As possibilidades geográficas e sociais informam muitos aspectos da formação e
estrutura de uma sociedade. No Brasil, a sociedade que se estruturou na região das
minas possuía características que a diferenciavam do restante da colônia. A esse
respeito, assinale a alternativa mais coerente.
Gabarito comentado
Tema central: Sociedade mineradora no Brasil colonial – formas de estrutura, urbanização e distribuição de riqueza em Minas Gerais no século XVIII.
Compreensão do tema: A descoberta do ouro e diamantes no século XVIII levou à formação de cidades importantes em Minas Gerais, como Vila Rica (Ouro Preto). Ao contrário do que ocorria nos engenhos de açúcar, a sociedade mineradora apresentava estrutura urbana mais complexa e variada, reunindo comerciantes, funcionários da Coroa, artesãos, profissionais liberais e grande população escravizada.
Entretanto, a distribuição da riqueza era profundamente desigual. Pequenos grupos enriqueciam, enquanto a maior parte da população vivia em condições precárias. O trabalho escravo era predominante, e a mobilidade social, rara.
Justificativa da alternativa correta (D):
A alternativa D resume corretamente que a riqueza mineral estava concentrada “nas mãos de poucos, contrastando com a miséria da maioria”. Ela destaca o caráter urbanizado e heterogêneo dessa sociedade, reforçando seus fortes contrastes sociais. Tal descrição está de acordo com os principais autores e manuais para concursos, como Boris Fausto (História do Brasil) e Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil).
Nessa abordagem, o vestibulando deve prestar atenção a termos como “desigual” e “concentração de riqueza”, que são palavras-chave sobre o período minerador brasileiro.
Análise das alternativas incorretas:
A) Falsa igualdade: Ignora a profunda desigualdade nas minas e superestima o impacto das cartas de alforria.
B) Generalização da miscigenação: Associa erroneamente miscigenação à redução de preconceitos, desconsiderando o racismo estrutural e a rigidez social da época.
C) Redução da arte barroca: Limita a função da arte ao conformismo, quando, na verdade, ela também expressava tensões e identidades locais.
E) Anacronismo: Superestima a presença iluminista na sociedade mineradora e erra ao classificar a Guerra dos Emboabas como conflito de ideias – foi, sobretudo, um embate pelo controle das minas.
Dica de prova: Fique atento a alternativas que empregam termos absolutos (“igualitariamente”, “dispensando tratamento humanitário”, “sem comparação no Brasil”) ou transferem realidades contemporâneas para o passado. No contexto das minas, o essencial é perceber a coexistência entre riqueza e exclusão social.
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