“Lisboa, agosto de 1499. D. Manoel escreve ao papa anunciando o retorno de Vasco da Gama da primeira viagem marítima à Índia e outorga-se um novo título: “Rei de Portugal e dos Algarves d’aquém e d’além-mar em África, Senhor de Guiné e da Conquista da Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e […] Índia”. Respaldado pelas bulas pontificais e nas caravelas, el-rei podia se atribuir o senhorio dos tratos e territórios longínquos que se conectavam à Europa. Tudo se tornará bem mais complicado quando a Metrópole tentar pôr em prática sua política no ultramar”
ALENCASTRO, Luiz Felipe de. Trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo, Cia das Letras, 2000, p. 11.
ALENCASTRO, Luiz Felipe de. Trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo, Cia das Letras, 2000, p. 11.
Gabarito comentado
Resposta: Alternativa B
Tema central: Expansão marítima portuguesa nos séculos XV–XVI — motivações, condições técnicas e políticas que permitiram aos portugueses abrir rotas oceânicas e estabelecer um império ultramarino.
Resumo teórico: A expansão portuguesa resultou da combinação de fatores políticos (centralização da monarquia sob a Dinastia de Avis), econômicos (investimento privado e público em comércio lucrativo), tecnológicos (caravelas, instrumentos de navegação, cartas portulanas) e conhecimentos acumulados — parte deles provenientes do contato com tecnologias e práticas mediterrâneas e islâmicas. Havia também legitimidade religiosa (bulas papais), mas esta foi um elemento de apoio ideológico e diplomático, não a causa única. (Ver: Alencastro; Diffie & Winius; Boxer).
Por que a alternativa B está correta: Afirma que os portugueses foram pioneiros por reunirem fatores favoráveis — centralização política, capitais e conhecimento técnico (incluindo influências árabes e genovesas) — o que sintetiza bem a historiografia. Esses elementos explicam a capacidade portuguesa de financiar expedições, inovar na construção naval e projetar poder marítimo antes de outras potências atlânticas.
Análise das alternativas incorretas:
A — Errada: exagera o papel do papa como causa principal. As bulas deram respaldo jurídico e moral, mas as motivações centrais eram econômicas e estratégicas (controle de rotas comerciais e lucros com especiarias), não apenas a luta religiosa.
C — Errada: o título real revela ambições de domínio comercial e territorial na África e Ásia; porém, reduzir isso à “construção de relações diplomáticas” é míope. Em muitos casos houve alianças, mas também coerção, comércio monopolizado e missão religiosa — o caso do Congo tem nuances diferentes das políticas gerais.
D — Errada: mineração de prata impulsionou a Espanha, mas a afirmação de que só os espanhóis efetivaram conquistas é falsa. Portugal construiu postos e domínios na África, Índias e, depois, no Brasil. A busca por metais foi um dos motivos, não o único, e ambos os reinos agiram de formas distintas.
E — Errada: a rota descoberta por Vasco da Gama foi marítima contornando a África (rota oriental), não “transatlântica”. Além disso, a rota às Índias mostrou-se muito lucrativa devido ao comércio de especiarias — o Império Ultramarino português já existia antes da colonização em massa do Brasil.
Dica de prova: identifique palavras-chave (p.ex. “legitimadas pelo papa”, “pioneiros”, “rota transatlântica”) e confronte com fatos históricos essenciais: motivos (econômicos/tecnológicos/políticos), tipo de rota (oriental vs. transatlântica) e exemplos concretos.
Fontes sugeridas: Luiz Felipe de Alencastro, Trato dos viventes; Diffie & Winius, Foundations of the Portuguese Empire; Charles R. Boxer, The Portuguese Seaborne Empire.
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