fim de 1807/início de 1808), episódio-chave da história do Brasil que muda a relação entre metrópole e colônia. Para resolver a questão é preciso reconhecer pistas textuais (personagens, fala, atitude) e relacioná‑las ao contexto das invasões napoleônicas.

Resumo teórico e contexto: com a ameaça das tropas napoleônicas e a ocupação de grande parte da Europa, a família real portuguesa, sob a regência de D. João (futuro D. João VI), deixou Lisboa no fim de 1807 rumo ao Rio de Janeiro, instalando‑se na colônia. A rainha Maria I, já idosa e com problemas de saúde mental, acompanhou a partida — episódios de emoção e resistência ao desembarque são registrados nas crônicas da época (ver Wilcken; Fausto).

Justificativa da alternativa A: o fragmento descreve a rainha no momento em que a carruagem vai "para as docas" e ela teme que "pensarão que estamos fugindo" — fala e comportamento compatíveis com a partida da corte de Portugal. A recusa em descer no porto também indica trauma e resistência ligados ao ato de deixar a metrópole. Portanto, o texto refere‑se à fuga da Família Real.

Análise das alternativas incorretas:

B (chegada ao Rio de Janeiro): incorreta — o trecho evoca o movimento de saída e o medo de "ser visto fugindo", não uma chegada triunfal. A recusa em descer reforça a ideia de não querer desembarcar, característica da partida.

C (chegada a Salvador): incorreta — o fragmento não indica local específico de chegada na colônia; o núcleo do trecho é a fuga da corte, não um desembarque em Salvador.

D (fuga de Recife antes do desembarque no Rio): incorreta — não há referência a Recife nem ao movimento logístico descrito. O foco é a saída da metrópole, não manobras entre portos brasileiros.

Dica de prova: atente para palavras‑chave (docas/porto, "fugindo", recusa em descer). Pergunte-se: o enunciado descreve partida ou chegada? Verbo e atitude indicam partida — sinal seguro para escolher a alternativa correta.

Fontes: WILCKEN, Patrick. Império à deriva: a corte portuguesa no Rio de Janeiro (1808-1821). Rio de Janeiro: Objetiva, 2010; FAUSTO, Boris. História do Brasil.

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