Leia o extrato a seguir:
“A imprensa, o rádio, a televisão, o cinema são indústrias ultra-ligeiras. Ligeiras pelo aparelhamento produtor,
são ultra-ligeiras pela mercadoria produzida: esta fica gravada sobre a folha do jornal, sobre a película
cinematográfica, voa sobre as ondas e, no momento do consumo, torna-se impalpável, uma vez que esse consumo
é psíquico. Entretanto, essa indústria ultra-ligeira está organizada segundo o modelo da indústria de maior
concentração técnica e econômica. No quadro privado, alguns grandes grupos de imprensa, algumas grandes
cadeias de rádio e televisão, algumas sociedades cinematográficas concentram em seu poder o aparelhamento
(rotativas, estúdios) e dominam as comunicações de massa. No quadro público, é o Estado que assegura a
concentração”.
(MORIN, Edgard. “A indústria cultural” In: FORACCHI, Marialice Mencarini & MARTINS,
José de Souza (org.). Sociologia e Sociedade: leituras de introdução à sociologia.
Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1977, p.300).
O texto é de um dos mais importantes pensadores da atualidade, o sociólogo, antropólogo e filósofo francês
Edgard Morin (1921). Sobre o tema tratado pelo autor, a questão da “indústria cultural” - termo cunhado pelos
autores da chamada Escola de Frankfurt, Theodor Adorno e Max Horkheimer -, assinale a alternativa correta:
Gabarito comentado
Resposta correta: alternativa B
Tema central: trata-se da indústria cultural — conceito da Escola de Frankfurt que denuncia como cultura produzida em massa se transforma em mercadoria, padroniza gostos e reduz o pensamento crítico. É fundamental para provas de História Geral e Sociologia.
Resumo teórico: Adorno e Horkheimer (Dialectic of Enlightenment, 1944) mostram que a cultura de massa é organizada como indústria: produtos padronizados, reprodução em larga escala e objetivo lucrativo. Edgard Morin (1977) complementa ao chamar esses meios de “ultra-ligeiros” (fáceis de difundir) mas controlados por grandes grupos ou pelo Estado — ou seja, alta concentração econômica e técnica.
Por que a alternativa B é correta? Porque afirma que a produção cultural de massa transforma cultura em mercadoria e nivela valores e padrões estéticos — exatamente o núcleo da crítica frankfurtiana e compatível com a observação de Morin sobre concentração e padronização. A indústria cultural visa ao lucro e ao controle de significados, não à diversidade estética espontânea.
Análise das alternativas incorretas:
A — Incorreta: mistura verdade (organização burocrática e produção padronizada) com erro ao afirmar que busca individualização e novidade desejadas pelos consumidores; a crítica aponta o oposto: homogeneização e ilusão de novidade.
C — Incorreta: fala em equilíbrio entre economia, técnica e criatividade. Na prática há predominância dos interesses econômicos e técnicos sobre a criatividade autêntica.
D — Incorreta e contraditória: indústria cultural visa lucro; consumidores são tratados como mercado (clientes), e a linguagem de “fã” não exclui a lógica comercial. Produtos não são vendidos a preço de custo.
E — Incorreta: apresenta um otimismo ingênuo — associa produção em série a promoção da criatividade e ao aumento da consciência crítica. Pelo contrário, a crítica clássica sustenta que a indústria cultural reduz a capacidade crítica, ampliando conformismo.
Fontes sugeridas: Theodor Adorno & Max Horkheimer, Dialectic of Enlightenment (1944); Edgard Morin, “A indústria cultural” (1977).
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