Os historiadores passaram a analisar o funcionamento da colônia. A realidade
se revelava complexa. No lugar da imagem de colonos engessados pela metrópole, vem à
tona um grande dinamismo nas relações comerciais dos principais portos do Brasil com o
rio da Prata no sul da América, com Angola, Costa da Mina e Moçambique na África e Índia,
e com Goa e Macau na Ásia. O que salta à vista é que muitas dessas áreas não eram de
domínio português. Colonos do Brasil, portanto, comercializavam diretamente com outras
regiões. Os comerciantes residentes no Brasil, no auge do Sistema Colonial, detinham o
monopólio do lucrativo tráfico negreiro – e não a metrópole.
(www.revistadehistoria.com.br/secao/educacao/a-colonia-e-mais-embaixo. Acesso: 02/03/2014. Adaptado.)
As comparações entre a colonização inglesa e a colonização ibérica na América
contribuíram para a atribuição de sentidos distintos a essas colonizações, povoamento e
exploração, respectivamente. No entanto, a análise do texto revela que as recentes revisões
historiográficas ampliaram as interpretações sobre as relações coloniais no clássico modelo
de exploração, isso porque na prática a
Os historiadores passaram a analisar o funcionamento da colônia. A realidade se revelava complexa. No lugar da imagem de colonos engessados pela metrópole, vem à tona um grande dinamismo nas relações comerciais dos principais portos do Brasil com o rio da Prata no sul da América, com Angola, Costa da Mina e Moçambique na África e Índia, e com Goa e Macau na Ásia. O que salta à vista é que muitas dessas áreas não eram de domínio português. Colonos do Brasil, portanto, comercializavam diretamente com outras regiões. Os comerciantes residentes no Brasil, no auge do Sistema Colonial, detinham o monopólio do lucrativo tráfico negreiro – e não a metrópole.
(www.revistadehistoria.com.br/secao/educacao/a-colonia-e-mais-embaixo. Acesso: 02/03/2014. Adaptado.)
As comparações entre a colonização inglesa e a colonização ibérica na América contribuíram para a atribuição de sentidos distintos a essas colonizações, povoamento e exploração, respectivamente. No entanto, a análise do texto revela que as recentes revisões historiográficas ampliaram as interpretações sobre as relações coloniais no clássico modelo de exploração, isso porque na prática a
Gabarito comentado
Alternativa correta: A — colônia tinha certa autonomia comercial
Tema central: análise da prática econômica colonial vs. modelo teórico do pacto colonial. A questão explora revisões historiográficas que mostram que, apesar das normas metropolitanas, agentes locais (comerciantes e portos) atuavam com autonomia e redes comerciais amplas.
Resumo teórico: o pacto colonial (modelo clássico) pressupõe exclusividade comercial em favor da metrópole e controle mercantilista. A historiografia revisionista (ver, por exemplo, estudos na Revista de História e autores como Caio Prado Júnior; para o império português, consultar Russell-Wood) mostra que, na prática, houve comércio direto dos colonos com outras regiões, contrabando e monopólios locais — fatores que atenuaram o controle metropolitano.
Justificativa da alternativa A: o texto destaca que comerciantes residentes no Brasil negociavam diretamente com Rio da Prata, África e Ásia e que os colonos detinham o monopólio do tráfico negreiro, não a metrópole. Isso indica autonomia comercial efetiva — logo, A é a resposta correta.
Análise das alternativas incorretas:
B — metrópole determinava o pacto colonial: é a visão teórica tradicional, mas o texto aponta justamente o contraste entre a teoria e a prática; portanto não responde ao que o trecho evidencia.
C — política mercantilista imperava na colônia: o mercantilismo era política da metrópole, não uma situação plenamente aplicada na colônia; o texto mostra desvios e iniciativas locais que relativizam essa afirmação.
D — postura liberal predominava na metrópole: incorreto: a metrópole era marcadamente mercantilista no período colonial; o texto não indica liberalismo metropolitano.
Dica para provas: ao interpretar enunciados, destaque expressões como “comercializavam diretamente” ou “detinham o monopólio”, que indicam prática concreta. Diferencie o modelo teórico (pacto colonial, mercantilismo) da realidade documental/empírica apresentada.
Fontes sugeridas: artigo citado (Revista de História — “A colônia é mais embaixo”), Caio Prado Júnior, e A. J. R. Russell-Wood sobre o império português.
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