Questão 136c8f3e-ec
Prova:CÁSPER LÍBERO 2010
Disciplina:Atualidades
Assunto:América Latina na Atualidade
O poder que os meios de comunicação, particularmente a televisão, exercem sobre
a opinião pública é tema de Rede de intrigas, filme de Sidney Lumet. Na América
Latina, desde a década de 1980, o debate político ocupa-se do assunto. No Brasil,
Tancredo Neves afirmou, referindo-se à Rede Globo: “Eu brigo com o Papa, com
a Igreja Católica, com o PMDB, brigo com todo o mundo; eu só não brigo com o
doutor Roberto”. Já na Argentina, o político César Jaroslavsky, fazendo referência
ao Clarín, declarou: “Temos que tomar cuidado com esse jornal. Ataca como partido
político e, se alguém o contesta, defende-se com a liberdade de imprensa”.
Sobre a atuação desses grandes grupos de comunicação no Brasil e na Argentina
(Globo e Clarín), é correto afirmar que:
O poder que os meios de comunicação, particularmente a televisão, exercem sobre
a opinião pública é tema de Rede de intrigas, filme de Sidney Lumet. Na América
Latina, desde a década de 1980, o debate político ocupa-se do assunto. No Brasil,
Tancredo Neves afirmou, referindo-se à Rede Globo: “Eu brigo com o Papa, com
a Igreja Católica, com o PMDB, brigo com todo o mundo; eu só não brigo com o
doutor Roberto”. Já na Argentina, o político César Jaroslavsky, fazendo referência
ao Clarín, declarou: “Temos que tomar cuidado com esse jornal. Ataca como partido
político e, se alguém o contesta, defende-se com a liberdade de imprensa”.
Sobre a atuação desses grandes grupos de comunicação no Brasil e na Argentina
(Globo e Clarín), é correto afirmar que:
A
Eles foram beneficiários da concessão pública estatal durante as ditaduras militares de ambos
os países e constituíram-se com o apoio financeiro direto de importantes grupos econômicos
da elite ruralista.
B
Eles configuram monopólios de meios de comunicação. Em 2009, no Brasil, a Globo não
participou da Conferência Nacional de Comunicação. Na Argentina, o Clarín, foi enquadrado
pela chamada “Lei dos Meios”.
C
O conteúdo político da programação jornalística passou a segundo plano após 1990,
com o fim do chamado “socialismo real”, quando o índice de audiência tornou-se fator
determinante, mas veio à tona novamente com a eleição do presidente venezuelano, Hugo
Chavez, a quem esses grupos se opõem.
D
Eles não apoiaram os presidentes eleitos, Cristina Kirchner e Luiz Inácio Lula da Silva; assim,
tornaram-se alvo de fiscalizações dos governos argentino e brasileiro, incitando a criação de
novas leis antimonopolistas.
E
Eles funcionaram como meios de comunicação oficiais dos governos militares, mas, com o fim do regime, passaram a conferir apoio não oficial aos políticos aliados durante as
campanhas eleitorais, adaptando-se à nova legalidade.
Gabarito comentado
T
Thiago Oliveira Monitor com apoio de IA
Gabarito: B
Fundamento decisivo: A alternativa correta é a que reúne, de forma historicamente compatível com o debate sobre concentração midiática, a ausência da Globo na Confecom de 2009 e o enquadramento do Clarín pela Lei de Meios argentina, sem recorrer a generalizações sobre origem comum, apoio oficial aos regimes ou simetria indevida entre os dois países.
Tema central: Concentração midiática
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao transformar uma relação histórica complexa com contextos autoritários em uma origem comum específica: benefício por concessão estatal durante ditaduras somado a apoio financeiro direto da elite ruralista. Esse segundo elemento é uma causalidade histórica particular e não consolidada como caracterização comum decisiva de Globo e Clarín. O defeito técnico é a generalização excessiva sobre origem e financiamento.
B
Certa
A alternativa B é a única sustentada pelo núcleo factual exigido pela questão: Globo e Clarín são tratados historicamente como conglomerados de forte concentração e grande poder de agenda política em seus países, e os dois marcos citados são compatíveis com esse debate público consolidado. No Brasil, a Globo não participou da Confecom de 2009; na Argentina, o Clarín foi atingido pelos limites regulatórios da Lei de Meios. Embora a palavra “monopólios” seja mais forte do que o uso técnico estrito recomendaria, aqui ela está sendo empregada no sentido amplo de concentração/poder dominante de mídia, o que mantém a alternativa correta no contexto de atualidades.
C
Errada
A alternativa cria uma periodização causal simplificadora: afirma que o conteúdo político do jornalismo teria ficado em segundo plano após 1990 e reaparecido por causa da eleição de Hugo Chávez. A base afasta esse tipo de explicação geral e centrada na Venezuela como eixo comum para Globo e Clarín. O erro está na construção histórica artificial e na conexão indevida entre os dois casos.
D
Errada
A alternativa pressupõe oposição equivalente de Globo e Clarín a Lula e Cristina Kirchner e, a partir disso, afirma uma reação estatal paralela com fiscalizações e novas leis antimonopolistas. A base é expressa ao dizer que a relação com governos democráticos foi variável e conflitiva em momentos distintos, sem simetria automática entre Brasil e Argentina. O caso argentino teve enfrentamento regulatório claro; o brasileiro não pode ser equiparado a ele nesses termos.
E
Errada
A alternativa erra ao dizer que Globo e Clarín funcionaram como meios oficiais dos governos militares. A base distingue influência, alinhamento ou favorecimento de condição de órgão oficial, e afirma que essa equiparação não pode ser feita. Também generaliza apoio não oficial a aliados em campanhas como regra comum, sem suporte suficiente. O erro é conceitual e histórico.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: o uso de “monopólios” em sentido amplo de concentração dominante, e a tentação de aceitar paralelismos exagerados entre Brasil e Argentina, como se os dois grupos tivessem a mesma origem, a mesma relação com ditaduras e a mesma relação com governos democráticos.
Dica para questões semelhantes
- Em comparações entre países, procure o traço comum historicamente consolidado e desconfie de alternativas que imponham simetria total entre contextos diferentes.
- Quando a questão tratar de mídia e política, diferencie posição dominante, alinhamento editorial e condição de meio oficial; não trate esses conceitos como equivalentes.
- Se uma alternativa trouxer fatos datados e verificáveis dentro do debate público do período, ela tende a ser mais segura do que outra baseada em causalidades amplas ou origens financeiras muito específicas.






