Questõesde FGV 2016 sobre Literatura

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FGV 2016 - Literatura - Escolas Literárias, Romantismo

Da “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, o poema de Drummond conserva, sobretudo,

Nova canção do exílio


Um sabiá

na palmeira, longe.

Estas aves cantam

um outro canto.


O céu cintila

sobre flores úmidas.

Vozes na mata,

e o maior amor.


Só, na noite,

seria feliz:

um sabiá,

na palmeira, longe.


Onde é tudo belo

e fantástico,

só, na noite,

seria feliz.

(Um sabiá,

na palmeira, longe.)


Ainda um grito de vida e

voltar

para onde é tudo belo

e fantástico:

palmeira, o sabiá,

o longe. 


Carlos Drummond de Andrade, A rosa do povo.

A
a ausência de adjetivação.
B
o antilusitanismo.
C
o ufanismo nacionalista.
D
a regularidade métrica.
E
a idealização nostálgica.
35bc529a-c0
FGV 2016 - Literatura - Escolas Literárias, Romantismo

O sentido do poema depende, em boa medida, do reconhecimento de que, em sua composição, o autor se vale de uma relação intertextual com a “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias. O que viabiliza a escolha do poema gonçalvino como referência intertextual é, em primeiro lugar, o fato de ele ser

Nova canção do exílio


Um sabiá

na palmeira, longe.

Estas aves cantam

um outro canto.


O céu cintila

sobre flores úmidas.

Vozes na mata,

e o maior amor.


Só, na noite,

seria feliz:

um sabiá,

na palmeira, longe.


Onde é tudo belo

e fantástico,

só, na noite,

seria feliz.

(Um sabiá,

na palmeira, longe.)


Ainda um grito de vida e

voltar

para onde é tudo belo

e fantástico:

palmeira, o sabiá,

o longe. 


Carlos Drummond de Andrade, A rosa do povo.

A
ainda pouco utilizado em paródias e textos assemelhados.
B
um dos textos mais amplamente conhecidos da literatura brasileira.
C
emblemático do patriotismo que o poema de Drummond tratava de satirizar.
D
objeto da aversão que as vanguardas modernistas nutriam pelos poetas românticos.
E
pouco respeitado pela crítica literária do tempo de Drummond.
35a4b38e-c0
FGV 2016 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

As informações contidas no texto, consideradas no contexto de São Bernardo, indicam como importante coordenada histórico-social dessa obra o processo de

    - A excelentíssima, declarou Seu Ribeiro, entende de escrituração.   

    Seu Ribeiro morava aqui, trabalhava comigo, mas não gostava de mim. Creio que não gostava de ninguém. Tudo nele se voltava para o lugarejo que se transformou em cidade e que tinha, há meio século, bolandeira, terços, candeias de azeite e adivinhações em noites de São João. Com mais de setenta anos, andava a pé, de preferência pelas veredas. E só falava ao telefone constrangido. Odiava a época em que vivia, mas tirava-se de dificuldades empregando uns modos cerimoniosos e expressões que hoje não se usam. O reduzido calor que ainda guardava servia para aquecer aqueles livros grossos, de cantos e lombadas de couro. Escrevia neles com amor lançamentos complicados, e gastava quinze minutos para abrir um título, em letras grandes e curvas, um pouco trêmulas, as iniciais cheias de enfeites. 

  - Entende muito, continuou. E embora eu não concorde integralmente com o método que preconiza, reconheço que poderá, querendo, encarregar-se da escrita.

  - Obrigada.

  - Não há de quê. A excelentíssima conhece a matéria e tem caligrafia. Eu sou uma ruína. Qualquer dia destes ... 

Graciliano Ramos, São Bernardo. 

A
modernização do Brasil, compreendido entre o final do 2º Reinado e o final da década de 1920.
B
decadência cultural do País, determinado pela marginalização das elites católicas tradicionais.
C
regressão político-institucional deflagrado pela decretação do Estado Novo, na década de 1930.
D
burocratização das relações de trabalho imposta pela ditadura varguista.
E
urbanização provocado pela acelerada industrialização do País, no final do Séc. XIX.
35b923d2-c0
FGV 2016 - Literatura - Naturalismo, Escolas Literárias

Para dar ideia, de maneira mais precisa, da agitação da cena descrita, o narrador se vale do uso reiterado de verbos que expressam ______________________ da ação e de adjetivos de significação ____________________.

As lacunas dessa frase podem ser corretamente preenchidas pelas palavras

  Em uma outra casinha do cortiço acabava de estalar uma nova sobremesa, engrossando o barulho geral: era o jantar de um grupo de italianos mascates, onde o Delporto, o Pompeo, o Francesco e o Andrea representavam as principais figuras. Todos eles cantavam em coro, mais afinados que nas outras duas casas; quase, porém, que se lhes não podia ouvir as vozes, tantas e tão estrondosas eram as pragas que soltavam ao mesmo tempo. De quando em quando, de entre o grosso e macho vozear dos homens, esguichava um falsete feminino, tão estridente que provocava réplica aos papagaios e aos perus da vizinhança. E, daqui e dali, iam rebentando novas algazarras em grupos formados cá e lá pela estalagem. Havia nos operários e nos trabalhadores decidida disposição para pandegar, para aproveitar bem, até ao fim, aquele dia de folga. A casa de pasto fermentava revolucionada, como um estômago de bêbado depois de grande bródio, e arrotava sobre o pátio uma baforada quente e ruidosa que entontecia. 

Aluísio Azevedo, O cortiço.

A
simultaneidade; intensificada.
B
anterioridade; objetiva.
C
posterioridade; subjetiva.
D
intermitência; conotativa.
E
descontinuidade; denotativa.
35b5f2e2-c0
FGV 2016 - Literatura - Naturalismo, Escolas Literárias

A crítica literária costuma observar que, em O cortiço, considerado como um todo, ocorre uma espécie de ampla personificação, na medida em que, convertido em um único ente, o próprio cortiço figurado na obra seria sua personagem principal. Esse mesmo processo de personificação ocorre, em escala menor, no seguinte trecho do texto: 

  Em uma outra casinha do cortiço acabava de estalar uma nova sobremesa, engrossando o barulho geral: era o jantar de um grupo de italianos mascates, onde o Delporto, o Pompeo, o Francesco e o Andrea representavam as principais figuras. Todos eles cantavam em coro, mais afinados que nas outras duas casas; quase, porém, que se lhes não podia ouvir as vozes, tantas e tão estrondosas eram as pragas que soltavam ao mesmo tempo. De quando em quando, de entre o grosso e macho vozear dos homens, esguichava um falsete feminino, tão estridente que provocava réplica aos papagaios e aos perus da vizinhança. E, daqui e dali, iam rebentando novas algazarras em grupos formados cá e lá pela estalagem. Havia nos operários e nos trabalhadores decidida disposição para pandegar, para aproveitar bem, até ao fim, aquele dia de folga. A casa de pasto fermentava revolucionada, como um estômago de bêbado depois de grande bródio, e arrotava sobre o pátio uma baforada quente e ruidosa que entontecia. 

Aluísio Azevedo, O cortiço.

A
“Em uma outra casinha do cortiço acabava de estalar uma nova sobremesa, engrossando o barulho geral (...).”
B
“Todos eles cantavam em coro, mais afinados que nas outras duas casas; quase, porém, que se lhes não podia ouvir as vozes, tantas e tão estrondosas eram as pragas que soltavam ao mesmo tempo.”
C
“De quando em quando, de entre o grosso e macho vozear dos homens, esguichava um falsete feminino, tão estridente que provocava réplica aos papagaios e aos perus da vizinhança.”
D
“E, daqui e dali, iam rebentando novas algazarras em grupos formados cá e lá pela estalagem.”
E
“A casa de pasto fermentava revolucionada, como um estômago de bêbado depois de grande bródio, e arrotava sobre o pátio uma baforada quente e ruidosa que entontecia.”
35b33032-c0
FGV 2016 - Literatura - Naturalismo, Escolas Literárias

Bastante notável no texto, a grande quantidade de anotações oriundas da percepção dos sentidos (no caso, sobretudo o da audição), constitui

  Em uma outra casinha do cortiço acabava de estalar uma nova sobremesa, engrossando o barulho geral: era o jantar de um grupo de italianos mascates, onde o Delporto, o Pompeo, o Francesco e o Andrea representavam as principais figuras. Todos eles cantavam em coro, mais afinados que nas outras duas casas; quase, porém, que se lhes não podia ouvir as vozes, tantas e tão estrondosas eram as pragas que soltavam ao mesmo tempo. De quando em quando, de entre o grosso e macho vozear dos homens, esguichava um falsete feminino, tão estridente que provocava réplica aos papagaios e aos perus da vizinhança. E, daqui e dali, iam rebentando novas algazarras em grupos formados cá e lá pela estalagem. Havia nos operários e nos trabalhadores decidida disposição para pandegar, para aproveitar bem, até ao fim, aquele dia de folga. A casa de pasto fermentava revolucionada, como um estômago de bêbado depois de grande bródio, e arrotava sobre o pátio uma baforada quente e ruidosa que entontecia. 

Aluísio Azevedo, O cortiço.

A
resquício romântico, de ocorrência frequente nas obras de Aluísio Azevedo.
B
testemunho da influência da música na literatura do séc. XIX.
C
antecipação da estética do Modernismo.
D
marca de seu pertencimento ao Naturalismo literário.
E
vestígio do período parnasiano do autor.
35b06ed8-c0
FGV 2016 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

Na frase “E embora eu não concorde integralmente com o método que preconiza”, os termos sublinhados podem ser substituídos, sem alteração de sentido, por: 

    - A excelentíssima, declarou Seu Ribeiro, entende de escrituração.   

    Seu Ribeiro morava aqui, trabalhava comigo, mas não gostava de mim. Creio que não gostava de ninguém. Tudo nele se voltava para o lugarejo que se transformou em cidade e que tinha, há meio século, bolandeira, terços, candeias de azeite e adivinhações em noites de São João. Com mais de setenta anos, andava a pé, de preferência pelas veredas. E só falava ao telefone constrangido. Odiava a época em que vivia, mas tirava-se de dificuldades empregando uns modos cerimoniosos e expressões que hoje não se usam. O reduzido calor que ainda guardava servia para aquecer aqueles livros grossos, de cantos e lombadas de couro. Escrevia neles com amor lançamentos complicados, e gastava quinze minutos para abrir um título, em letras grandes e curvas, um pouco trêmulas, as iniciais cheias de enfeites. 

  - Entende muito, continuou. E embora eu não concorde integralmente com o método que preconiza, reconheço que poderá, querendo, encarregar-se da escrita.

  - Obrigada.

  - Não há de quê. A excelentíssima conhece a matéria e tem caligrafia. Eu sou uma ruína. Qualquer dia destes ... 

Graciliano Ramos, São Bernardo. 

A
plenamente; apregoa.
B
restritamente; pratica.
C
literalmente; prevê.
D
totalmente; exercita.
E
objetivamente; defende.
35ab9817-c0
FGV 2016 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

Dado que a narrativa presente no texto de São Bernardo é de tipo realista (no sentido de que tem como ponto de partida a figuração e a análise de realidades observáveis, da esfera do real), a modalidade narrativa que a ela se contrapõe mais frontalmente é a dominante em

    - A excelentíssima, declarou Seu Ribeiro, entende de escrituração.   

    Seu Ribeiro morava aqui, trabalhava comigo, mas não gostava de mim. Creio que não gostava de ninguém. Tudo nele se voltava para o lugarejo que se transformou em cidade e que tinha, há meio século, bolandeira, terços, candeias de azeite e adivinhações em noites de São João. Com mais de setenta anos, andava a pé, de preferência pelas veredas. E só falava ao telefone constrangido. Odiava a época em que vivia, mas tirava-se de dificuldades empregando uns modos cerimoniosos e expressões que hoje não se usam. O reduzido calor que ainda guardava servia para aquecer aqueles livros grossos, de cantos e lombadas de couro. Escrevia neles com amor lançamentos complicados, e gastava quinze minutos para abrir um título, em letras grandes e curvas, um pouco trêmulas, as iniciais cheias de enfeites. 

  - Entende muito, continuou. E embora eu não concorde integralmente com o método que preconiza, reconheço que poderá, querendo, encarregar-se da escrita.

  - Obrigada.

  - Não há de quê. A excelentíssima conhece a matéria e tem caligrafia. Eu sou uma ruína. Qualquer dia destes ... 

Graciliano Ramos, São Bernardo. 

A
Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida.
B
Senhora, de José de Alencar.
C
Macunaíma, de Mário de Andrade.
D
Capitães da Areia, de Jorge Amado.
E
Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto.
35a80e45-c0
FGV 2016 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

Considere as seguintes comparações:

A personagem seu Ribeiro, tal como aparece no texto, e a célebre personagem José Dias, de Dom Casmurro, de Machado de Assis,

I têm, ambas, a mania do superlativo, que empregam como modo de compensar imaginariamente a condição subalterna e a dificuldade para formar juízo autônomo;

II diferenciam-se, na medida em que seu Ribeiro é um empregado assalariado, ao passo que José Dias é um agregado e, como tal, inteiramente dependente do favor dos proprietários;

III valem-se igualmente da bajulação ou do elogio desprovido de fundamento real e de sinceridade, como meio de alcançar as boas graças dos proprietários.


Está correto o que se afirma em

    - A excelentíssima, declarou Seu Ribeiro, entende de escrituração.   

    Seu Ribeiro morava aqui, trabalhava comigo, mas não gostava de mim. Creio que não gostava de ninguém. Tudo nele se voltava para o lugarejo que se transformou em cidade e que tinha, há meio século, bolandeira, terços, candeias de azeite e adivinhações em noites de São João. Com mais de setenta anos, andava a pé, de preferência pelas veredas. E só falava ao telefone constrangido. Odiava a época em que vivia, mas tirava-se de dificuldades empregando uns modos cerimoniosos e expressões que hoje não se usam. O reduzido calor que ainda guardava servia para aquecer aqueles livros grossos, de cantos e lombadas de couro. Escrevia neles com amor lançamentos complicados, e gastava quinze minutos para abrir um título, em letras grandes e curvas, um pouco trêmulas, as iniciais cheias de enfeites. 

  - Entende muito, continuou. E embora eu não concorde integralmente com o método que preconiza, reconheço que poderá, querendo, encarregar-se da escrita.

  - Obrigada.

  - Não há de quê. A excelentíssima conhece a matéria e tem caligrafia. Eu sou uma ruína. Qualquer dia destes ... 

Graciliano Ramos, São Bernardo. 

A
I, apenas.
B
II, apenas.
C
I e III, apenas.
D
II e III, apenas.
E
I, II e III.
d83355a9-b0
FGV 2016, FGV 2016 - Literatura - Escolas Literárias, Romantismo

É preciso não perder de vista o quanto importava ao escritor _______________ cobrir com seus numerosos romances passado e presente, cidade e campo, litoral e sertão, e compor, assim, uma espécie de ________________ do Brasil.

Preenche-se de modo respectivo e adequado os espaços em branco com o que está em:

A
José de Alencar; suma narrativa.
B
Machado de Assis; painel psicológico.
C
Mário de Andrade; rapsódia.
D
Euclides da Cunha; anatomia.
E
João Guimarães Rosa; cartografia poética.
d8292687-b0
FGV 2016, FGV 2016 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

NÃO se encontra, entre os aspectos que contribuem para o efeito poético do texto,

                     Poema tirado de uma notícia de jornal

         João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da

                                                     [Babilônia num barracão sem número.

         Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

         Bebeu

         Cantou

         Dançou

         Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

                                                            Manuel Bandeira. Libertinagem.  

A
a concentração dos recursos expressivos nele empregados.
B
a presença de marcas da variedade linguística de caráter popular e coloquial.
C
a apresentação, sem comentários ou explicações, das ações de “João Gostoso”.
D
o tratamento satírico dado à personagem “João Gostoso”.
E
o contraste entre a relativa informalidade das referências concernentes a “João Gostoso” e a designação precisa dos demais locais públicos citados.
d82cabf7-b0
FGV 2016, FGV 2016 - Literatura - Modernismo, Escolas Literárias

Considere as seguintes afirmações:

A filiação do poema à estética do Modernismo revela-se na

I escolha de assunto pertencente à esfera do cotidiano humilde e prosaico, em oposição ao Parnasianismo antecendente, que cultivava os temas ditos nobres, solenes e elevados.

II utilização de objeto ou texto já pronto ou constituído, alegadamente encontrado na realidade exterior, como base da composição poética.

III ruptura das fronteiras entre os gêneros literários tradicionais, que aparecem mesclados no texto.

Está correto o que se afirma em

                     Poema tirado de uma notícia de jornal

         João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da

                                                     [Babilônia num barracão sem número.

         Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

         Bebeu

         Cantou

         Dançou

         Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

                                                            Manuel Bandeira. Libertinagem.  

A
I, somente.
B
I e II, somente.
C
II e III, somente.
D
I e III, somente.
E
I, II e III.
83d6159d-a7
FGV 2016, FGV 2016 - Literatura - Escolas Literárias, Romantismo

Considerada no contexto histórico-literário da época em que foram publicadas as Memórias de um sargento de milícias, a crítica à idealização romântica, presente nessa obra, indica que

Texto para a questão


A
o Romantismo, longe de ser monolítico, comportava diferentes vertentes estéticas e ideológicas, às vezes contraditórias entre si.
B
ela constitui uma antecipação do realismo, que só viria a se instalar, entre nós, uma década mais tarde.
C
seu autor, malgrado seu talento pessoal, era passadista e se conservava filiado às correntes literárias classicistas.
D
a estética do Romantismo só seria introduzida no Brasil anos depois de sua redação.
E
ela pertence à cultura oral-popular do Rio de Janeiro joanino, ignorando, assim, as características das correntes literárias de origem europeia.