Questõesde UNICENTRO sobre Realismo

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UNICENTRO 2017 - Literatura - Realismo, Escolas Literárias

Leia o trecho a seguir retirado do conto “A Causa Secreta” e assinale a alternativa correta no que diz respeito ao referido conto e a estética de Machado de Assis.

Fortunato saiu, foi deitar-se no sofá da saleta contígua, e adormeceu logo. Vinte minutos depois acordou, quis dormir outra vez, cochilou alguns minutos, até que se pegue e voltou à sala. Caminhava nas pontas dos pés para não acordar a parenta, que dormia perto. Chegando à porta, estacou assombrado.
Garcia tinha-se chegado ao cadáver, levantara o lenço e contemplara por alguns instantes como feições defuntas. Depois, como se a morte espiritualizasse tudo, inclinou-se e beijou-a na testa. Foi nesse momento que Fortunato chegou à porta. Estacou assombrado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o epílogo de um livro adúltero. Não tinha ciúmes, note-se; a natureza compô-lo de maneira que lhe não deu ciúmes nem inveja, mas dera-lhe vaidade, que não é menos cativa ao ressentimento. Olhou assombrado, mordendo os beiços.
Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver; mas então não pôde mais. O beijo rebentou em soluços, e os olhos não puderam conter como lágrimas, que predomina em borbotões, lágrimas de amor calado, e irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.
(Várias Histórias - Machado de Assis - WM Jackson Inc Editores - 1946.)


A
Em “A Causa Secreta”, assim como em diversas ficções machadianas, o autoconstrói toda a tensão de sua narrativa ao redor de um possível triângulo amoroso. A infidelidade conjugal, a deterioração da família e a vingança são os principais elementos constituintes desse texto, visto que o motor de toda a narrativa é o desejo de vingança que move Fortunato a tentar recuperar sua honra perdida.
B
Nenhum referido conto, só é possível compreender as motivações que levam Fortunato a agir de maneira sádica porque o texto é narrado em primeira pessoa, emergindo na narrativa elementos que denunciam a composição psicológica do personagem.
C
Fortunato saboreia o sofrimento de Garcia no final do conto, pois sabe que o amigo não pode ter uma mulher amada novamente, uma vez que ela está morta. Desse modo, um personagem não sente ciúmes ou raiva da traição, pois se sente vingado pelo destino trágico que teve uma mulher. E só é possível que o leitor acesse essas informações e compreenda o deleite de Fortunato completamente graças a um artificio narrativo amplamente utilizado por Machado de Assis denominado realismo fantástico.
D
É graças ao fino desenvolvimento do narrador onisciente em terceira pessoa que o leitor flagra as mais profundas motivações de Fortunato. A partir do desnudamento psicológico da personagem o leitor passa a compreender que Fortunato é movido pelo sadismo e que busca o ápice de seu prazer no sofrimento de outros seres.
E
O viés naturalista de Machado de Assis é evidente neste texto, uma vez que no decorrer da narrativa Fortunato é revelado como fruto de uma sociedade falida, corrompida e refém dos problemas gerados pela violência. O narrador escancara os pormenores psicológicos de Fortunato revelando que um personagem buscar devolver para uma sociedade o que sempre deve, dor e sofrimento.
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UNICENTRO 2017 - Literatura - Naturalismo, Realismo, Escolas Literárias

Sobre o Romance Luzia-Homem de Domingos Olímpio é errado afirmar que

A
O romance apresenta características da estética Naturalista, o que se evidencia por exemplo na construção das personagens, que são produtos do meio onde vivem, fortemente influenciadas pelo ambiente, movidas pelo instinto sexual e incapazes de lidar com tais impulsos. É possível perceber inclusive a secura que o povo descrito no texto herdou da terra infértil.
B
Luzia é uma protagonista forte, que se mantém firme nos seus propósitos até o fim da narrativa. A personagem figura como um símbolo da mulher nordestina que enfrenta o flagelo da seca com coragem e sem perder a bondade e a sensibilidade.
C
Luzia é um grande símbolo feminista, visto que sua composição é produto do impacto que os movimentos femininos de conquista por espaço, efervescentes no período de criação do texto, causou nenhum no contexto intelectual brasileiro e, consequentemente, no escritor Domingos Olímpio.
D
Luzia-Homem se situa no chamado ciclo das secas da Literatura Nordestina, e tem como marcas regionais a fala característica das personagens e a descrição dolorosa do flagelo vivido pelos nordestinos. Além disso vale ressaltar a presença dos exploradores da miséria popular tentando sempre alguma vantagem diante de um contexto miserável.
E
A protagonista Luzia tem como atributos físicos força incomum para uma mulher, o que lhe rende o apelido de homem. Porém no decorrer do romance também se nota sua força interior, sendo um personagem firme e incorruptível na constituição de seu caráter.
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UNICENTRO 2018 - Literatura - Realismo, Escolas Literárias

Em “A causa secreta”, conto de Machado de Assis, incluído em Várias histórias, é INcorreto afirmar que

A
a narração começa in medias res.
B
o tempo do discurso coincide com o tempo da história.
C
há a utilização do recurso da analepse.
D
a perspectiva de Garcia predomina na narrativa.
E
o narrador faz uso da onisciência.
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UNICENTRO 2010 - Literatura - Realismo, Escolas Literárias

Bentinho chega à conclusão de que Capitu já trazia os traços psicológicos desde sua infância. Assinale a alternativa em que há a comprovação dessa tese de Bentinho.

A questão refere-se ao fragmento de texto a seguir. 


Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me faz esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada. Mas não é este propriamente o resto do livro. O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente (...)”Não tenhas ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, ver.1: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti”. Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.

E bem, qualquer que seja a solução, uma coisa fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... A terra lhes seja leve! Vamos à História dos Subúrbios” Capítulo CXLVIII E Bem, E O Resto ? Machado de Assis. Dom Casmurro. São Paulo: Abril Cultural, 1981, p. 174. 

A
“Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me faz esquecer a primeira amada do meu coração?”
B
“O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente.”
C
“...se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.”
D
“...a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me.”
E
“’Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti’”.
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UNICENTRO 2010 - Literatura - Realismo, Escolas Literárias

     Compreende-se que o ponto da lição era difícil, e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria a um meio que lhe pareceu útil para escapar ao castigo do pai. Se me tem pedido a coisa por favor, alcançá-la-ia do mesmo modo, como de outras vezes, mas parece que era lembrança das outras vezes, o medo de achar a minha vontade frouxa ou cansada, e não aprender como queria, — e pode ser mesmo que em alguma ocasião lhe tivesse ensinado mal,–– parece que tal foi a causa da proposta. [...]
      Não queria recebê-la, e custava-me recusá-la. Olhei para o mestre, que continuava a ler, com tal interesse, que lhe pingava o rapé do nariz.
      — Ande, tome, dizia-me baixinho o filho. [...]
      –– Tome, tome...
      Relancei os olhos pela sala, e dei com os do Curvelo em nós; disse ao Raimundo que esperasse. Pareceu-me que o outro nos observava, então dissimulei; mas daí a pouco deitei-lhe outra vez o olho, e –– tanto se ilude a vontade! –– não lhe vi mais nada. Então cobrei ânimo.
     –– Dê cá...

ASSIS, Machado de. Conto de Escola. Contos. São Paulo: Ática. 1989. p. 34. ( Série Bons Livros).

Tem comprovação no texto a ideia de

A
valorização da amizade.
B
fragilidade dos valores éticos.
C
preconceito diante do oprimido.
D
ruptura com as relações sociais.
E
desrespeito à figura paterna e professoral.