Questão 29a1655d-ec
Prova:CÁSPER LÍBERO 2011
Disciplina:Literatura
Assunto:Gênero Dramático, Gêneros Literários

Em Auto da barca do inferno, de Gil Vicente, o Anjo se recusa a embarcar o sapateiro. “Essa barca que lá está/ leva quem rouba de praça (...) Tu roubaste bem trint’anos/ o povo com teu mester”. No período da baixa Idade Média, os artesãos organizavam-se em corporações de ofício que tinham como função, entre outras, definir padrões de preço e qualidade. Sobre essas corporações, é correto afirmar que:

A
Eram organizações urbanas de produtores que se distinguiam dos servos pela liberdade de propriedade e pelo direito de ir e vir, as quais se legitimavam pelo poder público municipal, contraposto ao poder exercido pelos senhores feudais.
B
Serviam aos interesses dos mestres tradicionais, que se vinculavam aos senhores feudais como servos. Por meio dessas corporações, os mestres monopolizavam a produção artesanal e garantiam aos familiares exclusividade como aprendizes.
C
Não foram respeitadas pelos artesãos e não puderam impedir a acumulação de riqueza em dinheiro, dando origem às manufaturas modernas, baseadas no trabalho livre assalariado e desvinculando-se definitivamente do modo de vida pautado pela moral cristã.
D
Foram apoiadas pelos senhores feudais em razão do aumento de impostos que a organização coletiva e o incremento da produtividade geraram. Igual apoio lhes deu a Igreja, que viu ampliarem os donativos provenientes da classe dos artesãos.
E
A função social central delas era a de manter os preços dos produtos manufaturados acessíveis aos vilões e camponeses, realizando a integração entre cidade e campo, garantindo o equilíbrio da sociedade feudal.

Gabarito comentado

E
Elisa Pontes Monitor com apoio de IA

Gabarito: A

Fundamento decisivo: A questão se resolve pela identificação das corporações de ofício como organização urbana da baixa Idade Média, formada por artesãos livres e regulada no âmbito municipal, em contraste com a condição servil típica do feudalismo rural; por isso, a alternativa A corresponde ao quadro histórico correto.

Tema central: Corporações de ofício medievais
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A acerta ao caracterizar as corporações de ofício como organizações urbanas de produtores que não se confundiam com servos. Esse é o ponto central: tratava-se de instituições típicas do crescimento urbano medieval, formadas por artesãos livres, com função reguladora sobre aprendizagem, qualidade, técnicas, preços e produção. Também é compatível com a base afirmar sua legitimação no âmbito municipal, em contraste com a lógica senhorial própria do feudo rural. A ressalva técnica é que essa oposição entre poder municipal e poder senhorial não deve ser tomada como absoluta em todos os contextos, mas, no padrão didático da questão, a formulação permanece correta.
B
Errada
Está errada porque atribui aos mestres artesãos condição servil perante senhores feudais. Esse ponto contraria diretamente o critério histórico decisivo da questão: mestres de corporações de ofício pertenciam ao universo urbano e não se definiam como servos. A hierarquia interna da corporação não equivale a dependência servil feudal.
C
Errada
Está errada por fazer uma leitura teleológica e anacrônica. A alternativa reduz as corporações a uma etapa fracassada que teria levado, de modo direto e uniforme, às manufaturas modernas, além de afirmar uma ruptura definitiva com a moral cristã. A base exclui essa generalização: a transição para as manufaturas foi um processo longo e heterogêneo, e isso não define a essência das corporações medievais.
D
Errada
Está errada porque apresenta como traço definidor das corporações o apoio dos senhores feudais e da Igreja, com base em arrecadação, produtividade e donativos. Esse não é o fundamento histórico dessas instituições. Pela base, sua inserção estrutural está no mundo urbano e municipal, não em um suposto patrocínio feudal e eclesiástico como característica central.
E
Errada
Está errada porque falsifica a função central das corporações. O controle de preços e qualidade não significava política de barateamento para vilões e camponeses nem um projeto de integração cidade-campo para preservar o equilíbrio feudal. A função principal era regular o ofício e proteger os interesses do corpo profissional, controlando concorrência, acesso e padrões de produção.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre artesão urbano organizado em corporação e servo submetido à lógica senhorial, além de induzir o erro de interpretar a regulação de preços como política social voltada ao consumidor pobre.
Dica para questões semelhantes
  • Se o enunciado mencionar corporação de ofício, pense primeiro em cidade medieval, artesanato organizado e produtores livres, não em servidão rural.
  • Controle de preços, qualidade e aprendizagem indica função reguladora do ofício, não finalidade de barateamento social amplo.
  • Desconfie de alternativas que tratem instituições medievais urbanas como simples etapa rumo às manufaturas modernas ou ao capitalismo.
  • Quando aparecer a oposição entre cidade e feudo, use-a como critério histórico, mas sem transformar essa diferença em separação absoluta em todos os casos.

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