Questão f26838b4-29
Prova:UNIFESP 2005
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia
Os termos enleva, rouba e penas assumem no poema, respectivamente, os seguintes significados:
Os termos enleva, rouba e penas assumem no poema, respectivamente, os seguintes significados:
INSTRUÇÃO: As questões baseiam- se no poema de Filinto Elísio.
Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,
Um garbo senhoril, nevada alvura,
Metal de voz que enleva de doçura,
Dentes de aljôfar, em rubi cravados.
Fios de ouro, que enredam meus cuidados,
Alvo peito, que cega de candura,
Mil prendas; e (o que é mais que formosura)
Uma graça, que rouba mil agrados.
Mil extremos de preço mais subido
Encerra a linda Márcia, a quem of’reço
Um culto, que nem dela inda é sabido.
Tão pouco de mim julgo que a mereço,
Que enojá- la não quero de atrevido
Co’as penas que por ela em vão padeço.
INSTRUÇÃO: As questões baseiam- se no poema de Filinto Elísio.
Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,
Um garbo senhoril, nevada alvura,
Metal de voz que enleva de doçura,
Dentes de aljôfar, em rubi cravados.
Fios de ouro, que enredam meus cuidados,
Alvo peito, que cega de candura,
Mil prendas; e (o que é mais que formosura)
Uma graça, que rouba mil agrados.
Mil extremos de preço mais subido
Encerra a linda Márcia, a quem of’reço
Um culto, que nem dela inda é sabido.
Tão pouco de mim julgo que a mereço,
Que enojá- la não quero de atrevido
Co’as penas que por ela em vão padeço.
Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,
Um garbo senhoril, nevada alvura,
Metal de voz que enleva de doçura,
Dentes de aljôfar, em rubi cravados.
Fios de ouro, que enredam meus cuidados,
Alvo peito, que cega de candura,
Mil prendas; e (o que é mais que formosura)
Uma graça, que rouba mil agrados.
Mil extremos de preço mais subido
Encerra a linda Márcia, a quem of’reço
Um culto, que nem dela inda é sabido.
Tão pouco de mim julgo que a mereço,
Que enojá- la não quero de atrevido
Co’as penas que por ela em vão padeço.
A
encantar – conquistar – padecimentos.
B
arrebatar – subtrair – plumas.
C
envolver – saquear – piedades.
D
espantar – tomar – compaixões.
E
surpreender – despojar – mágoas.
Gabarito comentado
O
Otávio Pereira Monitor com apoio de IA
Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é o sentido contextual dos vocábulos no trecho obrigatório “Metal de voz que enleva de doçura, / Uma graça, que rouba mil agrados. / Co’as penas que por ela em vão padeço.”: no poema, “enleva” significa encantar, “rouba” funciona figuradamente como conquistar/atrair para si, e “penas” corresponde a sofrimentos/padecimentos; por isso, apenas a alternativa A reúne os três sentidos compatíveis com o texto.
Tema central: sentido contextual de vocábulos
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A acerta os três itens pelo valor semântico que as palavras assumem no poema. Em “enleva de doçura”, o efeito da voz da amada é de encantamento, o que sustenta “encantar”. Em “rouba mil agrados”, o verbo não indica furto material, mas conquista sedutora no elogio amoroso, o que sustenta “conquistar”. Em “penas que por ela em vão padeço”, a ligação com “padeço” define “penas” como padecimentos ou sofrimentos amorosos.
B
Errada
“Arrebatar” pode até se aproximar parcialmente de “enleva”, mas a alternativa cai nos outros dois termos: “subtrair” impõe à palavra “rouba” um sentido literal de furto incompatível com o elogio poético de “rouba mil agrados”, e “plumas” é excluído por “Co’as penas que por ela em vão padeço”, em que “penas” está no campo do sofrimento, não de objeto concreto.
C
Errada
“Envolver” não traduz o efeito afetivo e encantatório de “enleva de doçura”. “Saquear” materializa indevidamente o valor figurado de “rouba”, que no verso indica atração ou conquista amorosa. “Piedades” também não se sustenta, porque “penas” está semanticamente ligado a “padeço”, logo significa sofrimentos do eu lírico.
D
Errada
“Espantar” contradiz o contexto positivo de “doçura”, que aponta para encantamento, não para susto ou repulsa. “Tomar” é genérico demais e não recupera o valor afetivo de conquista presente em “rouba mil agrados”. “Compaixões” erra o referente semântico, porque “penas” no verso são as dores sofridas pelo eu lírico.
E
Errada
“Surpreender” não corresponde ao núcleo semântico de “enleva”, que no verso indica encantamento causado pela doçura da voz. “Despojar” mantém a leitura de retirada material para “rouba”, incompatível com o uso figurado elogioso do poema. Embora “mágoas” se aproxime parcialmente de “penas”, a alternativa não pode ser aceita porque a questão exige adequação simultânea dos três significados.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: ler “rouba” literalmente, como furto, e ler “penas” no sentido concreto de “plumas”, ignorando que “padeço” fixa o sentido de sofrimento amoroso.
Dica para questões semelhantes
- Quando a questão pedir o sentido de palavras no texto, decida pelo contexto do verso, não pelo primeiro significado isolado da palavra.
- Em poesia amorosa, verbos como “roubar” frequentemente aparecem em valor figurado de conquista ou atração, não de subtração material.
- Use as palavras vizinhas como prova semântica: aqui, “doçura” orienta “enleva”, e “padeço” define “penas”.
- Em alternativas com três correspondências, a resposta só vale se os três itens estiverem corretos ao mesmo tempo.






