Os obstáculos à efetiva utilização, pelo continente africano, das
riquezas citadas no texto, estão relacionados ao fato histórico
gerador de todos os demais problemas, ou seja.
Não é de hoje que o mundo está de olho nas
riquezas africanas. Desde o século XV, quando
os europeus iniciaram a ocupação da África, o
continente vem sendo pilhado. Afinal, lá estão 75%
do cobalto, dois terços dos diamantes, mais da
metade do ouro e um terço do urânio de todo o
planeta. Estima-se que possam ser extraídos do
continente africano 125 bilhões de barris de
petróleo, o que representa cerca de 10% das
reservas mundiais.
(ÁFRICA..., 2010, p. 34).
Não é de hoje que o mundo está de olho nas riquezas africanas. Desde o século XV, quando os europeus iniciaram a ocupação da África, o continente vem sendo pilhado. Afinal, lá estão 75% do cobalto, dois terços dos diamantes, mais da metade do ouro e um terço do urânio de todo o planeta. Estima-se que possam ser extraídos do continente africano 125 bilhões de barris de petróleo, o que representa cerca de 10% das reservas mundiais.
(ÁFRICA..., 2010, p. 34).
Gabarito comentado
Resposta: Alternativa B
Tema central: a questão trata da origem histórica dos obstáculos que impedem a África de beneficiar-se plenamente de suas riquezas — ou seja, procurar o fator estrutural gerador dos demais problemas.
Resumo teórico: desde o século XV a África foi reorganizada por colonialismo, criando economias extrativistas, fronteiras artificiais e instituições fracas. No pós‑colonialismo, formas de neocolonialismo/neo‑imperialismo (intervenções externas, apoio a regimes aliados, atuação de multinacionais) perpetuaram dependência e conflitos. Conceitos-chaves: teoria da dependência (ex.: Walter Rodney, How Europe Underdeveloped Africa, 1972), e "resource curse" (ex.: Auty, 1993; Sachs & Warner, 1995). Relatórios do Banco Mundial e da UNCTAD explicam como instituições frágeis e intervenção externa prejudicam o desenvolvimento.
Por que a alternativa B está correta: ela identifica a ação histórica mais abrangente — colonialismo e suas continuações contemporâneas — como geradoras de dominação, fomento de conflitos étnicos (fronteiras coloniais que dividiram e agruparam povos) e apoio externo a governos frágeis que mantêm a exploração dos recursos. Esse quadro explica por que as riquezas naturais não se traduzem em desenvolvimento para a população local.
Análise das alternativas incorretas:
A — Invoca "invasões indianas e chinesas" e "submissão ao socialismo": historicamente impreciso. Índia/China têm presença econômica recente, não invasões coloniais desde o séc. XV; o problema global origina‑se no imperialismo europeu.
C — Conflitos como a Guerra do Golfo ou no Afeganistão não são causas estruturais do subdesenvolvimento africano; poucas nações africanas participaram decisivamente nesses conflitos.
D — Desastres naturais existem, mas não são a causa histórica primária da má utilização dos recursos; a explicação busca processos humanos e institucionais de longa duração.
E — Apelo ao "baixo nível cultural" e "tribalismo" é explicação culturalista e preconceituosa; ignora fatores estruturais e históricos (colonialismo, instituições, políticas externas).
Estratégia para resolver: ao ver "fator histórico gerador de todos os demais problemas", procure respostas que apontem processos estruturais e de longa duração (colonialismo, dependência). Desconfie de alternativas que culpam cultura, catástrofes naturais ou eventos isolados.
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