Questão 4ac78fed-df
Prova:UFRN 2012
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.

Leia a seguir os trechos de ―Consideração do poema‖, integrante do livro A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade.


Uma pedra no meio do caminho

ou apenas um rastro, não importa.

Estes poetas são meus. De todo o orgulho,

de toda a precisão se incorporaram

ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinicius

sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.

Que Neruda me dê sua gravata

chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus, Maiakovski.

São todos meus irmãos, não são jornais

nem deslizar de lancha entre camélias:

é toda a minha vida que joguei.

[...]

Saber que há tudo. E mover-se em meio

a milhões e milhões de formas raras,

secretas, duras. Eis aí meu canto.


ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. Rio de Janeiro: Bestbolso, 2009. p. 139-140.


Nesses trechos, além da função poética, ocorre predominantemente a função

A
apelativa, percebida na persuasão do texto poético.
B
expressiva, percebida na ausência da subjetividade do eu-lírico.
C
referencial, percebida na alusão a outros poetas.
D
metalinguística, percebida na reflexão sobre o fazer poético.

Gabarito comentado

I
Isabella SilvaMonitor com apoio de IA

Gabarito: D

Fundamento decisivo: A função metalinguística predomina porque o texto se volta para o próprio fazer poético: “Eis aí meu canto.”, articulado a “Saber que há tudo. E mover-se em meio a milhões e milhões de formas raras, secretas, duras.”, mostra a reflexão do eu-lírico sobre a constituição de seu canto, o que conduz ao gabarito D.

Tema central: função metalinguística
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque a função apelativa exige foco no receptor, com marcas de chamamento, injunção ou persuasão. Nos trechos, não há vocativos, imperativos dirigidos ao leitor nem tentativa predominante de convencê-lo. O núcleo do texto é a elaboração do próprio canto poético.
B
Errada
Está errada porque a própria justificativa invalida a alternativa: não há ausência de subjetividade. Pelo contrário, o texto é marcado por “meus”, “me perco”, “minha vida”, “meu canto”, o que evidencia fortemente o eu-lírico. Além disso, a função expressiva se associa à manifestação da subjetividade, não à sua ausência.
C
Errada
Está errada porque as alusões a outros poetas não têm finalidade predominantemente informativa nem objetiva. Os nomes citados aparecem integrados à reflexão do eu-lírico sobre como seu canto se forma. Portanto, o foco não recai sobre o referente externo, mas sobre o próprio fazer poético.
D
Certa
A alternativa D está correta porque os trechos tematizam o próprio poema e a formação da voz poética do eu-lírico. Isso aparece quando ele incorpora outros poetas à constituição de seu canto — “Estes poetas são meus.”, “Furto a Vinicius sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo. Que Neruda me dê sua gravata chamejante. Me perco em Apollinaire.” — e culmina em “Eis aí meu canto.”. As referências a autores funcionam como material de composição da própria poesia, não como informação objetiva sobre eles.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: induz à função referencial pela presença de nomes de poetas e tenta atrair para a expressiva com uma justificativa contraditória, baseada na suposta ausência de subjetividade, quando o texto justamente exibe essa subjetividade.
Dica para questões semelhantes
  • Se o texto fala do próprio poema, do canto, da linguagem ou do ato de compor, verifique a função metalinguística.
  • Não confunda citação de nomes, autores ou referências culturais com função referencial; observe para que essas referências estão sendo usadas no texto.
  • Leia a alternativa inteira: às vezes o rótulo parece plausível, mas a justificativa interna a torna falsa.
  • Quando o enunciado já reconhece a função poética, procure a outra função predominante no foco comunicativo do trecho.

Estatísticas

Aulas sobre o assunto

Questões para exercitar

Artigos relacionados

Dicas de estudo