Leia a seguir os trechos de ―Consideração do poema‖, integrante do livro A rosa do povo, de
Carlos Drummond de Andrade.
Uma pedra no meio do caminho
ou apenas um rastro, não importa.
Estes poetas são meus. De todo o orgulho,
de toda a precisão se incorporaram
ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinicius
sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.
Que Neruda me dê sua gravata
chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus, Maiakovski.
São todos meus irmãos, não são jornais
nem deslizar de lancha entre camélias:
é toda a minha vida que joguei.
[...]
Saber que há tudo. E mover-se em meio
a milhões e milhões de formas raras,
secretas, duras. Eis aí meu canto.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. Rio
de Janeiro: Bestbolso, 2009. p. 139-140.
Nesses trechos, além da função poética, ocorre predominantemente a função
Leia a seguir os trechos de ―Consideração do poema‖, integrante do livro A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade.
Uma pedra no meio do caminho
ou apenas um rastro, não importa.
Estes poetas são meus. De todo o orgulho,
de toda a precisão se incorporaram
ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinicius
sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.
Que Neruda me dê sua gravata
chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus, Maiakovski.
São todos meus irmãos, não são jornais
nem deslizar de lancha entre camélias:
é toda a minha vida que joguei.
[...]
Saber que há tudo. E mover-se em meio
a milhões e milhões de formas raras,
secretas, duras. Eis aí meu canto.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. Rio de Janeiro: Bestbolso, 2009. p. 139-140.
Nesses trechos, além da função poética, ocorre predominantemente a função
Gabarito comentado
Gabarito: D
Fundamento decisivo: A função metalinguística predomina porque o texto se volta para o próprio fazer poético: “Eis aí meu canto.”, articulado a “Saber que há tudo. E mover-se em meio a milhões e milhões de formas raras, secretas, duras.”, mostra a reflexão do eu-lírico sobre a constituição de seu canto, o que conduz ao gabarito D.
- Se o texto fala do próprio poema, do canto, da linguagem ou do ato de compor, verifique a função metalinguística.
- Não confunda citação de nomes, autores ou referências culturais com função referencial; observe para que essas referências estão sendo usadas no texto.
- Leia a alternativa inteira: às vezes o rótulo parece plausível, mas a justificativa interna a torna falsa.
- Quando o enunciado já reconhece a função poética, procure a outra função predominante no foco comunicativo do trecho.






