Questão 100bc368-47
Prova:UFF 2010
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia, Tipologia Textual, Pontuação, Uso da Vírgula

Quanto à construção linguística do Texto V e a legenda do Texto VI, pode-se afirmar que


A
a progressão das ideias nos dois textos se efetiva por um narrador de primeira pessoa, enunciado como personagem “Jacinto” (Texto V) e um narrador de terceira pessoa referido de modo genérico como uma “coluna” de jornal (Texto VI).
B
a interlocução se apresenta diferentemente nos dois textos: como um substantivo “Jacinto” (Texto V, linha 3) e como desinência de terceira pessoa do singular do modo imperativo em “Veja só.” (Texto VI, linha 3) em referência à pessoa com quem se fala.
C
o emprego do pronome pessoal “lhe” (Texto V, linha 14) referindo-se a “homem” aproxima o narrador do leitor; o emprego do pronome demonstrativo “este” e do advérbio “ali” (Texto VI, linha 1) aproximam espacialmente o narrador da imagem destacada no grafite.
D
o uso da vírgula marca a enumeração de verbos substantivados (Texto V, linhas 17-18); a vírgula usada na descrição da mulher fantasiada (Texto VI, linha 3) encadeia a enumeração de ações simultâneas.
E
a palavra “Cidade” escrita com maiúscula (Texto V, linha 1) produz um sentido de especificidade; a expressão “Parque dos Patins” (Texto VI, linha 1), com maiúsculas, nomeia um substantivo de valor irrestrito.

Gabarito comentado

V
Vera Ribeiro Mentor QconcursosMonitor com apoio de IA

Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é o reconhecimento das marcas de interlocução nos dois textos: "Jacinto" nomeia explicitamente o interlocutor no Texto V, enquanto "Veja só." marca interpelação direta ao destinatário no Texto VI por forma verbal de valor imperativo. Esse contraste confirma a alternativa B.

Tema central: marcas de interlocução
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao confundir interlocutor com narrador e ao confundir suporte/gênero com instância enunciativa. "Jacinto" não prova narrador de primeira pessoa; ele funciona, conforme a base, como nomeação do interlocutor. Do mesmo modo, "coluna" de jornal não constitui narrador de terceira pessoa.
B
Certa
A alternativa B acerta porque reconhece o critério realmente cobrado: a construção da interlocução nos dois textos. No Texto V, ela aparece pela nomeação explícita do interlocutor, "Jacinto". No Texto VI, aparece por chamamento direto ao destinatário em "Veja só.", forma linguística apelativa voltada à pessoa com quem se fala. Embora a formulação técnica sobre "desinência" seja discutível, o núcleo correto da alternativa está na identificação dessas duas marcas distintas de interlocução.
C
Errada
O erro está em atribuir efeitos discursivos que os elementos citados não sustentam. O pronome "lhe" retomando "homem" é mecanismo pronominal de retomada/objeto indireto, não recurso de aproximação entre narrador e leitor. Além disso, a alternativa trata "este" e "ali" como se ambos marcassem aproximação espacial, mas "ali" indica afastamento relativo em relação ao ponto da enunciação.
D
Errada
A alternativa generaliza indevidamente a função da vírgula. No Texto V, a leitura de "enumeração de verbos substantivados" depende de forma específica não demonstrada de modo suficiente. No Texto VI, a vírgula na descrição da mulher fantasiada não autoriza concluir que haja enumeração de ações simultâneas; ela pode apenas segmentar elementos descritivos. A própria base alerta que nem toda vírgula em descrição indica simultaneidade.
E
Errada
A alternativa erra em dois pontos. Primeiro, reduzir "Cidade" com maiúscula a simples sentido de especificidade não tem sustentação suficiente, já que esse uso pode produzir outros efeitos discursivos no contexto. Segundo, "Parque dos Patins" é nome próprio de lugar; por isso, não se pode classificá-lo como substantivo de valor irrestrito ou genérico.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre interlocutor e narrador: o candidato podia tomar "Jacinto" como prova de foco narrativo e deixar de perceber que "Veja só." é a marca decisiva de interpelação ao destinatário.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão falar em construção linguística, procure marcas concretas de enunciação no texto, como nomeação do interlocutor e formas verbais apelativas.
  • Não confunda personagem ou interlocutor com narrador; nome citado no texto não define, sozinho, foco narrativo.
  • Em expressões como "Veja só.", observe o efeito de chamamento ao destinatário antes de buscar classificações mais amplas.
  • Se a alternativa trouxer vários fenômenos linguísticos ao mesmo tempo, elimine-a pelo primeiro ponto objetivamente incompatível com o texto.

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