No 8° parágrafo do texto, não há uniformidade de tratamento, pois primeiramente está
empregado o pronome de 2ª pessoa do singular e, ao final, o verbo está conjugado na 3ª pessoa do singular.
Em qual das frases abaixo, ocorre esse mesmo problema?
No 8° parágrafo do texto, não há uniformidade de tratamento, pois primeiramente está empregado o pronome de 2ª pessoa do singular e, ao final, o verbo está conjugado na 3ª pessoa do singular.
Em qual das frases abaixo, ocorre esse mesmo problema?
Leia o texto, para responder à questão.
Contra a mera “tolerância” das diferenças
Renan Quintanilha
“É preciso tolerar a diversidade”. Sempre que me defronto com esse tipo de colocação,
aparentemente progressista e bem intencionada, fico indignado. Não, não é preciso tolerar.
“Tolerar”, segundo qualquer dicionário, significa algo como “suportar com indulgência”, ou
seja, deixar passar com resignação, ainda que sem consentir expressamente com aquela
conduta.
“Tolerar” o que é diferente consiste, antes de qualquer coisa, em atribuir a “quem tolera”
um poder sobre “o que tolera”. Como se este dependesse do consentimento daquele para poder
existir. “Quem tolera” acaba visto, ainda, como generoso e benevolente, por dar uma “permissão”
como se fosse um favor ou um ato de bondade extrema.
Esse tipo de discurso, no fundo, nega o direito à existência autônoma do que é diferente
dos padrões construídos socialmente. Mais: funciona como um expediente do desejo de
estigmatizar o diferente e manter este às margens da cultura hegemônica, que traça a tênue
linha divisória entre o normal e o anormal.
Tolerar não deve ser celebrado e buscado nem como ideal político e tampouco como
virtude individual. Ainda que o argumento liberal enxergue, na tolerância, uma manifestação legítima e até necessária da igualdade moral básica entre os indivíduos, não é esse o seu sentido
recorrente nos discursos da política.
Com efeito, ainda que a defesa liberal-igualitária da tolerância, diante de discussões
controversas, postule que se trate de um respeito mútuo em um cenário de imparcialidade das
instituições frente a concepções morais mais gerais, isso não pode funcionar em um mundo
marcado por graves desigualdades estruturais.
Marcuse1 identificava dois tipos de tolerância: a passiva e a ativa. No primeiro caso, a
tolerância é vista como uma resignação e uma omissão diante de uma sociedade marcadamente
injusta em suas diversas dimensões. Por sua vez, no segundo caso, ele trata da tolerância
enquanto uma disposição efetiva de construção de uma sociedade igualitária. Não é este, no
entanto, o discurso mais recorrente da tolerância em nossos tempos.
Assim, quando alguém te disser que é preciso “tolerar” a liberdade das mulheres, os
direitos das pessoas LGBT, a busca por melhores condições de vida das pessoas pobres, as
reivindicações por igualdade material das pessoas negras, dentre outros segmentos vulneráveis,
simplesmente não problematize esse discurso.
Admitir a existência do outro não significa aceitá-lo em sua particularidade como
integrante da comunidade política. É preciso valorizar os laços mais profundos de reciprocidade e
respeito pelas diferenças, o que só o reconhecimento, estágio superior da tolerância, pode ajudar
a promover, como ensinou Axel Honneth2.
Diversidade é um valor em si mesmo e não depende da concordância dos que ocupam
posições de privilégios. Direitos e liberdades não se “toleram”. Devem ser respeitados e
promovidos, por serem conquistas jurídicas e políticas antecedidas de muitas lutas.
O que não se pode tolerar é o discurso aparentemente “benevolente” e “generoso” – mas
na verdade bem perverso – da “tolerância das diferenças”. Ninguém precisa da licença de
ninguém pra existir.
Disponível em:<http://revistacult.uol.com.br/home/2016/02/contra-a-mera-tolerancia-das-diferencas/> Acesso em: 03
mai 2016.
1 Marcuse: filósofo e sociólogo alemão, naturalizado norte-americano.
2 Axel Honneth: filósofo e sociólogo alemão.
Leia o texto, para responder à questão.
Contra a mera “tolerância” das diferenças
Renan Quintanilha
“É preciso tolerar a diversidade”. Sempre que me defronto com esse tipo de colocação, aparentemente progressista e bem intencionada, fico indignado. Não, não é preciso tolerar.
“Tolerar”, segundo qualquer dicionário, significa algo como “suportar com indulgência”, ou seja, deixar passar com resignação, ainda que sem consentir expressamente com aquela conduta.
“Tolerar” o que é diferente consiste, antes de qualquer coisa, em atribuir a “quem tolera” um poder sobre “o que tolera”. Como se este dependesse do consentimento daquele para poder existir. “Quem tolera” acaba visto, ainda, como generoso e benevolente, por dar uma “permissão” como se fosse um favor ou um ato de bondade extrema.
Esse tipo de discurso, no fundo, nega o direito à existência autônoma do que é diferente dos padrões construídos socialmente. Mais: funciona como um expediente do desejo de estigmatizar o diferente e manter este às margens da cultura hegemônica, que traça a tênue linha divisória entre o normal e o anormal.
Tolerar não deve ser celebrado e buscado nem como ideal político e tampouco como virtude individual. Ainda que o argumento liberal enxergue, na tolerância, uma manifestação legítima e até necessária da igualdade moral básica entre os indivíduos, não é esse o seu sentido recorrente nos discursos da política.
Com efeito, ainda que a defesa liberal-igualitária da tolerância, diante de discussões controversas, postule que se trate de um respeito mútuo em um cenário de imparcialidade das instituições frente a concepções morais mais gerais, isso não pode funcionar em um mundo marcado por graves desigualdades estruturais.
Marcuse1 identificava dois tipos de tolerância: a passiva e a ativa. No primeiro caso, a tolerância é vista como uma resignação e uma omissão diante de uma sociedade marcadamente injusta em suas diversas dimensões. Por sua vez, no segundo caso, ele trata da tolerância enquanto uma disposição efetiva de construção de uma sociedade igualitária. Não é este, no entanto, o discurso mais recorrente da tolerância em nossos tempos.
Assim, quando alguém te disser que é preciso “tolerar” a liberdade das mulheres, os direitos das pessoas LGBT, a busca por melhores condições de vida das pessoas pobres, as reivindicações por igualdade material das pessoas negras, dentre outros segmentos vulneráveis, simplesmente não problematize esse discurso.
Admitir a existência do outro não significa aceitá-lo em sua particularidade como integrante da comunidade política. É preciso valorizar os laços mais profundos de reciprocidade e respeito pelas diferenças, o que só o reconhecimento, estágio superior da tolerância, pode ajudar a promover, como ensinou Axel Honneth2.
Diversidade é um valor em si mesmo e não depende da concordância dos que ocupam posições de privilégios. Direitos e liberdades não se “toleram”. Devem ser respeitados e promovidos, por serem conquistas jurídicas e políticas antecedidas de muitas lutas.
O que não se pode tolerar é o discurso aparentemente “benevolente” e “generoso” – mas na verdade bem perverso – da “tolerância das diferenças”. Ninguém precisa da licença de ninguém pra existir.
Disponível em:<http://revistacult.uol.com.br/home/2016/02/contra-a-mera-tolerancia-das-diferencas/>
Gabarito comentado
Tema central: A questão aborda concordância verbal e a uniformidade de tratamento verbal com pronomes pessoais, exigindo atenção à coerência na conjugação de verbos considerando a pessoa utilizada (2ª ou 3ª pessoa do singular).
Na norma-padrão, quando se adota o pronome “tu”, todos os verbos seguintes no período devem ser conjugados na 2ª pessoa do singular. O mesmo vale para construções com sujeito elíptico (omitido), desde que o contexto se mantenha. Misturar conjugações (trocar para a 3ª pessoa) provoca incoerência, caracterizando vício de linguagem, conforme pontuam Bechara e Cunha & Cintra em suas gramáticas.
Justificativa para a alternativa correta:
Alternativa A: “Caso queiras justiça, requeira teus direitos.”
Perceba que há falta de uniformidade: “queiras” está na 2ª pessoa do singular, coerente com “tu”, mas “requeira” (em vez de “requeiras”) passa irregularmente para a 3ª pessoa. O correto pela norma culta: “Caso queiras justiça, requeiras teus direitos.”
Análise das alternativas incorretas:
B) Se tu queres que ele seja feliz, não te interponhas entre o casal.
Todas as formas verbais estão corretas e coerentes: “queres” e “interponhas” (2ª pessoa do singular).
C) Se tens um pouco de consideração por ela, dá crédito a suas palavras.
Os verbos “tens” (2ª pessoa) e “dá” são formas equivalentes dentro do uso do discurso direto. Há uniformidade.
D) Caso pretendas fazer a reunião, dispõe de todos os documentos para prévia avaliação.
Aqui também “pretendas” e “dispõe” seguem o padrão uniforme da 2ª pessoa, como é aceito nas regiões em que “tu” predomina.
Estratégia para a prova: Sempre confira se a conjugação verbal acompanha o sujeito (explícito ou implícito) ao longo da frase. Mudanças de pessoa verbal nas alternativas sugerem erro de concordância ou vício de tratamento, tema frequente em concursos.
Segundo Evanildo Bechara, a clareza e uniformidade são essenciais, sobretudo na redação oficial e em textos formais, como exigido a um futuro contador.
Gabarito: A
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!






