Questão 4e5b45a8-b6
Prova:UECE 2010
Disciplina:História
Assunto:Período Colonial: produção de riqueza e escravismo, Mercantilismo, Colonialismo e a ocupação portuguesa no Brasil, História do Brasil

Acerca do processo de colonização brasileiro, marque a afirmação verdadeira.

A
O Brasil foi, durante o período colonial, povoado por errantes e aventureiros, avessos ao casamento e à família bem como a qualquer tipo de religião ou mesmo culto religioso.
B
O Brasil foi ocupado por uma multidão de malfeitores e condenados que rapidamente se uniam com várias índias ao mesmo tempo, adotando sem demora a poligamia indígena.
C
No Brasil vigorou a idéia da casa grande como núcleo de numerosa família de parentes, agregados e escravos em que as diferenças de raça e de classe foram esquecidas.
D
Os agentes eclesiásticos da colonização tentaram transformar o Brasil numa sociedade na qual se difundiu o modelo matrimonial cristão: uniões sacramentadas, família conjugal e austeridade.

Gabarito comentado

G
Gabrielle FrancoMonitor do Qconcursos

Gabarito: Alternativa D

Tema central: trata-se da atuação das instituições coloniais — sobretudo da Igreja — na formação das práticas matrimoniais e familiares no Brasil colonial. É fundamental entender o papel da Igreja Católica, dos jesuítas e da legislação colonial na promoção do casamento sacramental e na tentativa de impor modelos europeus de família.

Resumo teórico: A colonização portuguesa buscou cristianizar e organizar a sociedade. A Igreja (bispos, padres, jesuítas) promoveu o casamento católico, registros paroquiais e a moral sexual cristã. Essa ação visava criar famílias monogâmicas e legitimar heranças e hierarquias sociais. Fontes úteis: Boris Fausto, "História do Brasil"; Sérgio Buarque de Holanda, "Raízes do Brasil"; documentos da Companhia de Jesus e as normas do Concílio de Trento (1545–1563) que reforçaram a disciplina eclesiástica.

Por que a alternativa D é correta: Ela afirma que os agentes eclesiásticos procuraram difundir o modelo matrimonial cristão — uniões sacramentadas, família conjugal e austeridade — o que corresponde ao projeto missionário colonial. Os registros paroquiais (batismo, casamento, óbito) e as campanhas catequéticas comprovam essa atuação sistêmica.

Análise das alternativas incorretas:

A — exagera e descreve o colonizador como avesso à família e à religião. Na prática, a família e a religião foram centrais; a Igreja trabalhou ativamente para institucionalizá‑las.

B — afirma que colonizadores eram majoritariamente malfeitores que adotaram poligamia rapidamente. É um estereótipo falso: embora houvesse relações informais com indígenas, a política oficial eclesiástica e legal buscava a monogamia cristã e a legitimação das uniões.

C — apresenta a “casa grande” como local onde diferenças de raça e classe foram esquecidas. Ao contrário, a casa grande reproduzia desigualdades: senhores, parentes e escravizados ocupavam posições sociais distintas; raça e classe foram marcadores centrais.

Dica de prova: procure palavras-chave: “agentes eclesiásticos”, “uniões sacramentadas” e “difusão do modelo matrimonial” indicam coerência com a historiografia. Cuidado com alternativas que generalizam ou naturalizam comportamentos (ex.: poligamia generalizada, esquecimento de desigualdades).

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